Cleia, uma professora carioca!

CrôniCaRioca de Cleia Schiavo Weyrauch
Dia do Mestre, 2020

Na Semana dos Professores o depoimento emocionante da socióloga e professora Cleia Schiavo Weyrauch, que já brindou este espaço com belas crônicas e memórias sobre o Rio de Janeiro.

Urbe CaRioca

Cleia, uma professora carioca!

Nos arranjos que a vida faz sem que deles tenhamos consciência prévia, quantas vezes nos perguntamos: COMO VIM PARAR AQUI? Que peça o destino me pregou para me arrastar até esse lugar? Leia mais

Quando eu era criança, pandemia não havia – 2020

CrôniCaRioca

À Maria Estela, a todas as crianças que nasceram no Rio de Janeiro neste ano de 2020 tão diferente, e a todos os cariocas pequenos que nos engrandecerão um dia.

Quando eu era criança, pandemia não havia. A bem dizer, assim se cria. Quando muito, endemia. Tempos antes, a influenza levou muitos, Deus os benza. Espanhola, o apelido, devagar, sem alarido, o meu Rio invadia, todo o Mundo já sofria. Leia mais

Pais Cariocas, 2020 – Meu pai

CrôniCaRioca

Querido Paizinho,

Se você estivesse aqui, imagino o que estaria fazendo durante cinco meses sem sair de casa. Pois, com 105 anos, na quarta ou quinta idade, em meio a uma pandemia que se arrasta, restaria ficar no apartamento da Tamandaré, aquele das muitas festas, aniversários, Natais e alegrias. Por certo aí no Céu dos Pais não existem coronavírus, doenças, medo, saudade… Por certo só um tipo de Paz que por aqui não há, parece. Quem sabe haverá, neste planeta, serenidade celestial para aqueles que desenvolveram a espiritualidade ao máximo, de alcance inimaginável para a filha saudosa de tantas coisas boas. Leia mais

Um gambá na quarentena

CrôniCaRioca, de Andréa A. G. R.

Dia 3 – A notícia

Telefona o porteiro. Calma e educadamente diz:

_Temos um probleminha aqui, quero falar com a senhora.

Durante a fração de segundo que se passa entre essa e a notícia que virá, um turbilhão de pensamentos. Vazamento no apartamento do vizinho, quebra-quebra, bombeiros e pedreiros mascarados, litros de álcool-gel, meu banheiro e o da vizinha destruídos… Será na cozinha? Vou fugir para a sala… A voz pausada me acorda do devaneio. Leia mais

Diário da Quarentena – maio/2020 semana IV, de Celso Rayol

Em continuidade ao artigo “A arquitetura está presente”, de Celso Rayol, presidente da Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura do Rio de Janeiro (AsBEA-RJ), ilustrado com charges do arquiteto que, de maneira singular, aborda aspectos curiosos relacionados a esses dias de confinamento, publicamos, conforme anunciado, as artes criadas ao longo da semana.

Abaixo, a especial seleção das charges de Rayol para levar sorrisos aos amigos leitores nestes tempos atípicos. Leia mais

Musiquinha infantil para espantar o coronavírus, by Reclamilda

Queridos amigos,

Eu, Reclamilda, todos sabem, não reclamo. Apenas penso, discuto com minhas melhores amigas Elogilda a Ana Lisa. Palpiteiras conscientes que somos, palpitamos juntas sobre o que entendemos ser melhor para a nossa cidade depois de muita conversa civilizada.

Em tempos tão estranhos nesta urbe carioca e no mundo, quando surge um bichinho malvado sem freios ou limites que nos obriga a ficar em isolamento, obedientes ao que mandam médicos e gestores públicos continuamos a nos encontrar graças à magia da internet: reclusas porém unidas pela saúde nossa e de todos! Somos idosas! Leia mais

QUANDO EU ERA CRIANÇA, 2019 – O BECO DA TAMANDARÉ

CrôniCaRioca

Beco (Dicionário Houaiss) – subst. masculino – 1 rua estreita e curta, por vezes sem saída; ruela – 2 Regionalismo: Ceará. m.q. esquina

Chamávamos o lugar de Beco. Ruas nem tão estreitas nem tão curtas aos olhos de uma menina pequena, saídas havia. Quatro entradas, portanto, quatro saídas. Beco, ainda que diferente.

Nos anos 1950 e 1970, Zona Sul da Cidade Maravilhosa, a relação dos moradores com as ruas, por certo menos intensa do que na Zona Norte, ainda era rica. O espaço formado pelas vias internas do conjunto de três edifícios, que ainda existe no bairro do Flamengo, era meu e de todos. Quanto aos prédios, um tinha frente para a Rua Almirante Tamandaré e outro para a Rua Machado de Assis. O terceiro era voltado à Praia do Flamengo. Neste morei ao nascer, em apartamento térreo bem pertinho da vida citadina: são os  Edifícios Nobre, Anchieta e Barth construídos pela Companhia Construtora Nacional em 1940 – a mesma que ergueu os hotéis Copacabana Palace, Glória e o Edifício A Noite. Ladeiam e delimitam as vias internas, então abertas para quem quisesse passar, cortar caminho, ou apenas conhecê-las. Carros entravam para estacionar ou ter acesso às garagens, em subsolo, iluminadas pela luz que passava através de tijolos de vidro no teto, o piso do pátio interno comum – ou área de iluminação e ventilação, ‘prisma’ para os acostumados aos Código de Obras. Leia mais