Nesta cidade falta laicidade

Nem sempre a legalidade basta para encerrar uma discussão de interesse público. A decisão da Prefeitura do Rio de Janeiro de investir mais de R$ 200 milhões na construção do Parque Terra Prometida, transformando um antigo espaço destinado à educação, à ciência e ao lazer em um complexo de caráter religioso, pode não contrariar a legislação. Ainda assim, suscita um debate que vai além do campo jurídico: qual deve ser o papel do Estado quando se trata de financiar e promover iniciativas vinculadas à religião? A questão envolve não apenas a destinação de recursos públicos, mas também os limites impostos pelo princípio da laicidade e as prioridades de uma administração que representa uma sociedade plural. É justamente nessa zona de tensão — entre o que a lei permite e o que se espera de um Estado laico — que o(Leia mais)

Ônibus novos, modelo velho: Rio troca a pintura, mas mantém o mesmo padrão

Segundo notícia publicada no jornal O Globo, a chegada de 102 novos ônibus ao Rio de Janeiro — sendo 77 viabilizados por acordo judicial — é apresentada como “um avanço na modernização do transporte público”. De fato, há melhorias concretas: veículos zero quilômetro, com ar-condicionado, sistemas eletrônicos, monitoramento e padrões ambientais mais avançados, como o Euro VI, que reduz significativamente a emissão de poluentes. No entanto, este espaço urbano-carioca entende que a questão central não está apenas no fato de serem novos, mas no tipo de ônibus adotado, o que leva a uma dúvida relevante: esse padrão realmente mudou? Com base nas informações disponíveis, não há indicação de ruptura com o modelo tradicional. A matéria e os dados complementares destacam conforto, tecnologia embarcada e gestão, mas não mencionam alterações no conceito estrutural dos veículos. Isso sugere a continuidade do padrão(Leia mais)

Metros quadrados voadores, de Roberto Anderson

Em complemento ao comentário do arquiteto Canagé Vilhena, reproduzimos o artigo publicado originalmente no Diário do Rio, no qual o arquiteto e professor da PUC-RJ, Roberto Anderson, destaca que a proposta de transformar o antigo Campus Fidei, em Guaratiba, em autódromo, financiado por meio da venda de potencial construtivo, expõe um padrão já frequente na atual gestão municipal: o uso expansivo de mecanismos que deveriam ser excepcionais para viabilizar grandes empreendimentos privados. Ao deslocar milhões de metros quadrados para áreas valorizadas, a Prefeitura cria sobrecargas urbanas significativas e afasta o debate sobre planejamento territorial responsável. Esse movimento não ocorre isoladamente. Somado a outras operações recentes, ele esvazia a força normativa do Plano Diretor e converte a legislação urbanística em um sistema de exceções contínuas. O resultado é um cenário de insegurança jurídica e de prejuízo coletivo, que exige atenção imediata(Leia mais)

Libertem São Sebastião das flechas, por Joaquim Ferreira dos Santos

Querido São Sebastião, Ando sumida, sei. No último dia 20 não escrevi para o senhor, conforme costumo fazer na data que celebra o padroeiro do meu Rio de Janeiro. Peço sua compreensão. O calor por aqui fez aumentar o desânimo em relação ao que tem acontecido em terras cariocas. Não preciso explicar. Daí de cima o senhor tudo vê. Também não se trata de descrença ou de perder a fé na sua capacidade. A tarefa de consertar o Rio é árdua para o mais poderoso protetor. Aproveito a ótima escrita de Joaquim Ferreira dos Santos e a reproduzo aqui, pois o senhor não deve ter tempo para ler jornal de papel nem on line. Livre-nos das flechas transformadas em balas mortíferas. Dos maus gestores públicos. Da desesperança. Sua fiel devota, Reclamilda Libertem São Sebastião das flechas Um santo que é(Leia mais)