Clube Flamengo – Afinal, quer ambos: Arena e Estádio

Notícias veiculadas pela grande mídia nos últimos anos mostram que o Clube  Flamengo quer construir um equipamento esportivo no terreno a ele cedido pelo Governo do Estado nos anos 1930. Os informes se alternam: ora o clube pretende erguer uma Arena de Basquete, ora um Estádio de Futebol. A capacidade também varia conforme a época da divulgação. Até o local escolhido já foi itinerante – Zona Sul, Zona Oeste e Zona Norte -agora aparentemente fixado no que é apelidado Campo da Gávea, embora o terreno fique na confluência dos bairros Leblon, Lagoa e Gávea (provável resquício de quando a cidade era dividida administrativamente em ‘Freguesias’, como as da Glória, Gávea e Lagoa, por exemplo).[...] Leia mais

Clube Flamengo – o trambolho perene e uma obrazinha de manutenção

Parece brincadeira.

Uma das “contrapartidas” por liberar a construção de uma arena esportiva (ou estádio?) na confluência dos bairros Leblon, Lagoa e Gávea, é o clube assumir o conserto de elevadores nos edifícios da Cruzada São Sebastião, e obras de urbanização no mesmo conjunto habitacional, seja lá o que isto signifique.

Um acordo totalmente sem sentido, que nada justifica.

Basta lembrar que na ocasião da construção do Shopping Leblon o empreendedor ficou responsável pela pintura dos edifícios, obra literalmente “de fachada” que foi executada – de má qualidade, por sinal – resultado de gosto duvidoso que o tempo e as intempéries apagaram rapidamente, voltando o conjunto a ter o aspecto deplorável de sempre.[...] Leia mais

Clube Flamengo: mais um erro urbano-carioca a caminho

O jornal “O Globo” noticiou nesta quinta-feira, dia 12 de abril, que o caminho para a construção de uma arena (e/ou estádio?) no terreno cedido ao Clube Flamengo, foi aberto.

É o que informa a reportagem “Pezão assina termo e regulariza terreno para arena multiuso do Flamengo”. Os argumentos apresentados pelos representantes do governo e do clube são tão inconsistentes que dispensam outros comentários.[...] Leia mais

Clube Flamengo – O estádio de futebol virtual itinerante

O desejo que o Clube Flamengo possui de ter um estádio de futebol próprio foi comentado neste Urbe CaRioca em várias ocasiões*. Até aqui os bairros do Leblon (confluência de Lagoa e Gávea, onde fica a sede do clube) e de Jacarepaguá eram as opções apontadas, o primeiro já contando com o apoio do prefeito do Rio e o repúdio das associações de moradores da vizinhança. O Parque Olímpico também foi cogitado, local de interesse de outro clube, o Fluminense.[...] Leia mais

CLUBES DE FUTEBOL – FLA X FLU POR UM ESTÁDIO NO PARQUE OLÍMPICO

O desejo de vários clubes de futebol de possuírem novos estádios próprios teve mais um capítulo (v. CLUBES DE FUTEBOL – AGORA FLUMINENSE QUER ESTÁDIO NO PARQUE OLÍMPICO e posts anteriores).

Segundo o que informa a grande mídia, o Parque Olímpico, em cujo espaço o Fluminense Football Club pretendia construir um estádio com material da Arena do Futuro, também está sob a mira do Clube de Regatas do Flamengo.[...] Leia mais

CLUBES DE FUTEBOL – AGORA FLUMINENSE QUER ESTÁDIO NO PARQUE OLÍMPICO

E propõe outro destino para a estrutura destinada a quatro escolas

A notícia foi publicada na última quinta-feira, feriado de Corpus Christi, no site Globo Esporte, após divulgação no site NetFlu. Conforme título, o Fluminense Football Club deseja erguer estádio próprio no parque olímpico, não mais no terreno vizinho ao condomínio que abrigou a Vila dos Jogos Pan-Americanos.

Segundo a notícia, o Fluminense prefere aquele ao local anteriormente previsto “próximo à Vila do Pan, o qual o clube firmou memorando de entendimento com um fundo imobiliário (…) O índice de construção precisa ser alterado, o que depende da prefeitura. Além disso, por ser em área de mangue, exige aterramento, como feito nos moldes do CT. Não há ainda rede de abastecimento de água e energia elétrica”.[...] Leia mais

CLUBE FLAMENGO – UM CENTRO DE CONVENÇÕES NO ENCONTRO GÁVEA-LEBLON-LAGOA

Os desejos em relação ao terreno do Clube Flamengo chamado “da Gávea”, não param.

