Lume: mais um erro da política urbana no Rio de Janeiro

A derrubada de dezenas de árvores no Buraco do Lume para dar lugar a mais uma torre residencial no Centro do Rio recoloca em evidência um dos principais dilemas urbanos da cidade: até que ponto projetos de revitalização podem avançar sobre áreas verdes consolidadas, incorporadas à paisagem urbana e utilizadas permanentemente pela população carioca em nome da expansão imobiliária. Embora o empreendimento esteja amparado por decisões judiciais e licenciamento da Prefeitura, a remoção de 58 árvores em uma das regiões mais densamente urbanizadas do Rio simboliza a perda gradual dos poucos espaços de respiro ambiental restantes no coração da capital fluminense. O episódio também expõe as contradições do próprio projeto de recuperação do Centro. Enquanto o programa Reviver Centro busca estimular moradia e ocupação urbana em uma região esvaziada, cresce a percepção de que interesses econômicos e pressão do mercado(Leia mais)

Mais Valerá: mais eufemismos do prefeito, novas ilegalidades

A Câmara do Rio se prepara para votar mais uma versão do “mais valerá”, projeto do Executivo que, sob o argumento de modernizar o uso do solo e incentivar investimentos privados, abre espaço para uma nova rodada de flexibilizações urbanísticas. A proposta permite que estacionamentos de shoppings, supermercados, hipermercados e hospitais sejam convertidos em empreendimentos residenciais ou comerciais, mediante contrapartida financeira à prefeitura. Na prática, trata-se de um modelo de “urbanismo negociado” — em que a cidade é adaptada não a partir de um planejamento integrado, mas de acordos pontuais que favorecem grandes grupos econômicos em troca de arrecadação. O “novo mais valerá” não é uma proposta isolada, mas parte de uma estratégia recorrente do governo Paes de usar o instrumento da outorga onerosa para reforçar o caixa municipal sem recorrer a aumentos de impostos. Estima-se uma arrecadação de R$ 300(Leia mais)