Morro da Viúva: a história escondida entre os prédios da Zona Sul

Escondido entre os bairros do Flamengo e de Botafogo, quase apagado pela verticalização que transformou a paisagem da Zona Sul carioca, o Morro da Viúva guarda uma história muito maior do que sua discreta presença sugere. Atrás de uma cortina de edifícios, a colina preserva fragmentos da memória do Rio de Janeiro que atravessam séculos, reunindo vestígios da ocupação colonial, estruturas do período imperial, antigas instalações militares e curiosas narrativas que ajudam a compreender a formação da cidade. Mais do que um acidente geográfico cercado pelo crescimento urbano, o Morro da Viúva funciona como um verdadeiro arquivo a céu aberto. Entre reservatórios históricos, lendas, palacetes desaparecidos e panoramas que já foram considerados estratégicos para a defesa da Baía de Guanabara, o local revela como diferentes épocas deixaram suas marcas sobre o mesmo território. Conhecer sua trajetória é revisitar capítulos pouco(Leia mais)

Botafogo: a rua que não há

Uma área pública em Botafogo voltou ao centro das atenções neste fim de semana e reacendeu o debate sobre o seu destino. O terreno pertencente à Rio Trilhos, alvo de diferentes propostas de ocupação nos últimos anos, motivou uma manifestação de moradores que defendem uma solução definitiva para o espaço, considerado estratégico para o bairro. Atualmente utilizado como estacionamento e depósito de viaturas policiais fora de operação, o local tornou-se símbolo de uma discussão que envolve segurança pública, mobilidade urbana e o aproveitamento de uma área que, para muitos moradores, permanece subutilizada há décadas. Ironicamente, a utilização da área pelo 2º Batalhão da Polícia Militar ocorreu devido à venda do terreno Próprio Estadual onde a instituição funcionava, na Rua São Clemente, para o mercado imobiliário. Atualmente existe no local um conjunto de prédios residenciais. Este site defendeu a manutenção do(Leia mais)

Leilão mantido, conflito ampliado: o caso Sendas entra em nova fase no Rio

A disputa em torno do imóvel da Rua Barão de Itambi, em Botafogo, ganha agora um novo capítulo — e ele não é apenas jurídico, mas também político. Após a investida inicial da Prefeitura, marcada por questionamentos sobre finalidade pública e eventuais direcionamentos, a decisão da Justiça de manter o leilão recoloca o caso no centro de um embate maior: o limite entre o poder de desapropriar do Estado e a segurança jurídica de agentes privados em uma cidade cada vez mais tensionada por interesses concorrentes. Mais do que um conflito pontual entre o poder público e o Grupo Sendas, o episódio revela uma engrenagem mais complexa, onde decisões administrativas, projetos estratégicos e suspeitas de favorecimento se entrelaçam. A manutenção do leilão, ainda que sob o argumento da presunção de legalidade dos atos do Executivo, não encerra a controvérsia —(Leia mais)

A investida do novo prefeito e a resposta a caminho

A disputa em torno do imóvel do Grupo Sendas, em Botafogo, entrou em uma nova fase — e mais uma vez revela como decisões administrativas podem rapidamente se transformar em batalhas jurídicas e políticas. A Prefeitura do Rio, agora sob nova condução, decidiu avançar com um novo decreto de desapropriação após a Justiça ter suspendido a tentativa anterior por falta de comprovação de interesse público. A estratégia foi clara: corrigir formalmente as falhas apontadas e reabrir o caminho para o leilão do imóvel, com a justificativa de viabilizar a instalação de um centro de inteligência artificial ligado à Fundação Getulio Vargas (FGV) . O movimento, porém, está longe de encerrar a controvérsia. Se por um lado o Executivo tenta reconstruir juridicamente sua posição, por outro surgem resistências cada vez mais organizadas. O vereador Pedro Duarte assumiu protagonismo ao anunciar uma(Leia mais)

Justiça barra desapropriação de imóvel do Grupo Sendas em Botafogo

A disputa em torno do uso de um dos imóveis mais estratégicos de Botafogo, na Zona Sul do Rio de Janeiro, ganhou um novo capítulo e escancarou o embate entre poder público e iniciativa privada. No centro da controvérsia está a tentativa da Prefeitura de transformar o espaço em um polo de inovação, frente à resistência dos atuais proprietários, que alegam prejuízos e questionam a legalidade da medida. A decisão da Justiça, que suspendeu o decreto de desapropriação e interrompeu o leilão do prédio na Rua Barão de Itambi, em Botafogo, na Zona Sul, não apenas freia um projeto ambicioso ligado à Fundação Getulio Vargas, como também reacende um debate estrutural — e cada vez mais sensível — sobre os limites da intervenção estatal em áreas urbanas consolidadas. Não por acaso, no mesmo momento em que o caso ganha repercussão,(Leia mais)