Como explicado em várias postagens e, mais recentemente, em CLUBE FLAMENGO – POR QUE NA GÁVEA/LEBLON/LAGOA? (Urbe CaRioca, 17/05) os dirigentes do rubro-negro querem construir ali uma arena para 4.000 pessoas e um estádio para 25.000.

Mais uma novidade foi divulgada há alguns dias pela Coluna Gente Boa (OG, 22/05/2017): “Novo estádio do Flamengo pode ter centro de convenções: dinheiro para o clube”.[...] Leia mais

CLUBE FLAMENGO – POR QUE NA GÁVEA/LEBLON/LAGOA?

E a reação de moradores da região.

Na última sexta-feira, 12/05, publicamos CLUBE FLAMENGO – AGORA É UM ESTÁDIO. ACÚSTICO., quando foi assinado protocolo de intenções entre o Clube e a Prefeitura com vistas à construção de um estádio de futebol, no mesmo terreno onde hoje ficam o campo, uma arquibancada de concreto, e a sede social do clube, no Leblon, Zona Sul do Rio de Janeiro.

 O assunto frequentava estas páginas virtuais desde março/2015. O rubro-negro anunciara a intenção de construir uma arena multiuso com capacidade para 4.000 pessoas, seguida pela hipótese de um estádio de médio porte (v. lista no final do artigo), desejo antigo daquele e de vários outros clubes de futebol (v. FLAMENGO, FLUMINENSE, BOTAFOGO… TODO CLUBE QUER ESTÁDIO!).[...] Leia mais

CLUBE FLAMENGO – AGORA É UM ESTÁDIO. ACÚSTICO.

Entre os posts publicados neste blog desde 2015 sobre a polêmica que envolve o clube rubro-negro e a construção de um equipamento urbano no terreno que fica na confluência dos bairros da Leblon, Lagoa e Gávea, um perguntava: CLUBE FLAMENGO – AFINAL, ARENA OU ESTÁDIO? (Urbe CaRioca, abril/2016). Em setembro, a grande imprensa informou que a Arena do Clube fora autorizada (Urbe CaRioca, 17/09/2016 – ARENA DO CLUBE FLAMENGO É AUTORIZADA).[...] Leia mais

