NO FLAMENGO e DO FLAMENGO – MORADIA, HOTEL, ABANDONO e INVASÃO – AI QUE EDIFÍCIO COMPLICADO!


A foto é do O Globo.


Na última semana um grupo, aparentemente de moradores de rua, ocupava a Cinelândia portando faixas e cartazes que reivindicavam ‘direito à moradia’. A imprensa informava que as pessoas haviam sido retiradas de um prédio da CEDAE por elas invadido. O mesmo grupo invadiu o prédio do Clube Flamengo que fica na Avenida Rui Barbosa nº 170 na última segunda-feira. Segundo as notícias, o número inicial de noventa pessoas está aumentando e algumas pessoas já participaram de outras invasões.

Para quem não se lembra, o edifício abrigaria um hotel de Eike Batista, para o que a Prefeitura aprovou uma lei específica permitindo a modificação do uso residencial, para além dos benefícios que teria pelo Pacote Olímpico 1 – por exemplo, a obrigação de receber habite-se até dezembro de 2015, uma das balelas do “Pacote”. O alcaide ainda perdoou dívida de cerca de R$16 milhões de IPTU devido pelo Clube ao município, para facilitar a negociação. A lei urbanística especial, não por acaso, foi proposta por então vereadora que presidia o rubro-negro.


Imagem: Blog Urbe CaRioca, em 2013, sobre Google Maps

Antiga sede do clube, moradia de atletas e de inquilinos, faria parte do “Triângulo da EBX”, que a empresa pretendia criar junto com o Hotel Glória e um empreendimento comercial de grande porte, a ser erguido no Parque do Flamengo – área pública e bem cultural tombado – proposta que foi rechaçada pela sociedade, não obstante os esforços a favor da Prefeitura, da Câmara de Vereadores, da indústria hoteleira, e do IPHAN.


Quanto ao prédio arrendado à EBX-REX, hoje abandonado e invadido, Eike faliu, e a obra do hotel não foi adiante, assim como a reforma do Hotel Glória, ícone do Rio mutilado, e também abandonado. Os inquilinos despejados foram substituídos pelos novos “inquilinos” sem contrato de aluguel. Segundo o noticiário o edifício será adquirido por outra cadeia hoteleira, repasse ainda em negociação.


Enquanto isso a Prefeitura do Rio de Janeiro diz precisar de dinheiro: brigou em Brasília e vende Chão, Céu e Subsolo.




Pergunta-seO IPTU generosamente dispensado à custa do contribuinte será pago? Será devolvido aos cofres públicos com atualização monetária?

Esse e outros hotéis que porventura não fiquem prontos no prazo, demolirão os muitos metros quadrados e andares a mais autorizados pelo Pacote Olímpico 1?

O blog também está rubro. De vergonha.
Urbe CaRioca

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HOTÉIS E BENESSES: CRESCE A POLÊMICA

Como divulgado aqui no último dia 07 em EXTRA! HOTÉIS: OUTRO PACOTE, NOVAS BENESSES, tramita na Câmara de Vereadores o Projeto de Lei Complementar nº 79/2014 que amplia ainda mais as vantagens concedidas para o mercado da construção civil e a indústria hoteleira na cidade do Rio de Janeiro pelo conjunto de leis que ficou conhecido por ‘Pacote Olímpico 1′, de 2010, quanto a aumento de área a construir e de gabaritos, além da redução de áreas livres nos terrenos e novas isenções fiscais.

Uma semana depois reproduzimos o artigo da jurista Sonia Rabello que apontou outros aspectos, inclusive questionando a constitucionalidade da proposta, conforme a postagem Artigo – OLIMPÍADAS COMO PRETEXTO: VEREADORES DO RIO PROPÕEM LEI DE EXCEÇÃO PARA HOTÉIS, de Sonia Rabello.

O assunto repercutiu nas redes sociais e foi duas vezes citado pela newslettwer Ex-Blog, na segunda com a chamada PLC-79/2014: “CENTROS DE CONVENÇÃO” OU MAIS ESPECULAÇÃO IMOBILIÁRIA?

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SEMANA 03/03/2014 a 07/03/2014 – GUARATIBA, HOTÉIS E QUARTOS OLÍMPICOS, E UM PASSEIO ARQUITETÔNICO-URBANÍSTICO EM ALAGOAS


“Querer eternizar os usos como as bondosas leis previram, sabe-se que é inviável, uma obrigação sobre a qual é impossível haver controle. ‘No popular’ é ‘conversa para boi dormir’.

Trecho de MAIS SOBRE HOTÉIS E QUARTOS A MAIS

 

 

Publicações da semana que passou e textos mais lidos
Os posts imediatamente anteriores – com a marchinha sobre o incrível sumiço de vigas de aço da finada Perimetral, que continuam desaparecidas; artigo de Pedro da Luz sobre Guaratiba; novas considerações sobre o número de hotéis e respectivos quartos olímpicos; e as jóias arquitetônico-urbanísticas do sertão de Alagoas visitadas por Aílton Mascarenhas.
NOTA – Além de receber os links para as postagens por e-mail (v. “Follow by e-mail“), também é possível conhecer os textos e artigos do blog através da rede social Facebook: basta ‘curtir’ a página de mesmo nome: Urbe CaRioca
Blog Urbe CaRioca



Segunda, 03/03/2014

SEMANA 24/02/2014 a28/02/2014 – CAMPO DE GOLFE NO JORNAL O GLOBO, MAIS SOBRE AS VARGENS, E O SUMIÇO DAS VIGAS 

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MAIS SOBRE HOTÉIS E QUARTOS A MAIS

No início de fevereiro, em 04/02/2014, publicamos PACOTE OLÍMPICO E HOTÉIS: QUARTOS A MAIS. Hoje a newsletter Ex-Blog fez o seguinte comentário:  

HOTÉIS: POR QUE A QUEDA DE OCUPAÇÃO NO CARNAVAL DO RIO 2014?

 1. (Flavia Oliveira – Negócios & Cia) Os hotéis do Rio tiveram 77,75% de ocupação média no carnaval. Foi quase 10 pontos percentuais menos que no ano passado (87,25%), informa a ABIH. Dos hóspedes 68% eram brasileiros. Na Barra, que concentra a maioria dos novos projetos de hotelaria, a retração beirou 15 pontos, caindo de 81,77% em 2013 para 67,54%, este ano.

 2. Por quê? A ABIH acha que é pelo aumento do número de leitos. Mas se for assim, como será fora da Copa/ JJOO? Mas… Será pelos preços? Será pela crise? Será pela violência? Será pelo trânsito? Será…? Cabe uma explicação para que o setor com a construção de hotéis à força de incentivos fiscais, não enfrente uma crise fora e depois dos grandes eventos”.

Luz e Forma


Nas análises que fizemos a respeito do assunto – as benesses urbanísticas concedidas ao mercado hoteleiro e, por conseguinte, ao mercado imobiliário e ao setor da construção civil, pelo conjunto de leis municipais conhecido por Pacote Olímpico 1 – sempre demonstramos preocupação com as consequências para a cidade de tantos índices urbanísticos especiais e isenções de impostos, sob a bandeira do momento: “Tudo é prá Olimpíada”, mesmo que – não o seja ou que não se justifique com tal argumento, como, por exemplo, a mutilação da Reserva Ambiental da Lagoa de Marapendi para a construção de um Campo de Golfe.

Querer eternizar os usos como as bondosas leis previram, sabe-se que é inviável, uma obrigação sobre a qual é impossível haver controle. ‘No popular’ é “conversa para boi dormir”. Leia mais