Artigo: ESTAÇÃO GÁVEA RECEBERÁ DUAS LINHAS, de Miguel Gonzalez

Em 22/08/2013 publicamos METRÔ: O VAI E VEM DA ESTAÇÃO GÁVEA E A LINHA 4Mais uma vez explicamos que a anunciada Linha 4 em execução é a Linha 1 rebatizada: da Linha 4 original e necessária o único trecho em obras é a ligação Gávea-Barra da Tijuca (início – loteamento Jardim Oceânico).

Afirmamos que “Para acalmar os ânimos dos inconformados o governador prometeu que a Estação Gávea seria construída em dois níveis, o que, segundo especialistas e os próprios governantes, permitiria a posterior execução da Linha 4 em direção a Botafogo”, referência aos protestos pelo abandono do trajeto original Gávea-Jardim Botânico-Humaitá-Botafogo, e pela destruição da Praça NossaSenhora da Paz.

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Artigo: ÁRVORES URBANAS – PATRIMÔNIO DA CIDADE, de Ivete Farah

‘O dia, ontem, no Rio, estava nublado e meio preguiçoso por conta deste feriado de Corpus Christi. Ainda assim, a luz do outono produziu maravilhas. Que o diga a professora Ivete Farah, da FAU-UFRJ, autora desta foto no Parque do Flamengo. Ela, que escreve o blog Árvores Cariocas, flagrou a floração deste embiruçu-da-mata, uma árvore brasileira pouco conhecida, fincada ali por Burle Marx, exatamente para, como diz Ivete, “salientar a paisagem natural da cidade”. Que Deus proteja a natureza e a nós não abandone jamais’.


Coluna Ancelmo Góis, jornal O Globo, 31/5/2013 – 
Foto: Ivete Farah

As palavras da arquiteta e paisagista sobre a importância das árvores urbanas e suas inúmeras funções – que percorrem das questões ambientais às afetivas – emocionam e ao mesmo tempo nos fazem relembrar perdas inaceitáveis, como o caso da Praça Nossa Senhora da Paz, cuja vegetação plantada há cerca de 8 décadas foi sacrificada devido à decisão do governo estadual que preferiu prolongar a Linha 1 do Metrô até os bairros do Leblon e da Gávea, em detrimento da Linha 4 que ligaria o Centro da cidade à Barra da Tijuca via Botafogo, Humaitá e Jardim Botânico, sob o silêncio do governo municipal. Bem, não somos Istambul… mas, lutamos.

Que o artigo de Ivete Farah possa sensibilizar nossos gestores para que os atuais e os próximos não repitam tal erro, que levará um século para ser reparado! E que, por exemplo, evitem a destruição de Guaratiba, protejam as nossas encostas, os nossos parques, e ponham um freio na urbanização desenfreada dos bairros da região das ‘Vargens’ e do bairro de Jacarepaguá, o último já tratado neste blog. Boa leitura.
Urbe CaRioca



Árvores Urbanas – Patrimônio da Cidade

Ivete Farah
As árvores urbanas representam um grande benefício para a cidade, envolvendo os mais diversos aspectos. A questão mais amplamente difundida é o ganho ecológico, em virtude das inúmeras funções ambientais que a arborização urbana desempenha. A contribuição paisagística e urbanística a partir da ambientação e organização dos espaços e os efeitos psicológicos positivos para a população também engrossam a lista dos motivos para que o plantio e a permanência das árvores urbanas sejam fortemente considerados.
As árvores urbanas estão ainda relacionadas à memória da cidade, contando histórias, fazendo referências a fatos e personagens, sendo parte integrante e reveladora da cultura urbana. Qualquer árvore na cidade, em maior ou menor grau, é um componente de seu passado, seja a que faz parte do projeto de uma via, de um parque ou de uma praça, seja aquela plantada pelo próprio habitante ou ainda a que sobreviveu às alterações urbanas, carregando os traços remanescentes de uma paisagem transformada. Há árvores que são verdadeiros monumentos vivos na cidade, acrescentando um valor particular à paisagem urbana.

Figueira na Rua Faro, Jardim Botânico – Foto: Ivete Farah

Esse valor pode reconhecido através de dispositivos legais que asseguram a proteção especial a um exemplar ou a um conjunto representativo. No Rio de Janeiro, inicialmente, essa proteção era realizada através de lei ou decreto instituindo o tombamento da árvore, mas, atualmente, a legislação institui a árvore ou conjunto arbóreo de valor excepcional como “imune ao corte”, garantindo a sua preservação. Esta categoria foi entendida como mais adequada à proteção de árvores considerando o fato de se tratar de seres vivos. Há ainda a possibilidade de inclusão das árvores na categoria de “conjunto extraordinário”, feita através de resolução da Secretaria Municipal de Meio Ambiente. A preservação pode ainda se dar a partir do tombamento de toda uma obra, no caso de projetos paisagísticos de valor relevante, incluindo a proteção ao conjunto vegetal, como acontece, por exemplo, com o Passeio Público, a Quinta da Boa Vista, o Parque do Flamengo e outras áreas livres da cidade.
Os primeiros casos de proteção de exemplares arbóreos significativos na cidade do Rio de Janeiro surgiram no final da década de 1960. Hoje são mais de quarenta atos, entre decretos, leis e resoluções, com o objetivo de preservar exemplares ou conjuntos representativos. Entretanto, há ainda a necessidade de ampliar esse número, considerando-se a quantidade de árvores que se destacam por seu valor paisagístico ou histórico na cidade. Além de preservá-las, seria importante também destacá-las através de placas informativas com sua história ou ainda garantindo projetos urbanos que valorizem sua presença e facilitem o desfrute pela população.


