Palacete Imperial: Anos de abandono e uma cidade que deixa a própria história ruir

Enquanto o Centro do Rio volta a atrair investimentos, novos empreendimentos e projetos de revitalização, parte de sua história continua entregue à deterioração. O contraste é brutal: a poucos passos de áreas que simbolizam a promessa de renascimento da região central, o Palacete Imperial, localizado na região da Praça da República, permanece abandonado, interditado há 18 anos e exposto a um risco que já deveria ter mobilizado soluções concretas.

Não há justificativa administrativa, financeira ou burocrática capaz de explicar quase duas décadas de descaso com um edifício histórico localizado em uma das regiões mais emblemáticas do Rio. Entre disputas de responsabilidade, projetos que não avançam, sucessivas vistorias e promessas de restauração, o tempo fez o que a omissão permitiu: agravou a degradação de um patrimônio que deveria estar protegido.

O caso do Palacete Imperial é mais do que a história de um prédio abandonado. É o retrato de uma cidade que ainda convive com a contradição entre anunciar a recuperação de seu Centro e assistir, impassível, à deterioração de parte de sua própria memória. Quando um patrimônio chega ao ponto de representar risco para quem passa diante dele, o abandono deixa de ser apenas negligência: transforma-se em fracasso continuado das instituições responsáveis por preservá-lo.

Urbe CaRioca

Palacete Imperial no Centro do Rio enfrenta abandono e risco de desabamento

Prédio histórico está interditado há 18 anos e sofre com falta de vigilância

Mariana Motta – Diário do Rio

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Palacete Imperial, no Centro do Rio – Foto: Reprodução/Gabriel Paiva

Um dos prédios históricos do Centro do Rio enfrenta um cenário de abandono e preocupação com a segurança. O Palacete Imperial, localizado na região da Praça da República, está interditado há 18 anos e atualmente não conta com funcionários de vigilância ou zeladoria. Com as portas laterais sem controle, o imóvel tem sido alvo da entrada de invasores e apresenta sinais de deterioração.

Impasse entre órgãos

A preservação do prédio está sob responsabilidade do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desde 2012. O órgão, no entanto, abriu mão da tutela do imóvel e protocolou um pedido de distrato da cessão de uso junto à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

A vice-reitora da UFRJ, Cássia Curan Turc, afirmou a Band que a universidade recebeu o patrimônio em condições piores do que aquelas em que havia feito a entrega anteriormente.

A instituição está em processo de licitação para contratar novas vistorias e obras emergenciais no palacete. O objetivo é avaliar as condições atuais da construção e identificar possíveis problemas provocados pelos anos de abandono.

O arquiteto Leonardo Rodrigues Mesquita Santos afirmou a Band que, apesar de a estrutura de pedra não apresentar danos aparentes imediatos, o longo período sem manutenção pode ter provocado comprometimentos internos. Por isso, são necessárias análises mais aprofundadas para determinar as condições reais da estrutura.

Risco preocupa quem passa pelo local

A degradação do imóvel também virou motivo de preocupação para quem vive e trabalha no entorno da Praça da República. Moradores e trabalhadores cobram uma solução das autoridades diante do risco de novos desprendimentos de partes da estrutura.

Enquanto isso, a reitoria da UFRJ informa que a reforma definitiva ainda não tem data para ser concluída. A realização das obras depende da captação de recursos por meio da Lei Rouanet.

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