Sem fios e sem calçadas

Uma triste CrôniCaRioca

Andréa Albuquerque G. Redondo, 20/09/2017

Hoje este site urbano-carioca trataria de fiação aérea e pavimentação de calçadas, assuntos que fazem parte da vida do morador da Cidade do Rio de Janeiro no seu dia-a-dia.

Impossível.

Tombos, estética e perigos causados pelo descaso com detalhes urbanos perdem a importância diante de mais uma onda de violência que cresce a cada minuto no nosso Rio que, dizem, é a Cidade Maravilhosa, ou, quem sabe, tenha sido.[...] Leia mais

Calçadas em postos de abastecimento : Lei descumprida e Prefeitura “não tem como auxiliar”

É o que diz a Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro.

Hugo Costa, geógrafo, interessado nas questões que afetam o dia a dia do carioca e o desenvolvimento urbano da nossa metrópole, traz um depoimento sobre pedido para que fosse exigida a construção de calçadas em um posto de abastecimento, como manda a lei.

Segundo a resposta, a obrigação da Prefeitura é transferido para o setor privado. Inacreditável. Veja abaixo.[...] Leia mais

CALÇADAS, POSTOS DE GASOLINA, PEDRAS PORTUGUESAS, ETC.

Recentemente o prefeito do Rio de Janeiro anunciou proposta para passar a usar outro tipo de revestimento nas calçadas da cidade, o chamado ‘piso intertravado’. Comentamos o assunto polêmico na postagem O PREFEITO, OS BURACOS, E AS PEDRAS PORTUGUESAS.

Cabe ressaltar – como foi mencionado diversas vezes nos debates pelas redes sociais – que não é o material que garantirá a boa qualidade das calçadas, mas, sua conservação e manutenção. Como exemplo temos as calçadas de Ipanema, revestidas parcialmente com piso intertravado e nem tão bem conservadas assim: os remendos devido a consertos nas redes subterrâneas são mais visíveis do que nas calçadas de pedras portuguesas.[...] Leia mais

O PREFEITO, OS BURACOS, E AS PEDRAS PORTUGUESAS

As pedras portuguesas voltam à pauta. Já passearam por este site pelo menos três vezes, nos posts:

PEDRAS PORTUGUESAS E CARIOCAS (20/07/2012)

É UMA PEDRA PORTUGUESA, COM CERTEZA! (15/04/2014)

PEDRAS PORTUGUESAS E “SEU LÉCIO”: UM CALCETEIRO CARIOCA (06/09/2015)

Conforme noticiado recentemente, o prefeito do Rio de Janeiro traz uma nova proposta. A reportagem do último dia 16/07 informa que a “Prefeitura tem projeto que promete acabar com buracos em calçadas” (jornal OG).[...] Leia mais

A ZONA PORTUÁRIA E O BOULEVARD EXPRESSO: Comentários de Edison Musa, Roberto Anderson, e outros

A nova via expressa na Zona Portuária do Rio
Foto: O Globo – Márcia Foletto


A imagem publicada pelo jornal O Globo no último dia 21/06 suscitou vários comentários nas redes sociais, todos questionando a solução urbanística adotada que inspirou o título desta postagem.

Arquitetos, urbanistas e historiadores opinaram a partir da leitura, do ponto de vista urbanístico, desse espaço constituído pela Avenida Rodrigues Alves, resgatado para o Rio de Janeiro após a demolição do Elevado da Perimetral, no escopo do chamado projeto de revitalização da Zona Portuária, e lamentam o resultado.

Talvez daqui a 40 anos outro prefeito mude tudo mais uma vez.

Urbe CaRioca

A ZONA PORTUÁRIA E O BOULEVARD EXPRESSO: COMENTÁRIOS

A PROPAGANDA E A REALIDADE


1. A foto da primeira página de O Globo de hoje, mostra, finalmente, o resultado catastrófico da substituição da via elevada da perimetral, por oito pistas muradas, onde os pedestres são excluídos, enviados para uma calçada unilateral.
Basta recordar as visões animadas iniciais do projeto, quando a frente do cais era transformada em um calmo Boulevard, onde passeavam alguns carros sobre um jardim gramado.
A realidade ficou bem diferente. Pior do que trocarmos seis por meia dúzia, fica a sensação de uma perda irreparável, pois, por mais que se queira valorizar o espaço criado junto à Praça Mauá,  o que é inegável, não há como fugir do corredor que foi criado junto ao Cais.
Pena. Fazer, para nós já é muito difícil, pelas dificuldades de recursos. Fazer mal é trágico. – Edison Musa