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OS SOCOS DO PREFEITO, ISTAMBUL, E A POLÍTICA URBANA


Muitos já escreveram sobre os socos que o prefeito desferiu no rapaz que interrompeu momentos de lazer do alcaide. Não cabe alongar o caso. O músico não tinha o direito de ofender e insultar o Chefe do Executivo, nem este de revidar as ofensas com socos. O primeiro reconheceu os insultos e o segundo desculpou-se com a população. Ponto final.


O que nos interessa é o motivo da discussão.


Conforme a imprensa, a indignação do ‘contribuinte’ deveu-se à política urbana praticada pela Prefeitura, que entende equivocada. Nota de esclarecimento divulgada pelo músico diz:


Nossa critica é contra um poder municipal que loteia NOSSA cidade, desapropria e expulsa os pobres, abrindo lugar para os ricos. Uma gestão de poucos, que vem promovendo, à revelia de muitos, uma violenta elitização do Rio de Janeiro – nitidamente vinculada à especulação imobiliária.
 Como não reagir a isso? São questões de NOSSA cidade, que afetam nossas vidas diariamente, e sobre as quais não conseguimos ser ouvidos. Estamos sendo aniquilados por um modelo de gestão autoritário e excludente. Impossível não se afetar. Impossível se calar, quando temos a chance de ser ouvidos”.

O jornal NYT, comentando o lamentável episódio, utiliza o termo ‘gentrification’: “[the constituent]…said he had directed his scorn at Mr. Paes because he believed that the mayor’s policies were benefiting a select group of real estate speculators and contributing to gentrification ahead of the 2014 World Cup and 2016 Summer Olympics…”. A notícia na íntegra pode ser lida neste link. =&1=&, uma tradução literal do inglês “gentrification” que não consta nos dicionários de português, a um conjunto de processos de transformação do espaço urbano  que, com ou sem intervenção governamental, busca o aburguesamento de áreas das grandes metrópoles que são tradicionalmente ocupadas pelos pobres, com a consequente expulsão dessas populações mais carentes, resultando na valorização imobiliária desses espaços’.
cristovao1.wordpress.com

Ou seja, o tema que provocou a reação do Prefeito foi a Política de Urbanismo. Nada sobre hospitais, escolas, desordem pública, transportes, o dia a dia da cidade… Muito embora todos esses tópicos enquadrem-se em ‘urbanismo’ -, o alvo do protesto foram as decisões que produzem efeitos a médio e longo prazos e que podem durar décadas ou séculos: transformações urbanas e o uso do solo!




Pouco tempo depois o noticiário internacional dá conta dos distúrbios na Turquia que crescem a cada dia – as manifestações contra o governo que se espalharam por várias cidades. Curiosa e infelizmente o estopim da revolta aconteceu em função da derrubada de árvores em uma praça vizinha a um parque público, em Istambul, para a construção de um shopping-center!  Por óbvio os motivos da revolta são mais abrangentes e envolvem aspectos político-culturais complexos. Mas, vieram à tona quando da agressão a um espaço público, propriedade do povo, de fato, para seu uso, gozo e fruição, destinatário final que é dos espaços públicos: a Praça Taksim, no Parque Gezi, no coração da cidade.

Impossível não nos lembrarmos da Praça N. S. da Paz e da construção de empreendimento comercial  no Parque do Flamengo proposta com o apoio governamental.

A quem interessar, relatos importantes estão em What is Happening in Istambul? e em O Véu, o Álcool e a Mini-saia, da jornalista Helena Celestino

Wikimedia



Voltando à urbe carioca, em 27/05/2013 arquitetos e urbanistas reuniram-se para o debate Uma cidade em transformação: intervenções urbanas no Rio de Janeiro.


Vale conhecer o resultado do encontro relatado no blog RioReal criado pela jornalista e escritora americana Julia Michaels: além de comentários gerais sobre as discussões, a autora exalta a qualidade do debate – em suas palavras ‘difícil haver uma troca tal como a desse encontro’ –  e lista as sete principais críticas apontadas sobre a política urbana que vem sendo adotada no município do Rio de Janeiro.


Os últimos acontecimentos demostram que movimentos pela gestão democrática da cidade que nasceram na década de 1980, e perderam força ao longo do tempo, estão de volta. A voz da sociedade civil – prevista nos Planos Diretores de 1992 e 2010, na Lei Orgânica do Município e no Estatuto da Cidade, tem se feito ouvir.

