Urbanismo no Rio de Janeiro – Do artigo vazio aos vazios urbanos

Cidades e Urbanismo são temas apaixonantes. Se a Cidade do Rio de Janeiro esteve constantemente na mídia devido a situações de violência cada vez mais espraiadas e violentas, não faltaram artigos e análises sobre o abandono visto e sentido por todos os cariocas (o jornalista Arthur Xexéo tem encerrado suas últimas crônicas sistematicamente com alusão ao fato), outros apontam caminhos para reverter o caos, ao menos do ponto de vista urbanístico.

Do artigo vazio – para dizer o mínimo – publicado pelo Prefeito Marcelo Crivella (que desistiu de uma proposta equivocada para a favela Rio das Pedras), até o editorial de hoje no jornal O Globo que condena a ideia – novamente – de adensamento da Região das Vargens, Zona Oeste (Sempre o Gabarito!), passamos por propostas de Sérgio Magalhães e de Washington Fajardo. É unanimidade a avaliação contrária quanto ao previsto para Vargem Grande, Vargem Pequena, Camorim, e parte de Barra da Tijuca, Recreio dos Bandeirantes e Jacarepaguá – nada além de oferecer mais benesses ao Mercado Imobiliário – enquanto a Prefeitura prepara um novo Código de Obras que piora as condições das edificações, e a cidade, como repete Xexéo, continua abandonada.

Abaixo, os quatro textos, para leitura. Comentários serão bem vindos. Observações serão feitas adiante. Postagens sobre a Região das Vargens têm o marcador ‘PEU Vargens’, entre outros. Recomendamos ainda o artigo Ressaca Urbana, de Francesco Perrota-Bosch.

Urbe CaRioca

Imagem: Prefeitura e O Globo Na cor vermelho, a chamada Região das Vargens. A seta indica o Centro da Cidade.

Em busca de recursos para o Rio – Marcelo Crivella, 03/11/2017

O Rio precisa crescer, gerar empregos e oferecer oportunidades de uma vida melhor a seus moradores. A nossa cidade tem um imenso campo para investidores dispostos a formar parcerias em iniciativas que nos levarão a um novo patamar de desenvolvimento e prosperidade. Cabe ao gestor responsável e comprometido com o bem-estar da população buscar as fontes de recursos capazes de transformar esses projetos em ações.

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O ovo e a galinha – Sérgio Magalhães, 04/11/2017

Em bela crônica publicada no GLOBO, a jornalista Cora Rónai comenta a melhora de cidades como Lisboa, Barcelona e Seul. “Barcelona há 30 anos era uma cidade parada, decadente. Lisboa, provinciana e melancólica. E Seul? Seul era um vasto nada.” E prossegue: “As transformações por que passaram beiram o inacreditável; e conheço tantas outras que foram se tornando gradativamente mais limpas, mais eficientes, mais bonitas.” Mas lamenta: “o oposto exato do Rio.”

Uma cidade cheia de ‘e se…’ – Washington Fajardo, 04/11/2017

E se o transporte público fosse gratuito nos finais de semana? Sim, sabemos que não existe almoço grátis. Mas se pudesse ser subsidiado pelo menos nos finais de semana, que impacto teria? As pessoas circulariam mais? Iriam mais à praia? Os museus seriam mais visitados? Crianças veriam mais os avós? Alguém iria a um lugar que nunca tinha visitado, mas que sempre desejou conhecê-lo?

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As grandes cidades cumprem papel cada vez mais importante. Elas se constituem em nós da rede mundial que conduz as relações econômicas, políticas e culturais contemporâneas. A qualidade da vida urbana é básica nesse quadro de globalização. As cidades citadas por Cora Rónai estão nesse contexto. Porém, a tal papel o Brasil não tem dado a necessária atenção.

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Projeto para adensar região das Vargens é um erro – Editorial jornal O Globo, 05/11/17

A ideia do prefeito Marcelo Crivella de expandir a cidade para as Vargens, na Zona Oeste, é um equívoco. A região, de 5.125 hectares — maior que a Zona Sul —, é caracterizada pelo solo frágil, alagadiço, e pela falta de infraestrutura. Abrangendo os bairros de Vargem Grande, Vargem Pequena, Camorim e parte de Jacarepaguá, Barra e Recreio, permanece como uma área predominantemente rural. Mas o projeto da prefeitura pode mudar esse perfil, à medida que estimula a construção imobiliária. As obras seriam financiadas pelos Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs), como no Porto. Na prática, incorporadores pagariam para construir prédios mais altos. Em recente viagem a Dubai, nos Emirados Árabes, Crivella buscou parceiros para o empreendimento. Deverá fazer o mesmo quando for à China este mês.

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