AO FUTURO PREFEITO DA CIDADE DE SÃO SEBASTIÃO DO RIO DE JANEIRO

CrôniCaRioca Prezados candidatos,
Os senhores e a senhora devem ter notado, pois o nome revela: este espaço dedica-se essencialmente aos assuntos urbano-cariocas, tema que, de fato, porta certa universalidade. Afinal, vida citadina e urbe são uma coisa só. Tudo o que diz respeito à cidade interessa ao seu morador. E vice-versa.

LEITE
Internet



Por isso não se falará aqui de Educação e Saúde, temas fundamentais sem os quais o resto ou não existe ou é precário. Outros blogs e outras cartas que tratem disso há de haver! Alguém deve cuidar do leite das crianças…






Predominam as questões sobre o uso do solo e as normas que o regem – leis, decretos, etc. – porque se pretende entender o resultado prático dessas sobre a paisagem e o cotidiano, ou seja, a produção dos espaços públicos e privados, e o seu uso, o que engloba desde a conservação das ruas e calçadas, até transporte e mobilidade, por exemplo.


Nos últimos quatro anos houve uma explosão de novas normas urbanísticas, tema exaustivamente tratado por este Blog. Todas aumentaram as áreas e o número de andares que podem ser construídos, em vários bairros e regiões. Todas. A consequência não é imediata. Aparecerá primeiro na Zona Oeste – Barra da Tijuca, Jacarepaguá, Vargem Grande – e na Zona Portuária, função dos eventos internacionais a caminho. O resto, nos próximos anos ou décadas. Urbanistas e sociólogos farão críticas ou elogios sobre o boom imobiliário do século XXI mais adiante, talvez daqui a meio século. Foi assim com Brasília e com a citada Barra da Tijuca.



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ARTIGOS: CRESCER PARA DENTRO, por Sérgio F. Magalhães e RIO EM ÉPOCA DE ELEIÇÕES, por Luiz Fernando Janot




Em 25/9/2012, foi publicado neste espaço o texto A CIDADE CRESCE PARA… GUARATIBA, relato sobre a expansão urbana do Rio de Janeiro a partir da década de 1970 em direção à Zona Oeste, pela Barra da Tijuca. A análise fez analogia com as prováveis consequências de leis urbanísticas incentivadoras da ocupação do solo – via aumento do potencial construtivo dos terrenos -, somadas à facilidade de acesso à região com a abertura do Túnel da Grota Funda, que estão a caminho. 

Na sequência, hoje o Urbe CaRioca reproduz artigos dos importantes arquitetos, urbanistas e professores Sérgio Ferraz Magalhães e Luiz Fernando Janot, publicados originalmente no jornal O Globo de 08/09/2012 e em 15/9/2012, respectivamente.


Entre outros ensinamentos, o primeiro, também divulgado no Blog Cidade Inteira – cidadeinteira.blogspot.com.br – nos diz que “É ilusório achar que se constrói o futuro quando simultaneamente se permite a perda de densidade demográfica nas cidades.

Na visão acurada do autor, o segundo artigo nos demonstra a importância de inúmeros aspectos da vida cotidiana da cidade que precisam ser corrigidos e cuidados coordenada e permanentemente, para que a urbanidade seja alcançada, e o Rio se torne humano e acolhedor.

Boa leitura!
CRESCER PARA DENTRO
Sérgio Ferraz Magalhães
A formação clássica da família,‘casal com filhos’, deixou de ser maioria no Brasil, segundo o IBGE. Hoje, outros tipos de família formam a maioria. São famílias pequenas: casais sem filhos, um genitor e filhos, ou unipessoais.
Qual a influência dessa nova constituição familiar em nossas cidades?
blog espaçoeducar-liza


Na década de 1930, Frank Lloyd Wright, notável arquiteto americano (autor do projeto do Museu Guggenheim, em Nova York), que considerava a vida gregária como escravizadora, concebeu um modelo de cidade onde cada família teria um grande lote, quase meio hectare, para “a formação de uma nação de homens livres e independentes”. Tal “urbanismo naturalista” estimulou o subúrbio norte-americano, de baixa densidade, homogêneo e monofuncional, moldado pelo automóvel – de fato, a anti-cidade. O modelo teve larga repercussão, e também é matriz do hoje conhecido condomínio fechado.

Mas, neste século 21, as cidades se consolidam como lugar do desenvolvimento, do conhecimento e da inovação. A mudança na constituição familiar reflete os avanços sociais, sanitários, culturais, políticos e econômicos que têm a cidade como fonte. Para a nova família, a conexão com os equipamentos e serviços urbanos precisa estar à disposição com maior presteza e intensidade do que se fazia necessário quando a família era extensa. A casa será menor, mas mais equipada, mais bem inserida no contexto urbano. Moradia e cidade formam um só corpo.

Em simultâneo, embora os sistemas eletrônicos absorvam grande parte da comunicação interpessoal, paradoxalmente, o deslocamento físico sofreu grande impulso. A mobilidade tem aumentado no tempo e em proporção ao tamanho das cidades. São mais oportunidades de convívio, mais interesses dispersos, que produzem uma interação mais rica –e que exigem mais deslocamentos. Não apenas casa-trabalho, mas em múltiplas direções; não em linha, mas em rede –tal como nas comunicações eletrônicas. Isto é, um tecido urbano mais complexo.

sapo.pt

Com a família menor, a cidade com diversidade urbanística e arquitetônica é ainda mais desejável. A família pequena precisa do apoio das disponibilidades coletivas, para ela torna-se essencial uma cidade bem mantida, bem conservada. Uma cidade mais densa, um espaço público com vitalidade.

A cidade extensa, com território infinito, não se sustenta nesse novo panorama. É ilusório achar que se constrói o futuro quando simultaneamente se permite a perda de densidade demográfica nas cidades. Não se conseguirá dotar esse futuro com os requisitos da sua contemporaneidade. Novos bairros, grandes conjuntos, grandes condomínios, homogêneos socialmente e monofuncionais como os subúrbios de Wright, mesmo que verticalizados, se isolados da cidade, já nascem obsoletos.
Como afirma Renzo Piano, grande arquiteto italiano (co-autor do projeto do Centro Pompidou, em Paris): “Uma cidade não acontece construindo mais e mais na periferia. Se você tiver de crescer, cresça dentro.”
A família contemporânea, pequena, deseja ainda mais cidade.

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RIO EM ÉPOCA DE ELEIÇÕES

Luiz Fernando Janot

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