Bem-vindas residências, quem são seus pares?

“Desde que a lei do Reviver Centro foi sancionada, em julho, seis licenças foram concedidas e outras sete estão em processo de liberação. Juntas, elas somam 1.559 unidades para moradia. Esse número supera a quantidade de todas as unidades residenciais licenciadas no Centro (1.472) nos dez anos anteriores à nova legislação. Desses sete pedidos ainda em análise, quatro são para revitalizar prédios inteiros.”

“— Esse aumento de procura por licenças é um reflexo das mudanças na legislação e na desburocratização do processo. Os investimentos estão voltando para o Rio, que tem tudo para voltar a crescer em 2022 —disse Chicão.”

 

A Prefeitura do Rio de Janeiro divulgou a futura reconversão em residências de parte da sede da antiga loja de departamentos Mesbla, situada na Rua do Passeio, no Centro da Cidade. A notícia, publicada esta semana no jornal O Globo, remete ao projeto chamado ‘Reviver Centro’ – lei municipal que incentiva a construção de moradias e prevê benefícios tributários e urbanísticos para quem erguer ou reformar imóveis na região.

O projeto, conforme noticiado, é tido como “âncora” do processo de mudanças na área que, espera-se, terá feições mais residenciais. Conforme já explicado neste blog, os ditos incentivos compreendem aumentar índices construtivos em bairros da Zona Norte e da Zona Sul, além de também no próprio Centro do Rio, entre outras benesses.

Por isso é de se supor que junto às muito bem-vindas residências que surgirão no Passeio Público – lugar outrora nobre e hoje carente de tudo – outros tantos metros quadrados e andares a mais e fora das leis urbanísticas vigentes surgirão concomitantemente.

Em nome da compreensão sobre um intrincado sistema de licenciamento de obras em terras cariocas, cabe indagar mais uma vez:

Bem-vindas residências no prédio da antiga loja de departamentos Mesbla, quem são seus pares?

Urbe CaRioca

Reviver Centro: prédio da Mesbla terá residências, numa volta ao projeto original

Projeto, com apartamentos de 40 e 50 metros quadrados, são vistos como ‘âncora’ na transformação da região

Luiz Ernesto Magalhães e Selma Schmidt

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RIO — Um dos mais conhecidos imóveis art déco da cidade, o prédio que foi sede da antiga loja de departamentos Mesbla, no Passeio Público, vai experimentar uma espécie de volta ao passado. Parte do imóvel será convertida em residências, numa aposta do mercado imobiliário no Reviver Centro, lei municipal que incentiva a construção de moradias e prevê benefícios tributários e urbanísticos para quem erguer ou reformar imóveis na região. Em fase de licenciamento, o retrofit do prédio, notícia antecipada pelo colunista Ancelmo Gois, no GLOBO, é visto como uma espécie de “âncora” do processo de transformação da área em uma região com perfil mais residencial.

Projetado em 1934 pelos arquitetos franceses Paul Pierre Sajous e Auguste Redun (autores, entre outros, do projeto do prédio Tabor Loreto, no Flamengo, e do Palácio do Comércio, no Centro), um dos blocos da Mesbla foi originalmente residencial, o que pode ser observado inclusive na fachada, dotada de varandas. Esse edifício agora será adaptado para ganhar 122 apartamentos entre 40 e 50 metros quadrados. Hoje, o endereço tem apenas 20% das salas ocupadas, e os inquilinos serão remanejados para o outro bloco. A fachada não será alterada, porque o imóvel é tombado.

— Esse retrofit é significativo para o Reviver Centro por ser um prédio simbólico para a região. Até então, a demanda inicial foi para licenciar imóveis em terrenos livres ou conversões parciais de prédios comerciais. Agora, começaram os pedidos de retrofits de prédios inteiros — diz o secretário municipal de Planejamento Urbano, Washington Fajardo.

Desde que a lei do Reviver Centro foi sancionada, em julho, seis licenças foram concedidas e outras sete estão em processo de liberação. Juntas, elas somam 1.559 unidades para moradia. Esse número supera a quantidade de todas as unidades residenciais licenciadas no Centro (1.472) nos dez anos anteriores à nova legislação. Desses sete pedidos ainda em análise, quatro são para revitalizar prédios inteiros.

— É um resultado muito expressivo, ainda mais se considerarmos as conjunturas econômica e política. Quanto tempo o Porto levou para ter o seu primeiro residencial? — questiona Fajardo. — Tenho recebido muita gente para apresentar estudos sobre empreendimentos no Centro. A minha expectativa é de que se consiga, em 2022, pelo menos duplicar o que se tem hoje em unidades licenciadas e em licenciamento.

O secretário de Desenvolvimento Econômico, Inovação e Simplificação, Chicão Bulhões, diz que a modernização da legislação urbanística do Rio vai ajudar no cenário conjuntural deste anio

— Esse aumento de procura por licenças é um reflexo das mudanças na legislação e na desburocratização do processo. Os investimentos estão voltando para o Rio, que tem tudo para voltar a crescer em 2022 —disse Chicão.

Para tornar essa área do Centro ainda mais atrativa, a prefeitura vai anunciar ainda este ano a volta do Pro-Apac (Programa de Apoio à Conservação às Áreas de Proteção ao Ambiente Cultural): está sendo preparado um edital, prevendo investimentos públicos na recuperação de edificações privadas preservadas por lei, com a condição de que se tornem habitações.

— O Pro-Apac é muito importante para ajudar proprietários de imóveis históricos. O programa vai ter um desenho condicionado à função residencial, que, no passado, ele não tinha, para fomentar esse uso. A prefeitura coloca uma parte do recurso, e o dono, outra — explica Fajardo, que ainda não estima quanto em dinheiro o município vai liberar.

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