Uma praça em Pequim, de Roberto Anderson

O olhar sobre uma cidade pode revelar muito mais do que sua arquitetura. Em seu texto, o arquiteto e urbanista Roberto Anderson, professor da PUC-Rio e especialista em urbanismo e patrimônio, parte de uma experiência cotidiana em Pequim para observar como uma das maiores metrópoles do mundo organiza seus espaços e, sobretudo, como seus habitantes deles se apropriam. Ao descrever uma praça aparentemente comum, cercada por grandes conjuntos residenciais, Anderson encontra uma dinâmica urbana que reúne diferentes gerações em atividades simples, mas essenciais à vida coletiva. A cena, observada em meio à escala monumental da capital chinesa, conduz a uma reflexão sobre o papel dos espaços públicos nas cidades contemporâneas e sobre aquilo que urbanistas de todo o mundo procuram construir: lugares capazes de estimular a convivência, o movimento e o sentimento de pertencimento. Urbe CaRioca Roberto Anderson: Uma praça(Leia mais)

MPRJ aponta “estranheza” e possível desvio de finalidade no caso Sendas

O caso do imóvel do Grupo Sendas, em Botafogo, está longe de chegar ao fim — e acaba de ganhar um novo capítulo que pode ampliar a pressão sobre a Prefeitura do Rio. Nesta terça-feira (21), o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) se manifestou contra o arquivamento de uma das ações que questionam a desapropriação, reacendendo uma disputa marcada por decisões judiciais e questionamentos sobre a legalidade da iniciativa. A medida pode abrir uma segunda frente judicial, enquanto o leilão permanece suspenso por decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ). O novo movimento ocorre depois que a 14ª Vara de Fazenda Pública extinguiu, em abril, uma das ações, sob o argumento de que ela teria perdido o “interesse procedimental” após o próprio Grupo Sendas recorrer à Justiça contra a desapropriação. O parecer do(Leia mais)

Na Gávea, correndo atrás

Nos últimos dias, as mídias divulgaram que o Ministério Público do Rio (MPRJ) ajuizou, no último dia 25 de junho, ação civil pública para suspender e anular a licença de obras para a construção de edifício no bairro da Gávea. Alega-se aspecto técnico não cumprido. O episódio que envolve, de novo, autorização para construir na Cidade do Rio de Janeiro, lembra a expressão popular “correr atrás do prejuízo” muito usada em terras cariocas para as iniciativas que visam reverter situações indesejadas. Há alguns anos um conhecido palestrante sobre eficiência nas empresas mencionou que as palavras da moda para consertar falhas são inadequadas; que o certo é “correr na frente”, antecipar os problemas e evitar o prejuízo. Cabe usar um jargão jurídico: não obstante os louváveis esforços do MPRJ, creio ser difícil lograr êxito. A licença foi concedida. Na ótica da(Leia mais)

O desafio de recuperar a Lapa além da segurança pública

O arquiteto Rodrigo Azevedo defende que a recuperação da Lapa exige uma estratégia que vá além do reforço policial, apostando na revitalização dos espaços públicos como caminho para aumentar a segurança e devolver vitalidade ao bairro. Sua proposta prevê uma “costura urbana” conectando pontos históricos por meio de áreas exclusivas para pedestres, novas praças, parques e espaços verdes, com o objetivo de estimular a circulação de moradores e turistas, fortalecer a economia local e transformar a Lapa novamente em um polo de convivência, cultura e desenvolvimento urbano. Este blog destaca que a região é tomada por moradores de rua, viciados e assaltantes, o que não é privilégio da Lapa. Ali a degradação espacial e humana salta aos olhos, como no Centro em geral, Botafogo e Copacabana, por exemplo. Qualquer intervenção para melhorias urbanísticas requer resolver tais problemas, sem apenas transferir(Leia mais)

Moradores protestam contra desapropriação de imóvel do Grupo Sendas em Botafogo

A desapropriação do imóvel que durante cerca de cinco décadas abrigou um supermercado em Botafogo deixou de ser apenas uma disputa administrativa para se transformar em um embate entre o poder público e parte da população local. Neste sábado (20), moradores voltaram às ruas para protestar contra a decisão da Prefeitura do Rio, alegando que a medida foi conduzida sem diálogo efetivo com a comunidade e desconsidera os impactos da retirada de um equipamento comercial considerado essencial para a rotina do bairro. Os manifestantes afirmam que a justificativa de interesse público apresentada pelo município não convence diante da perda de um serviço que atende milhares de moradores da Zona Sul. Além de questionarem a legalidade da desapropriação, eles acusam a Prefeitura de impor uma mudança na vocação histórica do terreno sem oferecer alternativas compatíveis com as necessidades da população. A(Leia mais)

