Capela dos Escravos, símbolo da memória negra no Rio, será reaberta após anos fechada

Durante séculos, a história do Rio de Janeiro passou por lugares que hoje parecem invisíveis em meio à pressa do Centro. Um deles é a Capela dos Escravos, no conjunto franciscano do Largo da Carioca, um pequeno espaço religioso marcado pela memória da escravidão, pela devoção a São Benedito e por uma história que remonta ao período colonial. Fechada há anos, a antiga capela está prestes a voltar a receber fiéis e atividades religiosas. A reabertura ganha um significado especial porque o espaço será novamente ocupado por uma instituição formada por negros e profundamente ligada à história da luta pela liberdade no Rio: a Imperial Irmandade de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito dos Homens Pretos. A partir deste sábado, 17 de outubro, a confraria inicia uma nova etapa de sua presença no local, aproximando duas instituições centenárias e(Leia mais)

Receita para evitar discussões inúteis e brigas, manter amizades e não criar inimizades durante o período eleitoral

Andréa Albuquerque G. Redondo “ Art. 14. A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos, e, nos termos da lei (…). –  Constituição Federal de 1988 Caro amigo, Ofereço o caminho perfeito para se evitar discussões inúteis entre opostos a caminho do sufrágio universal, afastar brigas, manter amizades construídas ao longo do tempo e não criar inimizades, em especial durante períodos eleitorais conturbados. A fórmula se aplica a todos os lugares onde os ânimos estejam exaltados, onde cada um queira puxar a brasa para a sua sardinha, e convencer o espectador a mudar de ideia a qualquer preço. Segue a sugestão. A RECEITA Ingredientes obrigatórios: Respeito; máscara de teatro No, para esconder sentimentos; cara de paisagem, variante do item anterior; estoicismo, para ouvir, calado, bordões como se fossem novidade;(Leia mais)

Vagão de Dom Pedro II: a disputa entre Rio e Petrópolis e o desafio de preservar a história

A proposta de transferir para Petrópolis o Carro Imperial, vagão construído em 1886 para transportar Dom Pedro II e sua família, reacendeu o debate sobre a preservação do patrimônio histórico brasileiro e o acesso público a esse legado. Enquanto um abaixo-assinado defende a transferência da peça para o Museu Imperial, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) rejeita a mudança e promete restaurar o Museu do Trem, no Engenho de Dentro, na Zona Norte do Rio de Janeiro, fechado à visitação desde 2019. Mais do que decidir em qual cidade o vagão original deve ficar, o essencial é garantir sua preservação e a reabertura do Museu do Trem. Onde quer que a peça histórica permaneça, a outra cidade poderia receber uma réplica, permitindo valorizar a memória imperial sem comprometer o acesso da população a esse patrimônio. Urbe CaRioca(Leia mais)

Antigo campus da Gama Filho dará lugar a complexo do Sesc RJ

O antigo campus da Universidade Gama Filho, em Piedade, na Zona Norte do Rio de Janeiro, será transformado em um complexo do Sesc RJ dedicado à cultura, educação, esporte, lazer, saúde e assistência. Com 17 mil metros quadrados de área construída, o Centro Integrado de Atividades Sesc Senac tem a inauguração da primeira etapa prevista para fevereiro de 2027 e deverá ampliar a oferta de serviços e espaços de convivência na região. O empreendimento faz parte do plano de expansão do Sesc RJ, que prevê a criação, ampliação e modernização de 18 equipamentos em diferentes regiões do estado até 2030. Entre as instalações previstas estão biblioteca, teatro, praça de alimentação, áreas de convivência e estruturas esportivas, incluindo parque aquático com piscina olímpica e quadra de vôlei de praia. A iniciativa dará uma nova destinação ao antigo campus universitário, cuja instituição(Leia mais)

Ex-subprefeito da Barra lança livro sobre a relação entre crime, política e ocupação territorial no Rio

Thiago Barcellos lançará, no dia 6 de outubro, no Leblon, o livro “Cidade Refém — Facções, milícias e políticos: O Rio foi sequestrado”, em que revisita sua experiência como ex-subprefeito do Centro e da Barra da Tijuca para expor bastidores da administração pública e as pressões políticas que, segundo seu relato, cercaram ações de fiscalização e ordenamento urbano. A obra parte de episódios vividos entre 2009 e 2017 para discutir a relação entre decisões do poder público, ocupação irregular do território e interesses políticos e econômicos. Ao reconstruir casos como o da Muzema e analisar a expansão de facções e milícias, Barcellos procura mostrar como o controle territorial ultrapassa a dimensão da violência armada e alcança a exploração imobiliária, a cobrança por serviços e a formação de redes de influência. O livro também questiona os resultados de políticas de urbanização(Leia mais)

