A batalha perdida pela Torre Eiffel da Rua do Ouvidor

Registro sobre uma das joias arquitetônicas entre muitas que o Rio de Janeiro teve e que, por diferentes circunstâncias, deixou desaparecer. A história da Torre Eiffel da Rua do Ouvidor é também a história de uma cidade que, diante da possibilidade de preservar um de seus mais expressivos símbolos urbanos, não conseguiu — ou não quis — fazê-lo. O edifício que durante décadas marcou a paisagem, o comércio e a memória afetiva do centro carioca foi demolido em 1967, apesar dos alertas de Rubem Braga, da mobilização de órgãos de patrimônio e da atuação de nomes como Lúcio Costa. O que aconteceu com a Torre Eiffel revela, assim, muito mais do que a perda de uma construção: expõe as fragilidades de uma política de preservação que, entre interesses imobiliários, disputas institucionais e hesitações administrativas, permitiu que uma parte insubstituível da(Leia mais)

Do luxo ao esquecimento: a incrível história da Perfumaria Carneiro, símbolo de um Rio que já não existe

Durante décadas, a Perfumaria Carneiro foi muito mais do que uma rede de lojas de perfumes no Rio de Janeiro. Nascida em 1923, quando a Rua do Ouvidor ainda concentrava boa parte do comércio elegante da cidade, a empresa acompanhou as transformações urbanas do século XX, levando para os bairros produtos de marcas internacionais como Guerlain, Chanel, Jean Patou e Coty. Da velha região central a Copacabana, Ipanema, Tijuca e Niterói, a expansão da Carneiro acabou por seguir o próprio movimento de crescimento da cidade. Por trás dos balcões de madeira e vidro, porém, havia uma história que misturava comércio, política, indústria e mudanças nos hábitos dos cariocas. A família Carneiro não apenas vendia perfumes e cosméticos importados: representava grandes marcas, atuava no atacado, fabricava seus próprios produtos e construiu uma rede que chegou a dez lojas. Ao mesmo tempo,(Leia mais)