Exemplos estão nas manifestações contra a devastação da Praça Nossa Senhora da Paz em nome de uma decisão errada sobre as prioridades no traçado do Metrô; na corrente que se formou contra a demolição do prédio do antigo Museu do Índio  suspensa depois de ter sido autorizada pelo Prefeito; na luta para impedir a diminuição da Área de Preservação Marapendi e o uso de áreas públicas para a construção de um campo de golfe; nas ações judiciais e movimentos de associações de moradores decididos a garantir a proteção do Parque do Flamengo/Marina da Glóriaprevista em lei, e impedir a construção de um Centro de Convenções e Shopping-Center no parque público; no abraço ao prédio e na missa celebrada em intenção da preservação do Quartel General da PM que tem 200 anos de História; nas discussões sobre o Píer da Zona Portuária.


E, ainda, na organização de encontros institucionais e acadêmicos; e nos inúmeros abaixo-assinados que questionam decisões prejudiciais ao meio ambiente, ao patrimônio cultural e ao uso do solo.


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ARTIGO: O METRÔ DOS SONHOS, Miguel Gonzalez

O Trajeto Gávea-Centro
Miguel Gonzalez


Miguel Gonzalez é um estudioso do Metrô do Rio. O nome do sistema também nomina o Blog pelo qual é responsável, fonte inesgotável de análises e informações sobre a história desse nosso meio de transporte, Agonia e Êxtase dos usuários.
Aqui já publicamos UM PROJETO REAL E VIÁVEL PARA O METRÔ DO RIO, de sua autoria, um dos textos mais lidos no Urbe CaRioca.
Aqui também já explicamos à exaustão que a Linha 4 apregoada pelo Governo Estadual não é a Linha 4 e sim o prolongamento da Linha 1. Os muitos posts a respeito podem ser acessados com os marcadores ‘Metrô’, ‘Linha 1’ e ‘Linha 4’. Em O Trajeto Gávea-Centro Miguel explica as diferenças entre essas Linhas.  =&3=&

MAIS METRÔ 11 – LINHA 1, ESTAÇÃO N. S. DA PAZ, e LINHA 4


Na semana passada o Urbe CaRioca publicou o texto de Miguel Gonzalez intitulado CONCLUIR A LINHA 1 E CONSTRUIR A =&3=&.=&4=&


TRAÇADO ORIGINAL da Linha 4, licitado em 1998: a Barra da Tijuca seria conectada à Botafogo, via Jardim Botânico. Uma outra alternativa seria ligar a Barra diretamente à estação Carioca, via Laranjeiras.
Blog As Ruas do Rio, em 2010 – O mapa também indica o trecho não construído da Linha 2.

Em toda a série sobre o Metrô – cerca de 12 posts publicados aqui desde O Metrô e a Praça – temos defendido que a decisão adotada pelo governo estadual de prolongar a Linha 1 até à Gávea, após construir o trecho que falta dessa mesma Linha (General Osório – Jardim de Alah), é uma prioridade equivocada. Um resumo pode ser visto em Mais Metrô 8 e Mais Metrô 10.


Também temos esclarecido, à exaustão, que a obra denominada pelo governo de Linha 4 não compreende a Linha 4 prevista desde os projetos iniciais para a Rede Metroviária do Rio, isto é, a ligação original Centro-Barra da Tijuca via Botafogo-Humaitá–Jardim Botânico, ou, conforme sugeriu o movimento LINHA 4 QUE O RIO PRECISA, Centro–Barra da Tijuca via Laranjeiras–Botafogo-Humaitá-Jardim Botânico.


O Blog considera que a Linha 4 original é o melhor a ser feito pela população do Rio com base em diversos depoimentos de técnicos de transportes e na avaliação de várias associações de moradores.


Proposta do Clube de Engenharia – 2011
Imagem: O Globo


Embora houvesse esperança de que os administradores do Rio – estado e município – revejam a decisão, não se pode ignorar que as sondagens em Ipanema e Leblon prosseguem e que a chegada do ‘tatuzão’ – equipamento importado que permitirá, ao que consta, cavar os túneis pelo subsolo – foi anunciada. Além disso, no último fim-de-semana já foram instalados tapumes de obras em três praças.


O Blog Metrô do Rio divulgou o vídeo de apresentação do projeto para construção da Estação Praça Nossa Senhora da Paz, da Concessionária Rio Barra S. A. / Governo do Estado do Rio de Janeiro.

A quem interessar, o filme está abaixo. As imagens em 3D são muito bonitas e o fundo musical é de bom-gosto. O filminho, bem-feito, quis passar a impressão de paz e civilidade. Crianças poderão brincar em um cantinho da praça durante a obra da estação… que depois de pronta servirá, ao que parece, a pouquíssimos usuários.


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ARTIGO: ENTENDENDO A ESTAÇÃO CARIOCA – PARTE I, por Miguel Gonzalez

Os posts O Metrô e a Praça e a série Mais Metrô – de 2 a 10 – trataram de diversos aspectos que envolvem os importantes trilhos cariocas e, em especial, questionaram a prioridade do governo estadual que preferiu construir o prolongamento da Linha 1, chamando-a enganosamente de Linha 4, ao invés de concluir a Linha 2 ou executar a Linha 4 verdadeira. =&2=&