Lume: mais um erro da política urbana no Rio de Janeiro

A derrubada de dezenas de árvores no Buraco do Lume para dar lugar a mais uma torre residencial no Centro do Rio recoloca em evidência um dos principais dilemas urbanos da cidade: até que ponto projetos de revitalização podem avançar sobre áreas verdes consolidadas, incorporadas à paisagem urbana e utilizadas permanentemente pela população carioca em nome da expansão imobiliária. Embora o empreendimento esteja amparado por decisões judiciais e licenciamento da Prefeitura, a remoção de 58 árvores em uma das regiões mais densamente urbanizadas do Rio simboliza a perda gradual dos poucos espaços de respiro ambiental restantes no coração da capital fluminense. O episódio também expõe as contradições do próprio projeto de recuperação do Centro. Enquanto o programa Reviver Centro busca estimular moradia e ocupação urbana em uma região esvaziada, cresce a percepção de que interesses econômicos e pressão do mercado(Leia mais)

Rio sempre à venda: MPRJ tenta barrar leis que aceleram a descaracterização da cidade

Mais-valia e Mais-Valerá, não adianta Mais. Abaixo da notícia reproduzida do site Diário do Rio, links para vários de artigos publicados neste espaço urbano-carioca, apontando o quanto prejudiciais são essas leis que contrariam as leis. A pá-de-cal foi o programa Reviver Centro, também analisado aqui, demonstrada a explosão de construções em bairros da Zona Sul, extrapolando os gabaritos constituídos. Some-se a volta das quitinetes dos anos 1960/1970 à venda de praças, jardins e terrenos próprios municipais, e a benesses para hotéis, e completa-se o quadro de desfaçatez e desprezo dos governantes municipais – Executivo e Legislativo – pela Cidade do Rio de Janeiro. Urbe CaRioca MPRJ vai à Justiça contra leis da Mais-Valia e Mais-Valerá no Rio e aponta risco de ‘explosão’ urbanística Órgão afirma que normas flexibilizam regras previstas no Plano Diretor sem estudos técnicos adequados e participação popular(Leia mais)

Mais uma benesse ao mercado imobiliário batizada de requalificação urbana.

A aprovação, em primeira discussão na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, do projeto que institui a AEIU Praça Onze Maravilha e prevê a demolição do Elevado 31 de Março, reacende um debate que está longe de ser novo — e que tampouco pode ser tratado como mera atualização urbanística. Sob a narrativa de “requalificação” e “revitalização”, a proposta retoma uma lógica já observada em intervenções anteriores na cidade, nas quais grandes transformações espaciais foram conduzidas com forte protagonismo do mercado imobiliário e participação social limitada. Como mostra a reportagem abaixo, publicada no portal EcoSerrano, o avanço do projeto sinaliza não apenas uma intervenção física relevante, mas a consolidação de um modelo de reordenamento urbano com impactos que ainda precisam ser devidamente dimensionados. A experiência do projeto Porto Maravilha, também estruturado a partir de uma Área de Especial Interesse Urbanístico(Leia mais)

Caso Sendas: Disputa jurídica se intensifica e coloca em xeque leilão de imóvel em Botafogo

O caso envolvendo o imóvel da Rua Barão de Itambi, em Botafogo, ingressa agora em uma nova fase, marcada por decisões judiciais aparentemente oscilantes e por um crescente tensionamento entre os limites da atuação administrativa e as garantias constitucionais da propriedade privada. Se, de um lado, decisões recentes chegaram a manter a realização do leilão com base na presunção de legalidade dos atos do Poder Executivo, de outro, novas intervenções do Judiciário voltam a suspender o certame, evidenciando a instabilidade jurídica que passou a caracterizar o episódio. Trata-se de um cenário no qual a desapropriação por hasta pública — instrumento ainda em consolidação prática — deixa de ser apenas um mecanismo urbanístico e passa a ocupar o centro de um debate mais amplo sobre segurança jurídica, finalidade pública e desvio de poder. A evolução recente do conflito revela que não(Leia mais)

Leilão mantido, conflito ampliado: o caso Sendas entra em nova fase no Rio

A disputa em torno do imóvel da Rua Barão de Itambi, em Botafogo, ganha agora um novo capítulo — e ele não é apenas jurídico, mas também político. Após a investida inicial da Prefeitura, marcada por questionamentos sobre finalidade pública e eventuais direcionamentos, a decisão da Justiça de manter o leilão recoloca o caso no centro de um embate maior: o limite entre o poder de desapropriar do Estado e a segurança jurídica de agentes privados em uma cidade cada vez mais tensionada por interesses concorrentes. Mais do que um conflito pontual entre o poder público e o Grupo Sendas, o episódio revela uma engrenagem mais complexa, onde decisões administrativas, projetos estratégicos e suspeitas de favorecimento se entrelaçam. A manutenção do leilão, ainda que sob o argumento da presunção de legalidade dos atos do Executivo, não encerra a controvérsia —(Leia mais)