Quando eu era criança, pandemia não havia – 2020

CrôniCaRioca

À Maria Estela, a todas as crianças que nasceram no Rio de Janeiro neste ano de 2020 tão diferente, e a todos os cariocas pequenos que nos engrandecerão um dia.

Quando eu era criança, pandemia não havia. A bem dizer, assim se cria. Quando muito, endemia. Tempos antes, a influenza levou muitos, Deus os benza. Espanhola, o apelido, devagar, sem alarido, o meu Rio invadia, todo o Mundo já sofria. Leia mais

QUANDO EU ERA CRIANÇA, 2019 – O BECO DA TAMANDARÉ

CrôniCaRioca

Beco (Dicionário Houaiss) – subst. masculino – 1 rua estreita e curta, por vezes sem saída; ruela – 2 Regionalismo: Ceará. m.q. esquina

Chamávamos o lugar de Beco. Ruas nem tão estreitas nem tão curtas aos olhos de uma menina pequena, saídas havia. Quatro entradas, portanto, quatro saídas. Beco, ainda que diferente.

Nos anos 1950 e 1970, Zona Sul da Cidade Maravilhosa, a relação dos moradores com as ruas, por certo menos intensa do que na Zona Norte, ainda era rica. O espaço formado pelas vias internas do conjunto de três edifícios, que ainda existe no bairro do Flamengo, era meu e de todos. Quanto aos prédios, um tinha frente para a Rua Almirante Tamandaré e outro para a Rua Machado de Assis. O terceiro era voltado à Praia do Flamengo. Neste morei ao nascer, em apartamento térreo bem pertinho da vida citadina: são os  Edifícios Nobre, Anchieta e Barth construídos pela Companhia Construtora Nacional em 1940 – a mesma que ergueu os hotéis Copacabana Palace, Glória e o Edifício A Noite. Ladeiam e delimitam as vias internas, então abertas para quem quisesse passar, cortar caminho, ou apenas conhecê-las. Carros entravam para estacionar ou ter acesso às garagens, em subsolo, iluminadas pela luz que passava através de tijolos de vidro no teto, o piso do pátio interno comum – ou área de iluminação e ventilação, ‘prisma’ para os acostumados aos Código de Obras. Leia mais