Abaixo-assinado contesta desapropriação de imóvel do Grupo Sendas, em Botafogo

A disputa em torno da desapropriação de um imóvel em Botafogo ganhou novos contornos de pressão política e mobilização popular. Um abaixo-assinado contra o decreto da Prefeitura do Rio de Janeiro que declarou o prédio de utilidade pública já ultrapassou a marca de 3 mil assinaturas em cerca de dois meses. A iniciativa questiona a decisão de desapropriar o imóvel localizado na Rua Barão de Itambí, onde funcionava uma unidade do Grupo Pão de Açúcar, atualmente pertencente ao Grupo Sendas. O decreto municipal foi editado após manifestação da Fundação Getulio Vargas, que pretende instalar no local um centro de tecnologia e pesquisa. A medida, porém, abriu uma frente de controvérsia envolvendo moradores, o setor privado e representantes políticos, que contestam o uso do instrumento de desapropriação em um imóvel que, segundo os proprietários, não estaria abandonado nem subutilizado. A discussão(Leia mais)

Mais um capítulo do caso FGV

Mais do que ser ato questionável, o decreto do Executivo parece eivado de erros – em “juridiquês” – como explicado em detalhes no artigo “Prefeitura pede tempo e confirma a fragilidade da desapropriação que beneficia a FGV”, de Antônio Sá, ex-fiscal de rendas do Município do Rio de Janeiro, reproduzido aqui no último dia 4 de fevereiro. Este espaço urbano-carioca entende que se a FGV deseja o imóvel, deve fazer uma bela oferta e adquiri-lo como qualquer pessoa mortal pagadora de impostos, seja física ou jurídica, e não em triangulação de caráter autoritário às custas do contribuinte. Urbe CaRioca Vereador move ação para tentar barrar desapropriação de imóvel do Grupo Sendas em Botafogo Pedro Duarte questiona decreto da prefeitura e recorre ao Ministério Público alegando falta de critérios técnicos e possível desvio de finalidade Por Victor Serra – Diário do(Leia mais)

Prefeitura pede tempo e confirma a fragilidade da desapropriação que beneficia a FGV

Neste artigo, Antônio Sá, fiscal de Rendas aposentado do Município do Rio de Janeiro e ex-subsecretário de Assuntos Legislativos e Parlamentares do Município do Rio, destaca que os fatos, mais uma vez, insistem em desmentir o discurso oficial. As duas movimentações processuais mais recentes no processo que contesta o Decreto Municipal nº 57.362/2025 – que declara de utilidade e de interesse públicos, para fins de desapropriação, o imóvel situado à Rua Barão de Itambi, nº 50, Botafogo, – escancaram um cenário difícil de ignorar: um decreto de desapropriação assinado sem estudos técnicos consolidados, impactos relevantes sobre terceiros ignorados na origem e uma Administração que agora corre atrás das próprias justificativas. Quando o Poder Público pede tempo para explicar o que já decidiu, o problema deixa de ser formal e passa a ser estrutural. Urbe CaRioca Decreto sem estudo, defesa sem(Leia mais)

Desapropriação em Botafogo: interesse coletivo ou conveniência institucional?, de Antônio de Sá

A desapropriação de um imóvel em Botafogo, decretada recentemente pela Prefeitura do Rio de Janeiro sob justificativa de “renovação urbana”, tem gerado intensos debates sobre seus reais objetivos e impactos. A medida, que atinge um prédio onde funcionavam um supermercado e uma academia, foi atribuída a um pedido da Fundação Getulio Vargas (FGV), levantando questionamentos se se trata de um interesse público legítimo ou de uma conveniência institucional com benefícios localizados mais para uma entidade específica do que para a coletividade. Como destaca Antônio Sá, fiscal de Rendas aposentado do Município do Rio de Janeiro e ex-subsecretário de Assuntos Legislativos e Parlamentares do Município do Rio, no meio dessa polêmica, a FGV se adiantou ao apresentar um projeto arquitetônico completo para transformar o terreno em um centro tecnológico e de pesquisa — o chamado Centro FGV Tecnologia e Futuro —(Leia mais)

Uma crônica anglo-brasileira, de João Carlos Pacheco

  O texto impecável do engenheiro e cronista João Carlos Pacheco provoca, nas entrelinhas, a pergunta que todo amante do idioma português faria. Se nosso idioma é belo, rico e soa bem, por que as propagandas do mercado imobiliário insistem em usar o inglês à exaustão? A possível ideia de aplicar um verniz de nobreza e alta categoria aos produtos resulta no avesso. Sugere que a falta de qualidades desejáveis – espaços amplos e confortáveis, boas ventilação e iluminação – precisa ser coberta de algum finesse, falso ou verdadeiro, não importa. Curiosamente, fosse nos United States of America, os marqueteiros bilíngues jamais apresentariam tais conjuntos como projects especiais. Lá, entre os termos usados para conjuntos de edificações, a expressão Housing Project é frequentemente usada para projetos de habitação social ou de grande escala. Sem glamour. Divirtam-se. Ou, melhor, have fun!(Leia mais)