AMÉRICA FOOTBALL CLUBE – HISTÓRIA DIZ QUE SHOPPING NÃO SALVA CLUBE

O futuro Shopping América. Imagem: O Globo, 23/03/2017
Todos que acompanham os temas “urbano-cariocas” – sabem que a Câmara de Vereadores aprovou, na semana passada, o Projeto de Lei Complementar nº 169/2016, escrito especialmente para o terreno situado na Tijuca onde funcionava a sede do América Football Club, hoje fechada, o prédio abandonado.   Enviado àquela Casa de Leis pelo prefeito anterior, foi aprovado por unanimidade dos presentes e sancionado, hoje, pelo atual Chefe do Executivo.   Ao comparar o texto com o desenho que acompanha reportagem do jornal O Globo, verifica-se com facilidade que a estranha lei nada mais é do que descrever a futura construção nos mínimos detalhes, desde a tipologia até o desenho dos volumes previstos. Ou seja, é uma lei urbanística feita para um só terreno, um só proprietário e seu desejo de projeto: um shopping-center, uma lâmina (provavelmente de escritórios) que será coroada pela nova sede do clube, um apêndice com 12,00m de altura acima da lâmina, perfazendo o edifício híbrido o total de 47,00m em terreno que tem cerca de 64,00m (frente pela Rua Campos Salles) x 160,00m de profundidade (Área 1 do croqui anexo ao PLC). Não é pouco.   Art. 4º (…) VIII – na maior dimensão do lote, o volume da lâmina deverá ser segmentado em no mínimo três partes, com no máximo sessenta metros de extensão, através de interrupções com largura equivalente a pelo menos um quinto da altura da edificação, excluídas as instalações do Clube;   A lei sancionada não apenas desenha o volume pretendido, com palavras (que não seria atingido se construídos ali, por exemplo, edifícios residenciais); também muda o Zoneamento das ruas que circundam a área do falido Clube América, para dar legalidade à construção do complexo comercial, antes vedada pelas leis vigentes para aquele trecho da Tijuca.   Art. 2º Aplicam-se ao imóvel objeto desta Lei Complementar, os usos e parâmetros urbanísticos definidos para Centro de Bairro 3 – CB-3 do Decreto nº 322, de 3 de março de 1976.   Segundo a Justificativa (mensagem nº 154 de 13/07/2016),   “O terreno em questão está inserido em Zona Residencial 3, com testadas para a Rua Campos Sales, Centro de Bairro 1, e para a Rua Gonçalves Crespo, também Zona Residencial 3, com Zoneamento e demais parâmetros urbanísticos definidos pelo Decreto nº 322, de 3 de março de 1976. Aos fundos do lote, está o Morro Baronesa de Lages e o Hospital São Vicente de Paulo”.   Isto significa que o terreno comportaria atividades comerciais de pequeno porte apenas no trecho com frente para a rua Campos Salles em construção baixa com até 30,00 m de profundidade a partir daquela testada. No restante, seriam permitidas algumas atividades, em prédios de uso exclusivo, como sedes administrativas e ensino.           Do mesmo modo que não há garantia de que estádios resolverão problemas financeiros dessas instituições, é de se indagar se liberar a construção de shoppings, à custa do solo e da paisagem urbanas, salva Clubes de Futebol. E se salvar clubes de futebol à custa do solo urbano é devido. Em 09/03/2017 a advogada e professora Sonia Rabello publicou em seu site A Sociedade em Busca do seu Direito: Clube do América coloca a Tijuca em cheque – Um jogo sem planejamento, cuja leitura é recomendável, bem como o alerta dado em Câmara do Rio faz Audiência Pública de ficção: o caso do América F.C. (20/03), de fato uma formalidade/ficção que precedeu a aprovação do PLC, pelos vereadores, apenas três dias depois (23/03 – Câmara do Rio aprova transformação da sede do América em shopping). Por outro lado, no artigo A Tijuca, o América e a cidade (OG, Opinião, 25/03), o autor Marcelo Burgos, professor da PUC, repete que: “…o único empreendimento que atende… é a construção de uma nova sede articulada a um shopping center”. (…) Afogado em dívidas, com sua sede interditada pela Defesa Civil, e ameaçado por pedidos de leilão, o clube agoniza. Mas consegue reunir sua última reserva associativa. (…) Em 2014, sua diretoria convocou a cidade para um ato público no auditório da Associação Brasileira de Imprensa, apresentando a proposta de reconstrução do clube. A partir de então, inicia-se a estruturação de um modelo de negócio capaz de assegurar que, sem vender um milímetro de seu patrimônio, o clube viabilizasse a construção de uma nova sede, e a geração de receita para honrar suas dívidas e formar atletas. Conclui-se que o único empreendimento que atende a esses objetivos é a construção de uma nova sede articulada a um shopping center. Mas, para isso, faz-se necessária a alteração do gabarito do terreno do clube. (…) Também repetimos e indagamos, de novo, se shopping salva clube. Vejamos porquê.   Uma breve pesquisa na internet aponta que o Botafogo e Flamengo têm dívidas. O primeiro projeta prejuízo para 2017 (notícia em 17/02); o segundo tem anunciado redução de dívidas, mas notícia de 26/01/2017 menciona que o clube precisa quitar dívida de R$400 milhões. Pedidos de colaboração de torcedores em propagandas no horário nobre da televisão são frequentes.   As dívidas pesam: o Botafogo projeta novo prejuízo para 2017 e precisa vender atletasAs dívidas pesam: o Botafogo projeta novo prejuízo para 2017 e precisa vender atletas

Flamengo – Dívidas, Maracanã e reforços: Maurício Mattos abre o jogo sobre situação do clube[...] Leia mais

O MÊS NO URBE CARIOCA – NOVEMBRO 2016

Sobre imagem do Google Maps, ainda sem o Campo de Golfe dito Olímpico

 

É raro um mês no Urbe CaRioca em que não se escreva sobre aumento de índices construtivos e liberação de gabaritos de altura, muitas vezes ações governamentais de interesse do mercado imobiliário, nem sempre as melhores decisões para as cidades. 
Quantos gestores mais cairiam se as mudanças nas leis urbanísticas e liberações de financiamentos para a indústria da construção civil fossem pesquisados a fundo? =&3=&

Artigo: ESTÁDIOS E O LEGADO DA COPA DO MUNDO FIFA 2014, de Ephim Shluger

O arquiteto, urbanista e atual Vice-Presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil IAB-RJ, Ephim Shluger, traça um panorama do ponto de vista urbanístico sobre o conjunto de ações do poder público – sob os critérios estabelecidos pela FIFA – para a realização da Copa do Mundo 2014 no Brasil. Entre outros aspectos analisa as perspectivas sobre possíveis melhorias para a população em decorrência, por exemplo, de projetos para promover a mobilidade urbana nas capitais escolhidas para receberem os jogos. Se, por um lado, nos dá conta de que foram aplicados critérios de sustentabilidade nas obras dos estádios, por outro aponta a ausência dos debates públicos e, até aqui, a existência de “impactos sócio-ambientais e estéticos preocupantes”. NOTA: O artigo foi publicado originalmente no Jornal Peru Molhado que circula na cidade de Búzios. Boa leitura. Urbe CaRioca  
ESTÁDIO DO MARACANÃ
Após a reforma realizada para a Copa do Mundo de 2014
foto: Wikimedia