Reviver o Rio demolindo o que ainda existe

Causa espanto a notícia que o Centro Empresarial Arcos da Lapa, na Rua Teixeira de Melo, junto ao Passeio Público, será demoldo. Um edifício de grande porte, cuja a construção tem apenas 42 anos e foi remodelada há menos de dez. Só pode ser coisa de país rico. Pela imagem nota-se que há harmonia entre o prédio em questão e vizinho, onde funciona o IBGE. Sabe-se lá o que o substituirá em nome do chamado Reviver Centro, que põe abaixo o que sobrou na Ipanema do século XX, ainda preservada pelo fato de que terrenos pequenos eram inviáveis para receber edifício com gabaritos altos perante as leis vigentes. Eram. O tal “Reviver” atropelou a lei com outra a contrariar a existente. Urbe CaRioca ‘Bota-abaixo’: prédio empresarial do Centro será demolido para virar residencial Victor Serra – Diário do Rio Link(Leia mais)

Decretar não basta: o tempo que separa o decreto da solução

O desabamento de parte de um dos casarões do Cosme Velho expôs um problema sempre alertado por moradores: a deterioração de imóveis históricos e a dificuldade do poder público para transformar diagnósticos de risco em ações efetivas. A resposta da Prefeitura declarou os casarões n. 362 e 370 da Rua Cosme Velho como de utilidade pública para fins de desapropriação, além de anunciar e novas “desapropriações”, incluindo a Casa Portinari e o Solar dos Abacaxis. Há diferença importante entre anunciar a desapropriação e resolver o problema. O decreto de utilidade pública não importa na compra imediata do imóvel. É apenas o início de um processo para que a propriedade possa ser incorporada ao patrimônio público e, posteriormente, receber uma nova destinação. No caso do Cosme Velho, a Prefeitura fala em leilões e recuperação, mas ainda há um caminho administrativo e(Leia mais)

Tempos do Rio, por Andréa Redondo

Crônica publicada originalmente na Página da Oficina Literária Eduardo Affonso, em 17/09/2026. Urbe CaRioca   Tempos do Rio Andréa Albuquerque G. Redondo   “Hoje o tempo voa amor / Escorre pelas mãos Mesmo sem se sentir / E não há tempo que volte, amor Vamos viver tudo que há pra viver / Vamos nos permitir…” Lulu Santos em Tempos Modernos Apesar de saber anunciada sua morte por diversas vezes, afirmo que o Centro do Rio de Janeiro vive. Menos pujante, capenga, talvez claudicante. Não estranhes a palavra anterior. É intencional, termo escolhido a dedo, o bico de pena mergulhado na tinta, letras desenhadas com vagar, como escrevo este texto dedicado a ti, caro leitor. É meu desejo que pares, olhes e sigas em busca de um tempo jamais perdido. Pelo contrário, será tempo achado, tal como serão encontrados os lugares(Leia mais)

A batalha perdida pela Torre Eiffel da Rua do Ouvidor

Registro sobre uma das joias arquitetônicas entre muitas que o Rio de Janeiro teve e que, por diferentes circunstâncias, deixou desaparecer. A história da Torre Eiffel da Rua do Ouvidor é também a história de uma cidade que, diante da possibilidade de preservar um de seus mais expressivos símbolos urbanos, não conseguiu — ou não quis — fazê-lo. O edifício que durante décadas marcou a paisagem, o comércio e a memória afetiva do centro carioca foi demolido em 1967, apesar dos alertas de Rubem Braga, da mobilização de órgãos de patrimônio e da atuação de nomes como Lúcio Costa. O que aconteceu com a Torre Eiffel revela, assim, muito mais do que a perda de uma construção: expõe as fragilidades de uma política de preservação que, entre interesses imobiliários, disputas institucionais e hesitações administrativas, permitiu que uma parte insubstituível da(Leia mais)

Livraria Academia do Saber abre mais uma filial no Centro do Rio

Em tempos em que o encerramento de livrarias se tornou uma notícia cada vez mais frequente, a abertura de uma nova unidade da Livraria Academia do Saber no Centro do Rio é, por si só, uma excelente notícia. A nova filial, instalada recentemente na tradicional Rua da Carioca, representa mais do que a expansão de um negócio: reafirma a importância do livro, da leitura e dos espaços dedicados à cultura numa região que carrega uma parte fundamental da história intelectual e comercial da cidade. Num momento em que a concorrência das plataformas digitais e as dificuldades económicas têm levado muitas livrarias a fechar as portas, ver uma nova loja abrir no coração do Rio tem um significado especial. A chegada da Academia do Saber à Rua da Carioca ajuda a manter viva a vocação cultural do Centro e demonstra que(Leia mais)