Um patrimônio de 209 anos, testemunha de diferentes momentos da história do Rio de Janeiro, deveria ser tratado como parte viva da memória da cidade. No entanto, o Chafariz da Rua Riachuelo, tombado pelo Iphan desde a década de 1930, hoje expõe não apenas as marcas do abandono, mas também uma inversão preocupante de sua função: a estrutura histórica passou a servir como balcão improvisado para a venda de mercadorias por camelôs, enquanto pichações e sinais de deterioração avançam sobre um monumento que deveria estar sob proteção permanente do poder público.
Urbe CaRioca
Chafariz de 209 anos no Centro do Rio vira ‘balcão’ de vendas para camelôs
Monumento construído em 1817, na Rua Riachuelo, está em péssimo estado de conservação, apesar de ser tombado pelo Iphan há quase nove décadas
Por Victor Serra – Diário do Rio

Um monumento com mais de dois séculos de história ganhou uma função bem diferente daquela para a qual foi construído. O Chafariz da Rua Riachuelo, no Centro do Rio, vem sendo usado como uma espécie de balcão improvisado para a venda de roupas, sapatos e outras mercadorias comercializadas por camelôs da região.
O uso inusitado do patrimônio foi registrado por moradores, que flagraram produtos expostos e apoiados sobre a estrutura histórica, construída em 1817, na antiga Rua de Mata-Cavalos.
O monumento, que pertence à União e é tombado pelo Iphan desde a década de 1930, além de ser usado irregularmente por camelôs, está pichado e apresenta sinais de deterioração, sem uma revitalização recente. Atualmente, restam principalmente o tanque em cantaria, as pilastras e a lápide com as inscrições.
Construído, assim como muitos outros que ainda existem na Região Central do Rio, para conter um período de escassez de água provocado por uma forte seca, aproveitando nascentes do Morro de Santa Teresa, a obra foi solicitada por Paulo Fernandes Viana, desembargador do Paço e Intendente Geral da Polícia da Corte e do Reino, em um terreno doado pelo tenente-coronel Cláudio José Pereira da Silva.
O Diário do Rio procurou a Seop, que informou que enviará uma equipe da Coordenadoria de Ações Territoriais Integradas ao local. “Caso sejam constatadas irregularidades, serão adotadas as medidas administrativas cabíveis”, afirmou a pasta.
