Botafogo: a rua que não há

Uma área pública em Botafogo voltou ao centro das atenções neste fim de semana e reacendeu o debate sobre o seu destino. O terreno pertencente à Rio Trilhos, alvo de diferentes propostas de ocupação nos últimos anos, motivou uma manifestação de moradores que defendem uma solução definitiva para o espaço, considerado estratégico para o bairro. Atualmente utilizado como estacionamento e depósito de viaturas policiais fora de operação, o local tornou-se símbolo de uma discussão que envolve segurança pública, mobilidade urbana e o aproveitamento de uma área que, para muitos moradores, permanece subutilizada há décadas. Ironicamente, a utilização da área pelo 2º Batalhão da Polícia Militar ocorreu devido à venda do terreno Próprio Estadual onde a instituição funcionava, na Rua São Clemente, para o mercado imobiliário. Atualmente existe no local um conjunto de prédios residenciais. Este site defendeu a manutenção do(Leia mais)

Lume: mais um erro da política urbana no Rio de Janeiro

A derrubada de dezenas de árvores no Buraco do Lume para dar lugar a mais uma torre residencial no Centro do Rio recoloca em evidência um dos principais dilemas urbanos da cidade: até que ponto projetos de revitalização podem avançar sobre áreas verdes consolidadas, incorporadas à paisagem urbana e utilizadas permanentemente pela população carioca em nome da expansão imobiliária. Embora o empreendimento esteja amparado por decisões judiciais e licenciamento da Prefeitura, a remoção de 58 árvores em uma das regiões mais densamente urbanizadas do Rio simboliza a perda gradual dos poucos espaços de respiro ambiental restantes no coração da capital fluminense. O episódio também expõe as contradições do próprio projeto de recuperação do Centro. Enquanto o programa Reviver Centro busca estimular moradia e ocupação urbana em uma região esvaziada, cresce a percepção de que interesses econômicos e pressão do mercado(Leia mais)

Sempre o Gabarito: a novela continua

Depois de liberada a construção de um espigão no Centro do Rio – na área livre conhecida como Buraco do Lume – o projeto para o Catumbi tira da sala parte do bode e o amarra na Avenida Presidente Vargas. A saga continua com leilões na Zona Portuária e na Pedra do Sal. A conta está cada vez mais salgada, o Rio à beira do Buraco. Abaixo, links para as reportagens publicadas pela grande mídia. Urbe CaRioca Praça Onze Maravilha: número de emendas a projeto travou votação na Câmara do Rio Nas negociações, a prefeitura concordou em rever o gabarito de 92 metros Por Luiz Ernesto Magalhães – O Globo Link original Depois de quase três semanas de negociações e adiamentos, a Câmara de Vereadores do Rio deve votar nesta quarta-feira a versão final do projeto Praça Onze Maravilha, que(Leia mais)

Rio sempre à venda: MPRJ tenta barrar leis que aceleram a descaracterização da cidade

Mais-valia e Mais-Valerá, não adianta Mais. Abaixo da notícia reproduzida do site Diário do Rio, links para vários de artigos publicados neste espaço urbano-carioca, apontando o quanto prejudiciais são essas leis que contrariam as leis. A pá-de-cal foi o programa Reviver Centro, também analisado aqui, demonstrada a explosão de construções em bairros da Zona Sul, extrapolando os gabaritos constituídos. Some-se a volta das quitinetes dos anos 1960/1970 à venda de praças, jardins e terrenos próprios municipais, e a benesses para hotéis, e completa-se o quadro de desfaçatez e desprezo dos governantes municipais – Executivo e Legislativo – pela Cidade do Rio de Janeiro. Urbe CaRioca MPRJ vai à Justiça contra leis da Mais-Valia e Mais-Valerá no Rio e aponta risco de ‘explosão’ urbanística Órgão afirma que normas flexibilizam regras previstas no Plano Diretor sem estudos técnicos adequados e participação popular(Leia mais)

Ex-jardim, ex-de Alah

Mais uma iniciativa no ex-Jardim de Alah em nome do combate à desigualdade social. De área pública de todos a área privada para poucos. De local livre onde a cidade respira, a mais tijolo e concreto sem ser necessário, enquanto Ipanema e Leblon prosseguem firmes transformando-se em bairros coalhados de assaltantes, pedintes, moradores de rua e camelôs. Urbe CaRioca Fogo de Chão fecha acordo para abrir restaurante no novo Jardim de Alah Por Rennan Setti – O Globo Link original A rede de churrascarias Fogo de Chão fechou contrato de locação para abrir um restaurante dentro do projeto do novo Jardim de Alah, em Ipanema, Zona Sul do Rio. Com abertura prevista para 2027, a unidade será a terceira da rede na cidade — depois de Botafogo e Barra da Tijuca — e a décima no país. “Expandir para Ipanema(Leia mais)

Mais uma benesse ao mercado imobiliário batizada de requalificação urbana.