Estádios e o legado da Copa do Mundo FIFA 2014
Por Ephim Shluger (*)
O maior legado de uma Copa, sem dúvida, é a nossa seleção conquistar o título de campeã do mundo. Esta é a perspectiva unânime, desde o torcedor comum ao mais fanático do futebol. Mas, para os organizadores locais da Copa do Mundo, o desafio maior era conseguir concluir, a tempo, todas as obras dos estádios e da infraestrutura de mobilidade urbana para o transporte público coletivo e para o transporte individual não-motorizado – incluindo ciclovias e calçadas para os pedestres chegarem e saírem dos estádios, segundo as diretrizes e critérios funcionais estabelecidos entre a FIFA e nossas autoridades públicas na matriz de responsabilidades.

Para a Copa do Mundo que está sendo disputada, o Brasil optou por sediar os jogos em 12 capitais, sendo que em quatro destas localidades não havia, anteriormente, estádios com a capacidade e os serviços exigidos pela entidade organizadora a FIFA. Portanto, tiveram que ser erguidos estádios novos. Nas demais cidades, os estádios existentes tiveram de ser reformados, e isso foi realizado a um custo total estimado de 9 bilhões de reais, segundo uma estimativa do Instituto Ethos.

Os elevados gastos públicos com a realização da Copa do Mundo logo suscitaram manifestações populares, com diferentes cores e matizes – desde os mais radicais, com slogans “Não teremos Copa” e “Go Home FIFA”, até os que questionaram as licitações das obras dos estádios, as modificações injustificáveis nos projetos e os recorrentes Termos Aditivos, engordando os contratos das empreiteiras e das empresas terceirizadas. Observadores mais atentos apontam que a falta de planejamento e de ações mais coordenadas entre os órgãos nacionais e locais, responsáveis pelo lançamento de editais e pela contratação de consórcios de empresas construtoras, resultaram em atrasos na execução dos projetos executivos e das obras. Como consequência, quase a totalidade dessas obras tiveram de ser modificadas no decorrer de sua realização.

Essa inadequação e ineficiência, cuja origem é detectada na excessiva flexibilização da legislação urbana para um regime de exceção, imposta pela FIFA e aceita sem debate ou consulta publica com órgãos representando arquitetos, urbanistas e engenheiros civis pelas autoridades públicas responsáveis, resultou em estruturas sem grandes inovações e na maior parte. 

Também não foi dada importância devida ao desenho urbano e à inserção dos estádios nos respectivos entornos, como no caso de Natal, Cuiabá, Manaus e São Paulo. As arenas localizadas próximos de bairros residenciais da periferia com precária provisão de serviços públicos urbanos, equipamentos socais e mobilidade, poderiam contribuir para melhorar a qualidade dos mesmos, mas por enquanto apontam para a outra direção a notar: os impactos sócio-ambientais e estéticos preocupantes. 
ESTÁDIO DO MARACANÃ
Instalação da cobertura que substituiu a marquise de concreto
foto: netvasco.com
O caso mais emblemático é o do Estádio do Maracanã no Rio, construído para sediar a Copa do Mundo de 1950, que era o orgulho da arquitetura e engenharia brasileiras, palco de memoráveis jogos de futebol, uma espécie de ícone para o imaginário carioca e um dos destinos mais procurado pelos visitantes e turistas. Ao completar seus 60 anos, o estádio, que era tombado pelos órgãos de proteção de patrimônio histórico e cultural, não atendia às condições de segurança e conforto atualmente preconizadas pela FIFA. Por outro lado, a sua imponente estrutura, erguida em concreto armado, viria a sofrer com tempo as deformações estruturais, exigindo intervenções, como a demolição da sua antiga marquise, substituída por uma leve treliça em aço inox, coberta por teflontransparente de alta resistência – um sistema com design e fabricação alemã. Novas passarelas e camarotes VIP, sistema de transmissão a cabo, sonorização e iluminação LED foram acrescidas na planilha das reformas, além de espaços mais amplos para a cobertura dos jogos, acomodando jornalistas da mídia internacional e permitindo a transmissão dos jogos em tempo real para cerca de 3 bilhões de telespectadores no mundo todo.  Um recorde de audiência batido, pois em países, como os Estados Unidos em que o futebol não é o esporte de preferência nacional, chegou a 50 milhões de telespectadores.

