Último casarão da Lagoa: memória carioca apagada pela especulação imobiliária

Não causou surpresa o destombamento de um dos últimos casarões históricos de frente para o espelho d’água mais famoso do Rio de Janeiro e que está prestes a desaparecer. Construído no início do século XX e marcado pelo charme arquitetônico de uma época em que Ipanema ainda preservava traços de bairro residencial, o imóvel localizado na Avenida Epitácio Pessoa, esquina com a Rua Joana Angélica, teve seu tombamento cancelado pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro em junho. A decisão abre caminho para a demolição e alimenta o avanço de novos empreendimentos no ponto mais cobiçado da Zona Sul. Ao modificar o decreto que, na época do tombamento definitivo (em 2002),  justificava que a casa “representa um marco referencial na paisagem da cidade e possui um grande valor afetivo para o carioca, considerando a necessidade de se adotarem medidas(Leia mais)

Revitalizar e pavimentar, de Roberto Anderson

Neste artigo publicado originalmente no Diário do Rio, o arquiteto Roberto Anderson destaca o uso sucessivo da expressão “revitalizar pela Prefeitura do Rio, incluindo em tais citações e exemplos a orla da Lagoa, o bairro da Glória, e outros tantos recantos da cidade. Porém, destaca que um item comum a essas intervenções é a pavimentação de áreas antes permeáveis. “A arquitetura e o urbanismo dos anos 90 foram pródigos em utilizar verbos iniciados pelo prefixo “re´. Reurbanizar, reabilitar, restaurar, revitalizar, requalificar, recuperar, eram expressões usadas nos mais variados contextos, muitas vezes de forma confusa ou abusiva”, afirma. Urbe CaRioca Revitalizar e pavimentar Link original Roberto Anderson é professor da PUC-Rio, tendo também ministrado aulas na UFRJ e na Universidade Santa Úrsula. Formou-se em arquitetura e urbanismo pela UFRJ, onde também se doutorou em urbanismo. Trabalhou no setor público boa parte(Leia mais)

Mais uma construção na beira da Lagoa

Com a proposta de oferecer uma experiência gastronômica diferenciada aliada à apreciação do visual paradisíaco da Cidade do Rio de Janeiro nas alturas, o projeto “MasterChef Brasil Nas Nuvens”, dos dias 2 de janeiro a 17 de abril de 2022, terá no Parque do Cantagalo, na Lagoa, um restaurante que ficará suspenso a 50 metros de altura. A questão que deve ser levantada é se esse será mais um equipamento provisório de fato, conforme citado na matéria abaixo, ou se teremos mais um “trambolho” permanente, a exemplo dos acréscimos realizados no complexo do Lagoon e de alguns outros já alvos de publicações neste blog (Veja ao final desta matéria), que nunca foram desmontados. Note-se que a previsão de permanência da construção é de quatro meses. Considerando o tempo de montagem – e o de desmontagem, se houver – serão quase(Leia mais)

Lagoon, na Lagoa, outra vez destino incerto

A Justiça do Rio decidiu pela reintegração de posse do espaço Lagoon, na Lagoa Rodrigo de Freitas, na Zona Sul do Rio, conforme noticiado na coluna de Ancelmo Gois, no jornal O Globo. Em janeiro de 2020, o governo notificou a concessionária de que não havia interesse na renovação do termo de permissão de uso do imóvel na Avenida Borges de Medeiros. Em agosto deste ano, a Justiça negou o pedido de recurso da empresa para impedir a reintegração do espaço Lagoon. Segundo a decisão, a concessionária responsável pela gestão do local não conseguiu explorar com êxito o espaço, o que provocou prejuízo econômico. A Justiça determinou um prazo de 90 dias para que a empresa desocupe o imóvel, cedido pela Prefeitura do Rio para a exploração de espaço gastronômico e cultural na cidade.

Clube Flamengo – Afinal, quer ambos: Arena e Estádio

Notícias veiculadas pela grande mídia nos últimos anos mostram que o Clube  Flamengo quer construir um equipamento esportivo no terreno a ele cedido pelo Governo do Estado nos anos 1930. Os informes se alternam: ora o clube pretende erguer uma Arena de Basquete, ora um Estádio de Futebol. A capacidade também varia conforme a época da divulgação. Até o local escolhido já foi itinerante – Zona Sul, Zona Oeste e Zona Norte -agora aparentemente fixado no que é apelidado Campo da Gávea, embora o terreno fique na confluência dos bairros Leblon, Lagoa e Gávea (provável resquício de quando a cidade era dividida administrativamente em ‘Freguesias’, como as da Glória, Gávea e Lagoa, por exemplo). Há poucos dias divulgamos que o governador havia aberto o caminho para dar viabilidade aos desejos do clube – no caso, uma arena multiuso com capacidade(Leia mais)

