“O caos no transporte urbano !”, por Luiz Antonio Cosenza e Miguel Bahury

Neste artigo, publicado originalmente no Jornal do Brasil,  Luiz Antonio Cosenza, Presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro (CREA-RJ) e Miguel Bahury, Conselheiro do CREA-RJ, ex-Secretário Municipal de Transportes, ex-Presidente do Metrô e da CET-RIO, destacam a situação caótica na qual chegou o transporte público no Rio de Janeiro, marcada pela” falta de planejamento, a desorganização tarifária, a ausência de controle e de fiscalização”. Vale a pena a leitura.[...] Leia mais

MOBILIDADE URBANA – PMUS: OUTRO PLANO SUSTENTÁVEL

www.mobilize.org.br


A Prefeitura do Rio lançou o segundo Desafio Ágora, sobre Mobilidade Urbana. Abaixo, explicação sobre o que é o Plano de Mobilidade Urbana Sustentável conforme site da Prefeitura.

    O que é o PMUS?

O Plano de Mobilidade Urbana Sustentável, desenvolvido pela Prefeitura do Rio por meio da Secretaria Municipal de Transportes (SMTR), vai orientar os investimentos públicos em infraestruturas de transportes da cidade por dez anos, a partir de 2016. O PMUS deverá integrar modais motorizados e não motorizados em um sistema coeso e sustentável, priorizando o transporte público, o deslocamento a pé e por bicicleta e considerando emissões de gases do efeito estufa.
O trabalho utiliza os dados do Plano Diretor de Transporte Urbano da Região Metropolitana (PDTU-2013), com foco na cidade do Rio de Janeiro. Ao final de dez meses, será elaborado um documento com as principais conclusões e propostas do estudo para os cenários de 2021 e 2026 (com diferentes graus de investimento). Todas as medidas estarão em acordo com as recomendações do Plano Diretor da Cidade do Rio de Janeiro (Lei Complementar 111/11), da Política Municipal de Mudanças Climáticas (Lei 5.248/11) e da Política Nacional de Mobilidade Urbana (Lei 12.587/12).


Considerando o engodo em que se constituiu o primeiro ‘desafio’ com seu estranho processo de votação – do que têm conhecimento todos os que acompanharam os posts deste blog de outubro a dezembro, culminando com a falácia do alcaide exposta em vídeo e desmontada ponto por ponto em MARAPENDI E ÁGORA – O ESPERADO, A VERSÃO OFICIAL, O ENGODO, E A VERDADE, o Urbe CaRioca não enviou ‘ideias’ para a Prefeitura.

Infelizmente a elaboração de um Plano de Mobilidade Urbana surge só após a tomada de decisões do Governo Estadual em relação ao Metrô (descartada a conclusão da Linha 2 e a construção da verdadeira Linha 4, gambiarras criadas com a união das Linhas 1 e 2, mudanças na estação General Osório, projeto para um VLT fantástico na Zona Portuária e Centro em vez de Metrô – embora cavada para a instalação de túneis -, ausência da Linha 6 ou mesmo previsão para sua construção) sob o olhar complacente do Governo Municipal.

Este, por sua vez, ainda fez a opção generalizada pelos BRT, solução “mais rápida e mais barata” que, até aqui, tem apresentado problemas e não atende à demanda. E, é claro, não se pode esquecer o caso do famigerado Campo de Golfe que, entre tantos prejuízos causados ao Rio, eliminou a possibilidade de se concluir uma importante avenida do sistema viário a Barra da Tijuca!

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Artigo – A QUE SERVE O BRT?, de Ex-Blog





A análise abaixo foi publicada originalmente na Newsletter Ex-Blog  de 17/12/2014.


O tema Mobilidade Urbana tem estado presente há tempos em discussões de especialistas, seminários, nas páginas da mídia impressa e virtual, mas, principalmente, ao vivo, todos os dias e todas as horas na Cidade do Rio de Janeiro, problema sentido pela população indistintamente, seja na que usa o transporte público – ônibus, trens, Metrô – ou na que se locomove de carro – particular, táxis, vans – com evidente desvantagem para o primeiro grupo.

No artigo, considerações sobre a opção adotada recentemente na urbe carioca, que descartou, por exemplo, a Linha 6 Metrô, conforme projetos antigos para esse modal.

Boa leitura.

Urbe CaRioca

A QUE SERVE O BRT?


Ex- Blog do Cesar Maia

          
1. O governo federal tem priorizado e se associado aos investimentos de prefeituras nos BRTs – ônibus articulados correndo em canaletas/corredor. Belo Horizonte, Recife e Rio são exemplos. É um projeto polêmico, pois as estações não têm conexão com outras linhas, como ocorre no “ligeirinho” de Curitiba. São corredores lineares, sem conexão que atravessam bairros.
          
2. A travessia dos bairros divide os mesmos ao meio, repetindo os problemas históricos dos trens suburbanos no Rio de Janeiro. Isso afeta o comércio, desintegra as relações de vicindade e gera riscos de acidentes nas travessias. No Rio já são contados às dezenas estes acidentes, com outros veículos e com pessoas.
          
3. Além disso, o corte das linhas de ônibus interbairros para garantir um alto IPK (índice de passageiros por km) e a ausência de integração para grande parte dos bairros gera um custo adicional para a conexão. E o tempo economizado durante o transporte linear é superado, em muito, pelas necessidades de conexões. Agregue-se os problemas que acarretam para os que vivem na periferia dos bairros, seja pela necessidade de conexão, seja pelo deslocamento a pé.
          
4. O projeto do BRT foi apresentado pela Federação de Transportes do Rio há mais de dez anos, no boletim semanal ou quinzenal que divulgava como publicidade nos jornais. O projeto, na época, não caminhou porque as empresas não deram solução para as conexões e para o acesso dos passageiros que moram afastados do corredor do BRT. O custo para as pessoas aumentava, assim como o tempo de deslocamento quando exigida conexão.
          
5. A questão que envolve essa decisão das empresas de ônibus leva em conta a insustentabilidade de um sistema que, só no Rio-capital, funciona com 9 mil ônibus. Os conflitos com os usuários, os problemas de trânsito, o transporte público como foco da imprensa e reclamação das pessoas, as pressões dos políticos, as convergências/divergência, com os três poderes…, levaram consultores das empresas de ônibus a projetar uma curva negativa crítica já em médio prazo.
         
6. Dessa forma, a proposta foi reduzir drasticamente o número de ônibus em circulação, minimizando as tradicionais relações políticas e aliviando as pressões sociais. Para isso, havia dois caminhos: o sistema se associar ao transporte sobre trilhos, ou criar um novo sistema em base às experiências de outras cidades. Dada a impossibilidade de associação ao Metrô/Trens pelos os investimentos requeridos e o funcionamento sob regime de concessão, adaptou-se a visão de Lerner. que chamou de Metrô Sobre Rodas.
          
7. Mas essa adaptação ocorreu com simplificação drástica e redução de investimentos. Daí saiu o BRT – um corredor linear desconectado. Com a redução do número de linhas de ônibus, o IPK cresceu imediatamente e assim o retorno do investimento. Na medida em que o sistema BRT é de controle eletrônico facilitado, as desconfianças sobre sonegação de informações e -por isso- também de tributos, simultaneamente, reduz a dependência anterior das empresas de ônibus aos políticos e aos poderes.
         

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