A aprovação, em primeira discussão na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, do projeto que institui a AEIU Praça Onze Maravilha e prevê a demolição do Elevado 31 de Março, reacende um debate que está longe de ser novo — e que tampouco pode ser tratado como mera atualização urbanística. Sob a narrativa de “requalificação” e “revitalização”, a proposta retoma uma lógica já observada em intervenções anteriores na cidade, nas quais grandes transformações espaciais foram conduzidas com forte protagonismo do mercado imobiliário e participação social limitada. Como mostra a reportagem abaixo, publicada no portal EcoSerrano, o avanço do projeto sinaliza não apenas uma intervenção física relevante, mas a consolidação de um modelo de reordenamento urbano com impactos que ainda precisam ser devidamente dimensionados. A experiência do projeto Porto Maravilha, também estruturado a partir de uma Área de Especial Interesse Urbanístico(Leia mais)

Ônibus novos, modelo velho: Rio troca a pintura, mas mantém o mesmo padrão

Segundo notícia publicada no jornal O Globo, a chegada de 102 novos ônibus ao Rio de Janeiro — sendo 77 viabilizados por acordo judicial — é apresentada como “um avanço na modernização do transporte público”. De fato, há melhorias concretas: veículos zero quilômetro, com ar-condicionado, sistemas eletrônicos, monitoramento e padrões ambientais mais avançados, como o Euro VI, que reduz significativamente a emissão de poluentes. No entanto, este espaço urbano-carioca entende que a questão central não está apenas no fato de serem novos, mas no tipo de ônibus adotado, o que leva a uma dúvida relevante: esse padrão realmente mudou? Com base nas informações disponíveis, não há indicação de ruptura com o modelo tradicional. A matéria e os dados complementares destacam conforto, tecnologia embarcada e gestão, mas não mencionam alterações no conceito estrutural dos veículos. Isso sugere a continuidade do padrão(Leia mais)

Leilão mantido, conflito ampliado: o caso Sendas entra em nova fase no Rio

A disputa em torno do imóvel da Rua Barão de Itambi, em Botafogo, ganha agora um novo capítulo — e ele não é apenas jurídico, mas também político. Após a investida inicial da Prefeitura, marcada por questionamentos sobre finalidade pública e eventuais direcionamentos, a decisão da Justiça de manter o leilão recoloca o caso no centro de um embate maior: o limite entre o poder de desapropriar do Estado e a segurança jurídica de agentes privados em uma cidade cada vez mais tensionada por interesses concorrentes. Mais do que um conflito pontual entre o poder público e o Grupo Sendas, o episódio revela uma engrenagem mais complexa, onde decisões administrativas, projetos estratégicos e suspeitas de favorecimento se entrelaçam. A manutenção do leilão, ainda que sob o argumento da presunção de legalidade dos atos do Executivo, não encerra a controvérsia —(Leia mais)

A investida do novo prefeito e a resposta a caminho

A disputa em torno do imóvel do Grupo Sendas, em Botafogo, entrou em uma nova fase — e mais uma vez revela como decisões administrativas podem rapidamente se transformar em batalhas jurídicas e políticas. A Prefeitura do Rio, agora sob nova condução, decidiu avançar com um novo decreto de desapropriação após a Justiça ter suspendido a tentativa anterior por falta de comprovação de interesse público. A estratégia foi clara: corrigir formalmente as falhas apontadas e reabrir o caminho para o leilão do imóvel, com a justificativa de viabilizar a instalação de um centro de inteligência artificial ligado à Fundação Getulio Vargas (FGV) . O movimento, porém, está longe de encerrar a controvérsia. Se por um lado o Executivo tenta reconstruir juridicamente sua posição, por outro surgem resistências cada vez mais organizadas. O vereador Pedro Duarte assumiu protagonismo ao anunciar uma(Leia mais)

O “verde está à venda”  do Rio ganha o mundo e repercute em inglês

O debate sobre a política ambiental do Rio de Janeiro deixou de ser uma controvérsia local para se tornar uma questão de repercussão internacional, segundo o artigo de Antônio Sá,  fiscal de Rendas aposentado do Município do Rio de Janeiro e ex-Subsecretário de Assuntos Legislativos e Parlamentares do Município do Rio de Janeiro. A tradução e a divulgação, em inglês, de denúncias sobre a gestão municipal ampliam o alcance de críticas que antes circulavam majoritariamente no Brasil, projetando para o exterior questionamentos sobre decisões que afetam diretamente o patrimônio natural da Cidade. Nesse novo cenário, o autor destaca que a atuação do prefeito Eduardo Paes e da secretária Tainá de Paula passa a ser observada não apenas por eleitores locais, mas também por um público global atento às agendas ambientais. Esse movimento ganha ainda mais relevância porque ocorre em um(Leia mais)