Clube Flamengo – o trambolho perene e uma obrazinha de manutenção

Parece brincadeira. Uma das “contrapartidas” por liberar a construção de uma arena esportiva (ou estádio?) na confluência dos bairros Leblon, Lagoa e Gávea, é o clube assumir o conserto de elevadores nos edifícios da Cruzada São Sebastião, e obras de urbanização no mesmo conjunto habitacional, seja lá o que isto signifique. Um acordo totalmente sem sentido, que nada justifica. Basta lembrar que na ocasião da construção do Shopping Leblon o empreendedor ficou responsável pela pintura dos edifícios, obra literalmente “de fachada” que foi executada – de má qualidade, por sinal – resultado de gosto duvidoso que o tempo e as intempéries apagaram rapidamente, voltando o conjunto a ter o aspecto deplorável de sempre. Vale repetir sempre que a Zona Norte implora por investimentos e equipamentos urbanos que qualifiquem bairros e promovam desenvolvimento econômico. Os antolhos dos gestores públicos impedem a(Leia mais)

Clube Flamengo: mais um erro urbano-carioca a caminho

O jornal “O Globo” noticiou nesta quinta-feira, dia 12 de abril, que o caminho para a construção de uma arena (e/ou estádio?) no terreno cedido ao Clube Flamengo, foi aberto. É o que informa a reportagem “Pezão assina termo e regulariza terreno para arena multiuso do Flamengo”. Os argumentos apresentados pelos representantes do governo e do clube são tão inconsistentes que dispensam outros comentários. Cabe lembrar que o terreno localiza-se na confluência dos bairros Leblon, Gávea e Lagoa, junto à Lagoa Rodrigo de Freitas, e que a construção causará, no mínimo, forte impacto negativo sobre a paisagem urbana. Enquanto o Rio de Janeiro destrói o Autódromo de Jacarepaguá (e quer construir outro em uma das únicas áreas livres e verdes da Zona Norte, em Deodoro); o Governo Estadual vende imóveis de sua propriedade para a construção de mais edifícios  em locais(Leia mais)

DE TRABALHADORES NÃO PAGOS A ARENAS INÚTEIS, LEGADO OLÍMPICO DO RIO DE JANEIRO TORNA-SE HERANÇA A LAMENTAR, de Scott Stinson

O título acima é tradução livre do artigo publicado no site National Post – www.nationalpost.com – no último dia 24. Em relato detalhado o autor faz várias indagações, desde sobre o paradeiro das sementes levadas por atletas durante a lindíssima abertura dos Jogos Olímpicos – que seriam destinadas à formação de um parque no pólo de Deodoro – até o prometido tratamento de esgotos que nunca chegou, sendo substituído por uma solução barata: barreiras destinadas a afastar os dejetos dos locais de competições, uma solução temporária. Dívidas, falta de recursos para transformar arenas em escolas conforme plenejado, Parque Olímpico e Parque de Deodoro abandonados, um campo de golfe sem manutenção e praticamente sem uso… O quadro apresentado é desolador, infelizmente. Como já comentamos em vários posts, até aqui se pode afirmar que os principais pontos positivos apresentados como consequência dos(Leia mais)

CLUBE FLAMENGO – POR QUE NA GÁVEA/LEBLON/LAGOA?

E a reação de moradores da região. Na última sexta-feira, 12/05, publicamos CLUBE FLAMENGO – AGORA É UM ESTÁDIO. ACÚSTICO., quando foi assinado protocolo de intenções entre o Clube e a Prefeitura com vistas à construção de um estádio de futebol, no mesmo terreno onde hoje ficam o campo, uma arquibancada de concreto, e a sede social do clube, no Leblon, Zona Sul do Rio de Janeiro.  O assunto frequentava estas páginas virtuais desde março/2015. O rubro-negro anunciara a intenção de construir uma arena multiuso com capacidade para 4.000 pessoas, seguida pela hipótese de um estádio de médio porte (v. lista no final do artigo), desejo antigo daquele e de vários outros clubes de futebol (v. FLAMENGO, FLUMINENSE, BOTAFOGO… TODO CLUBE QUER ESTÁDIO!). A questão levantada em abril/2016 em CLUBE FLAMENGO – AFINAL, ARENA OU ESTÁDIO?fora praticamente esclarecida quando reportagem na(Leia mais)

PEDIDO AO PREFEITO ELEITO: 2 – ARENA DO FLAMENGO, TARDE DEMAIS / CAMPO DE GOLFE, AINDA HÁ TEMPO

“Após ELEIÇÕES MUNICIPAIS: SEM PEDIDOS AOS CANDIDATOS (30/09/2016), publicamos hoje um pedido ao prefeito eleito. Esperamos que seja o primeiro de uma série. O blog aceita sugestões dos seus caros leitores, com vistas a novas postagens. Daqui a um mês um novo prefeito do Rio de Janeiro estará à frente do Poder Executivo, um dia após tomar posse no cargo para o qual foi eleito. Não obstante seu futuro antecessor tenha realizado alguns projetos interessantes – com destaque para a demolição do Elevado da Perimetral e a reurbanização da orla marítima no Centro da cidade, do ponto de vista urbanístico houve equívocos.” (…) Trecho de PEDIDO AO PREFEITO ELEITO: 1 – RESPEITO ÀS ÁREAS PÚBLICAS Clube Flamengo:trambolhos e privilégios também à beira da Lagoa Rodrigo de Freitas.Foto: Urbe CaRioca, dez.2016 Entre assuntos polêmicos recorrentes no Urbe CaRioca, para a lista de “pedidos”(Leia mais)