Pais Cariocas, 2020 – Meu pai

CrôniCaRioca Querido Paizinho, Se você estivesse aqui, imagino o que estaria fazendo durante cinco meses sem sair de casa. Pois, com 105 anos, na quarta ou quinta idade, em meio a uma pandemia que se arrasta, restaria ficar no apartamento da Tamandaré, aquele das muitas festas, aniversários, Natais e alegrias. Por certo aí no Céu dos Pais não existem coronavírus, doenças, medo, saudade… Por certo só um tipo de Paz que por aqui não há, parece. Quem sabe haverá, neste planeta, serenidade celestial para aqueles que desenvolveram a espiritualidade ao máximo, de alcance inimaginável para a filha saudosa de tantas coisas boas. Pensar que estava no Rio de Janeiro, que tanto amava, quando outra pandemia chegou ao Brasil em 1918, justamente quando você completava quatro anos! Felizmente foi poupado da Gripe Espanhola, ou, quantas pessoas seriam privadas de conhecê-lo, eu(Leia mais)

Um gambá na quarentena

CrôniCaRioca, de Andréa A. G. R.   Dia 3 – A notícia Telefona o porteiro. Calma e educadamente diz: _Temos um probleminha aqui, quero falar com a senhora. Durante a fração de segundo que se passa entre essa e a notícia que virá, um turbilhão de pensamentos. Vazamento no apartamento do vizinho, quebra-quebra, bombeiros e pedreiros mascarados, litros de álcool-gel, meu banheiro e o da vizinha destruídos… Será na cozinha? Vou fugir para a sala… A voz pausada me acorda do devaneio. _Tem um gambá no seu carro. Deve ter vindo com a senhora, da Serra. Silêncio nas duas pontas do fio que me liga à portaria. _Como sabe? _Há dois dias a lixeirinha que fica ao lado do seu carro amanhece virada. Ontem o lixo da lixeira estava revirado. Lixeirinha, lixo e lixeira, que confusão. Interrompo as explicações e(Leia mais)

Diário da Quarentena – maio/2020 semana IV, de Celso Rayol

Em continuidade ao artigo “A arquitetura está presente”, de Celso Rayol, presidente da Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura do Rio de Janeiro (AsBEA-RJ), ilustrado com charges do arquiteto que, de maneira singular, aborda aspectos curiosos relacionados a esses dias de confinamento, publicamos, conforme anunciado, as artes criadas ao longo da semana. Abaixo, a especial seleção das charges de Rayol para levar sorrisos aos amigos leitores nestes tempos atípicos. Urbe CaRioca Diário da quarentena – 30/maio/2020, de Celso Rayol  

Musiquinha infantil para espantar o coronavírus, by Reclamilda

Queridos amigos, Eu, Reclamilda, todos sabem, não reclamo. Apenas penso, discuto com minhas melhores amigas Elogilda a Ana Lisa. Palpiteiras conscientes que somos, palpitamos juntas sobre o que entendemos ser melhor para a nossa cidade depois de muita conversa civilizada. Em tempos tão estranhos nesta urbe carioca e no mundo, quando surge um bichinho malvado sem freios ou limites que nos obriga a ficar em isolamento, obedientes ao que mandam médicos e gestores públicos continuamos a nos encontrar graças à magia da internet: reclusas porém unidas pela saúde nossa e de todos! Somos idosas! Reclamei só um pouquinho, Elogilda disse que ia ficar tudo bem e Ana Lisa, ponderada e sabiamente, sugeriu que fizéssemos algo para ajudar papais, mamães e crianças pequenas que estão em casa, sem passear nas pracinhas e ruas do Rio e do Brasil. O resultado foi(Leia mais)

QUANDO EU ERA CRIANÇA, 2019 – O BECO DA TAMANDARÉ

CrôniCaRioca Beco (Dicionário Houaiss) – subst. masculino – 1 rua estreita e curta, por vezes sem saída; ruela – 2 Regionalismo: Ceará. m.q. esquina Chamávamos o lugar de Beco. Ruas nem tão estreitas nem tão curtas aos olhos de uma menina pequena, saídas havia. Quatro entradas, portanto, quatro saídas. Beco, ainda que diferente. Nos anos 1950 e 1970, Zona Sul da Cidade Maravilhosa, a relação dos moradores com as ruas, por certo menos intensa do que na Zona Norte, ainda era rica. O espaço formado pelas vias internas do conjunto de três edifícios, que ainda existe no bairro do Flamengo, era meu e de todos. Quanto aos prédios, um tinha frente para a Rua Almirante Tamandaré e outro para a Rua Machado de Assis. O terceiro era voltado à Praia do Flamengo. Neste morei ao nascer, em apartamento térreo bem pertinho da vida(Leia mais)

