O MÊS NO URBE CARIOCA – FEVEREIRO 2014

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Caros leitores, Fevereiro foi mês recordista no Blog, principalmente devido à repercussão de novos posts sobre o caso do Campo de Golfe e da sensacional apresentação do grupo =&0=&, um exemplo a ser seguido no Rio de Janeiro em tempos de desmandos urbanísticos recorrentes. Para quem não pode ler os posts, abaixo todos reunidos com os links respectivos. Com muitos assuntos ainda na pauta, vale também reler alguns. Teve boa receptividade o nosso artigo publicado no Jornal O Globo – INTERESSE PRIVADO -, cujo título original era QUE A JUSTIÇA ENTRE EM CAMPO. A opção do jornal, embora interessante sob determinado ângulo, deixou de ressaltar nossa intenção de apontar que, ao que tudo indica, só a intervenção do Poder Judiciário poderá impedir a mutilação da Área de Proteção Ambiental – APA Marapendi e o resgate da Avenida Prefeito Dulcídio Cardoso. Com o título do artigo com a opinião do jornal – BOM PARA A CIDADE – é evidente que não podemos concordar. Definitivamente bom para a cidade esse campo de golfe não é.  =&4=& =&5=& =&5=&
Foto: Nelson Veiga / Globoesporte.com
=&5=& SENHOR PREFEITO, CADÊ AS VIGAS?=&9=& NOVO DEBATE SOBRE O PEU VARGENS=&9=& CAMPO DE GOLFE E APA MARAPENDI, DUAS OPINIÕES: do O GLOBO e de ANDRÉA REDONDO=&9=& SEMANA 17/02/2014 a 21/02/2014 – GUARATIBA, MÊS DE JANEIRO, GOLFE X PLANO DIRETOR, E EMPATANDO TUA VISTA=&9=& =&16=&

Artigo – EMPATANDO TUA VISTA: HUMOR E IRREVERÊNCIA PARA CRITICAR A VERTICALIZAÇÃO EXCESSIVA NAS CIDADES, de Edinéa Alcântara

Edinéa Alcântara é doutora em desenvolvimento urbano, pesquisadora do Laboratório de Estudos Peri-urbanos da UFPE, membro do grupo Direitos Urbanos, e uma das fundadoras da Troça Empatando tua Vista. O grupo fantasiado de edifícios altos misturou-se a blocos carnavalescos e, literalmente, “empatava a vista” de foliões, de construções antigas… da paisagem urbana na capital pernambucana. O texto UMA IRREVERÊNCIA CRIATIVA URBANO-RECIFENSE, publicado em meio à folia neste blog, teve número de visualizações recorde em curto espaço de tempo. =&1=&

UMA IRREVERÊNCIA CRIATIVA URBANO-RECIFENSE

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Edifícios altos que brotam a todo instante, muitas vezes inadequados, não são prerrogativa do Rio de Janeiro. Há quase um ano o Jornal O Globo publicou uma série de reportagens sobre a verticalização das construções nas grandes capitais brasileiras.



Belém
Foto: Pedro Kirilos O Globo 20/04/2013 
As transformações físicas significativas no perfil urbano daquelas cidades, na forma de torres gigantescas criadas e vendidas com apelo à modernidade e ao conforto, contrastam com a falta de infraestrutura geral para todos – inclusive os moradores dos prédios novos -, um infeliz lugar comum.

Foram exemplos Belém, Aracaju, Fortaleza, São Luís… Segundo a matéria jornalística de abril/2013 em Belém grandes torres convivem com coleta precária de lixo e ruas sem esgoto, calçadas ou placas de identificação.


Através de Sonia Rabello em artigo de 2010 conhecemos problemas ocorridos no Panamá com a densificaçao da capital exacerbada pela implantação de muitas torres com 50 andares.

De João Pessoa/Filipeia, o carioca Ailton – que  mudou-se para lá,  lançou seu olhar sobre a bela cidadee já veio matar saudade e passear na urbe carioca -, nos contou que na capital da Paraíba as leis urbanísticas protegem ao menos a lindíssima orla marítima dos espigões. Esses só podem ser plantados a dezenas de metros de distância das águas. Na beirada, altura máxima das construções é de 12,50m.


Recife parece um paliteiro. Várias outras cidades do nordeste, também.






Nesta semana pré-carnavalesca aconteceu em Recife um desfile de foliões animadíssimos que merecem muitos aplausos! O nome do grupo é Troça Carnavalesca Mista Público-Privada Empatando Tua Vista, conforme explicam os autores, “um ato político-folião crítico à verticalização excessiva, que negligencia o planejamento, a história do lugar, privatiza o descortinar da paisagem e a vista das frentes d’águas e dos monumentos”.

Sensacional!

Além de ser o nome uma graça, com base na ideia de Claudio Tavares de Mello o grupo confeccionou uma alegoria especialíssima: ao longo das ruas desfila um conjunto de “prédios altos” de pano que ‘empatam a vista’ de todo mundo, até de quem está no meio da brincadeira do Troça Carnavalesca, também chamado carinhosamente de TÁ EDIFÍCIO.

Os “edifícios” acompanham vários os blocos e mostram sua bandeira: “lutar por um Recife para as pessoas, com mais vida nas ruas, com mais espaço para todo mundo e que todos tenham direito à vista”, nas palavras de Edinea Alcântara. Têm feito o maior sucesso! Brincam de obstruir a vista de prédios históricos e bloquear a paisagem. A todo o momento se ouve “Deixa eu passar, seu predinho!”.





Esse foi o modo criativo e irreverente que recifenses preocupados com o futuro da cidade encontraram para criticar “o modelo de arquitetura que altera completamente a paisagem e empata a vista dos nossos monumentos, das nossas praias, das nossas águas”, diz ainda Edinéa.







Aqui no Rio de Janeiro do “Tudo pra Olimpíada”, estão previstos muitos espigões para a Zona Portuária, e a Área de Proteção Ambiental de Marapendi foi cortada para garantir a construção de um Campo de Golfe e de prédios mais altos voltados para ele!


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