O arquiteto Rodrigo Azevedo defende que a recuperação da Lapa exige uma estratégia que vá além do reforço policial, apostando na revitalização dos espaços públicos como caminho para aumentar a segurança e devolver vitalidade ao bairro. Sua proposta prevê uma “costura urbana” conectando pontos históricos por meio de áreas exclusivas para pedestres, novas praças, parques e espaços verdes, com o objetivo de estimular a circulação de moradores e turistas, fortalecer a economia local e transformar a Lapa novamente em um polo de convivência, cultura e desenvolvimento urbano.
Este blog destaca que a região é tomada por moradores de rua, viciados e assaltantes, o que não é privilégio da Lapa. Ali a degradação espacial e humana salta aos olhos, como no Centro em geral, Botafogo e Copacabana, por exemplo. Qualquer intervenção para melhorias urbanísticas requer resolver tais problemas, sem apenas transferir de lugar esses abandonados.
Urbe CaRioca
Projeto quer transformar a Lapa com ruas para pedestres e áreas verdes
Proposta do arquiteto Rodrigo Azevedo prevê ruas exclusivas para pedestres, novas praças, parques e áreas verdes para recuperar a vitalidade urbana da Lapa
Por Quintino Gomes Freire – Diário do Rio

O arquiteto Rodrigo Azevedo defende uma mudança de rumo na recuperação da Lapa, um dos bairros mais simbólicos do Rio de Janeiro. Para ele, a região precisa de mais do que reforço policial para enfrentar problemas como degradação, sujeira, abandono de espaços públicos e perda de movimento nas ruas.
Autor do projeto Praça Onze Maravilha e da reforma da Estação da Leopoldina, Azevedo propõe uma transformação urbana com mais áreas para pedestres, novas praças, parques e espaços verdes. A ideia é reduzir a prioridade dada aos carros e devolver vitalidade ao bairro por meio da ocupação dos espaços públicos.
“Não existe segurança pública duradoura sem cidade viva”, afirma Rodrigo Azevedo.
À frente da AAA_Azevedo Agência de Arquitetura, o arquiteto chama a proposta de uma espécie de “costura urbana”. O conceito prevê conectar pontos estratégicos da região, criando percursos mais agradáveis, seguros e contínuos para quem circula a pé.
Projeto conecta pontos históricos da Lapa
A proposta inclui ligações entre o Passeio Público, a Praça Paris, os Arcos da Lapa, a Escadaria Selarón, a Rua da Lapa, a Rua do Lavradio, a Rua do Senado, a Praça Tiradentes, a Avenida Chile e o Caminho de São Francisco.
O objetivo é estimular a circulação de moradores, trabalhadores, turistas e frequentadores, fortalecendo a economia local e a presença de pessoas nas ruas ao longo do dia e da noite.
Segundo Rodrigo Azevedo, medidas de segurança e fiscalização são importantes para lidar com problemas imediatos, mas não resolvem sozinhas as causas da degradação urbana. Para ele, a recuperação da Lapa passa por espaços públicos bem cuidados, calçadas convidativas e áreas de convivência.
“A Lapa precisa voltar a ser um lugar de encontro, pertencimento e polo econômico e cultural da cidade”, disse Rodrigo Azevedo.
Menos carros, mais permanência nas ruas
A proposta aposta em ruas exclusivas para pedestres e em áreas verdes como ferramentas para atrair novas atividades econômicas e culturais. A leitura do arquiteto é que bairros vivos dependem de gente circulando, permanecendo e usando os espaços públicos.
A Lapa já tem uma vocação natural para esse tipo de ocupação. O bairro reúne patrimônio histórico, vida noturna, equipamentos culturais, bares, restaurantes, casarões, escadarias e praças. O problema, segundo o projeto, é que parte desse potencial se perdeu com o abandono de áreas públicas e a falta de integração entre os principais pontos da região.
Para Azevedo, o futuro do bairro depende menos de vias voltadas aos carros e mais de uma cidade feita para caminhar. A proposta busca transformar a Lapa em um território mais acessível, arborizado e convidativo, com espaços capazes de atrair moradores, visitantes e novos negócios.
As informações são de Ancelmo Gois/O Globo.