Amo praticamente

Um diálogo entre Reclamilda e sua netinha de cinco anos no dia da eleição, 07/10/2018. CrôniCaRioca Netinha: Vovó, o que é “Amo praticamente”? Reclamilda: Não entendi bem, Querida. Você quer dizer que ama praticamente todo mundo, ama todas as pessoas? Netinha: Não, vovó, não é nada disso. É igual como falam naqueles desenhos que vocês estavam vendo ontem, e ficavam dando um monte de risadas. Reclamilda: Hummm….. será o que estou pensando? Netinha: É, aqueles vídeos* que tinham umas palavras que você disse que eu não podia escutar nem repetir, aí tampou a minha orelha, me dando beijinho na bochecha, mas eu ouvi assim mesmo, aquele moço de chapéu e o outro moço com dodói na barriga falaram bobagem, eu bem escutei. Reclamilda: Ah, sabida! Você está falando da moça de pescoço comprido, que usava óculos e falava um monte(Leia mais)

De volta à Urbe CaRioca – Um Quadro e o Carnaval

Andréa Albuquerque G. Redondo Depois de uma temporada fora do Rio de Janeiro devido a questões pessoais, volto à minha querida cidade natal. Gostaria de não escrever sobre a violência crescente, assunto constante em todos os noticiários, sabido e conhecido aqui e além-mar. Mesmo envolvida com compromissos familiares, pude acompanhar os acontecimentos graças à magia da internet. Melhor evitasse. Dizem que “o que os olhos não veem o coração não sente”, verdade que, infelizmente, não esconde a verdade que massacra o carioca sem dó, psicológica e literalmente: perda de vidas sem distinção de gênero, idade, profissão, classe social – adultos, crianças, nenéns… O que nos resta além de rezar? Só medo, tal é a impotência diante de quadro que fica mais tenebroso a cada dia, o Retrato de Dorian Gray do Século XXI. Se, de longe, os vários eventos por(Leia mais)

Um Natal longe do meu Rio

CrôniCaRioca,  de Andréa Redondo, Natal/2017 Pela primeira vez nas minhas mais de seis décadas de vida, passo o Natal fora da minha cidade natal, o Rio de Janeiro. Circunstâncias me trouxeram a Londres para participar de um outro feliz evento natalino. Tal como em 2013, mais uma vez, meu presente de Natal chegou mais cedo! Aqui, em vez de shorts, biquínis e vestidinhos leves, imperam casacos, cachecóis, gorros e botas. No frio do hemisfério norte Papai Noel deve sentir-se confortável, na roupa vermelha adornada com pele branca! No Rio, só com ar condicionado! O frio não assusta londrinos e visitantes. Nas ruas comerciais de Central London, geladas para o padrão carioca, fervilha o espírito de Natal. Movida pela tradição, hábito, prazer, ou pelo encanto e obrigações que o comércio natalino provoca, a preparação para a Noite Feliz está presente em(Leia mais)

Quando eu era criança – No Rio de Janeiro, um Parque de Diversões e a Praça do Congresso

Uma CrôniCaRioca no Dia das Crianças Com uma postagem sobre um Parque de Diversões que fica na Zona Norte e intitula-se “O parque mais tradicional do Rio de Janeiro”, o geógrafo Hugo Costa – autor de vários estudos e artigos sobre a Zona da Leopoldina, transportou muitos, e a mim, à infância. O Parque Shangai fica no Largo da Penha, bairro da Penha, nas proximidades da Igreja com o mesmo nome, famosa por sua escadaria com 382 degraus, que fiéis sobem de joelhos, pagando promessas. Ao ler sobre a história do Shangai, disponível no site Wikipedia*, descobri, com agradável surpresa, que o parque é muito antigo, e que eu era assídua frequentadora quando funcionava na Quinta da Boa Vista! *Fundado em julho de 1919[2] (a empresa fundadora existe desde 1910)[2] como um parque itinerante, é considerado um dos primeiros parques temáticos do Brasil.(Leia mais)