Nas obras dos demais estádios, agora denominados de arenas, acenando com outros possíveis usos além do futebol, foram adotados critérios de sustentabilidade, como o armazenamento e reuso da água pluvial para fins não potáveis – incluindo a rega do gramado e jardins, lavagem do estádio e descargas; captação de energia solar através de placas fotovoltaicas na cobertura, para geração de energia elétrica, e uso de materiais e equipamentos de construção com menor pegada de carbono.

No caso do Mineirão localizado na Pampulha, periferia de Belo Horizonte, o estádio precisou ser totalmente reconstruído. Foi preciso demolir a obra e começar do zero, preservando apenas o centro do gramado. O balanço final é que o custo da obra ficou em R$ 1,015 bilhões.  Lá as obras de infraestrutura autorodoviária e o sistema de mobilidade, em construção, não ficaram prontas para atender à demanda efetiva do público para os jogos.

A Arena Pantanal, de Cuiabá, também teve que fazer uma série de reformas para se adequar às exigências da FIFA. Tendo a capacidade de 27 mil assentos, um dos desafios colocados aos arquitetos foi o mínimo de 40 mil lugares nas arquibancadas. A solução encontrada foi acoplar arquibancadas metálicas e parafusadas, o que aumentou o número de lugares para 44.336. Para receber tanta gente, medidas de melhoria do sistema de circulação foram essenciais: placas de PVC foram acopladas às arquibancadas para refletir os raios solares, telas de aço foram inseridas nas laterais do estádio para permitir ventilação natural de ar e o plantio de árvores adaptáveis ao clima da região.
 
Alternativas semelhantes foram implantadas no Estádio Mané Garrincha, em Brasília, DF. Com disponibilidade para receber 72 mil torcedores, ele conta com cinco cisternas com a capacidade de armazenarem oito milhões de litros de água. O estádio também foi dotado de um anel com placas fotovoltaicas que gerará energia para abastecê-lo, produzindo ainda um excedente que será utilizado para reforçar a capacidade do reservatório de Brasília.

Uma diferença fundamental entre as obras está na concepção de seus planos financeiros de construção e provisão/instalação de equipamentos. Enquanto o Mané Garrincha e a Arena Pantanal foram construídas com fundos públicos, o contrato para reforma do Mineirão foi na forma de parceria público-privada (PPP). Foi aberta uma licitação para uma empresa privada construir e gerir o estádio. Em troca, o governo paga um valor mensal a essa empresa, correspondente aos gastos com a construção e manutenção. Depois de 27 anos, a obra voltará às mãos do Estado, que passará a administrá-lo. Entre as vantagens desse sistema, apontadas por especialistas, é a dinâmica mais rápida para a construção (já que a empresa não precisa recorrer a licitações para contratar todo e qualquer serviço), além de o governo não ter que desembolsar, de uma vez só, o valor da obra.

Já o Maracanã foi construído com recursos públicos, e foi feita a cessão (leasing), através de licitação pública, num sistema conhecido como BTO (build, transfer and operate). O consórcio vencedor será responsável pela programação do novo estádio para eventos desportivos e também para realização de eventos culturais e artísticos, tendo assegurado um contrato de longa duração.

Agora, temos a Copa do Mundo acontecendo nestes novos estádios. 

O legado construído será avaliado nos anos vindouros, dado que, na pressa para iniciar as obras, foram relegadas a segundo plano a implantação de métricas e instrumentos de avaliação técnica – indicadores de desempenho funcional, econômico e de satisfação do público torcedor. Faltou, também, nesses processos, o debate público entre os gestores públicos, arquitetos, urbanistas, engenheiros e a população em geral, interessada no futuro desenvolvimento, que busque resgatar a qualidade de vida das nossas cidades que receberam o vultuoso investimento para sediar a Copa do Mundo-FIFA 2014.

Neste momento, resta-nos torcer por nossa seleção, esperando que volte a brilhar nos gramados, jogando bem e avançando nesta etapa de competição. Que consigamos reacender a combalida alegria do povo brasileiro e mostremos ao mundo nosso peculiar futebol-arte, com a nossa singela improvisação criativa nos novos gramados, e que possamos também fazer refletir e aprofundar o entendimento do legado deste megaevento.

Os elefantes brancos somente aparecem na paisagem quando a sociedade como um todo não se organiza e não constrói coletivamente o projeto de futuro da sua cidade.

A consequência já conhecemos: investimentos públicos definidos sem visibilidade, desperdícios e oportunidades perdidas por toda a sociedade.     


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