2. A Rodrigues Alves pela fotógrafa Marcia Foletto: uma via expressa, um prolongamento da Av. Brasil, uma via hostil ao pedestre. A demolição da Perimetral gerou a Orla Conde, que o prefeito gosta de chamar de Boulevard, e um trecho aproximadamente igual de via expressa, exemplo de solução ‘rodoviarista’ do século passado, com poluição sonora e tráfego intenso de alta velocidade. Nada mais enganoso para quem esperava a “revitalização” da Área Portuária! – Roberto Anderson

3. Poderia ser infinitamente melhor, mas não foi. Venderam gato por lebre. Sempre defendi a permanência da Perimetral como Line Park. Pelo menos havia a vista da Baía. Escrevi a respeito na época em que se discutia o projeto: “tudo leva a crer que será uma via expressa com um paredão de galpões escondendo o mar”. – Jane Santucci

4. Concisão e precisão. Enfim, um relato da exclusão do pedestre (sobre o comentário de Edison Musa). – Sonia Rabello

5. O projeto da Avenida Rodrigues Alves como nós viemos a conhecer, foi concebido pelos ingleses juntamente com o projeto do cais e armazéns do porto marítimo do Rio de Janeiro, em 1910. Com o explosivo crescimento urbano do Rio, e a pouca prática de planejamento urbano durante esses anos, as obras autoviárias tomaram conta da urbe. A alteração drástica do projeto original – publicado no livro “Cidades em Transformação” – foi para pior para a nossa cidade e compromete seu futuro desenvolvimento de forma sustentável. – Ephim Shluger

6. Melhor que a Perimetral é o que não é nenhuma vantagem, pois a Perimetral era horrível (para dizer o mínimo), mas, sem dúvida, houve propaganda enganosa uma vez que os projetos apresentados prometiam outra coisa. Lamentável! Governos no Brasil não cansam de desapontar… – Luiz Eurico Ferreira Filho

7. Um viaduto ao rés-do-chão. – Mauro Almada

8. Lamentável! O Projeto original não contava que o Porto do Rio ainda vivia, era ativo e estava em processo de revitalização. Esta via projetada ficava abaixo do nível dos prédios, previstas passarelas para o grande Parque. Quem sabe se daqui a 30 anos quando os contratos de arrendamentos dos armazéns findarem, e outra solução seja encontrada para o Porto, não se fará o verdadeiro “Porto Maravilha”!!!??? – Maria Ernestina Gonçalves da Cunha

9. A “abertura” para o mar também está restrita ao entorno da Praça Mauá. Tudo isso é um grande engodo e deveria ter sido submetido à aprovação, por meio do diálogo, da população. Muito $$$$$%%% e barulho por nada de efetivamente relevante e pertinente para a nossa qualidade de vida. – Marcus Alves





Avenida Rodrigues Alves, início do Século XX
Blog Um Postal por Dia

A Perimetral chegando. Foto: CP Doc JB
A Perimetral chegando. A Avenida Rodrigues Alves era arborizada no canteiro central e, pelo menos, em uma das laterais. Foto: JB

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CONSTITUIÇÃO, A DOS PÉS-DE-MOLEQUE, EM ‘PROSPECÇÕES CASUAIS’ de Eduardo Cotrim

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Rua da Constituição, Centro, Rio de Janeiro, out/2015.
Foto: Marconi Andrade


PROSPECÇÕES CASUAIS

Eduardo Cotrim
Em a Mão e a Luva, logo no início, Machado de Assis conta que um dos três pretendentes da jovem Guiomar, o Luís Alves, mais ambicioso, morava na Rua da Constituição…
“(…) que então se chamava dos Ciganos, – então, isto é, em 1853, uma bagatela de vinte anos lá se vão (…)”.
No final da história, Luís Alves e Guiomar dialogam. O bruxo do Cosme Velho não diz onde, mas provavelmente no sobrado da Constituição.  Já estavam casados há um mês.
“(…) E com um modo gracioso continuou:
– Mas que me dá você em paga? Um lugar na câmara? Uma pasta de ministro?
– O lustre do meu nome, respondeu ele.
Guiomar, que estava de pé defronte dele, com as mãos presas nas suas, deixou-se cair lentamente sobre os joelhos do marido, e as duas ambições trocaram o ósculo fraternal.
Ajustavam-se ambas, como se aquela luva tivesse sido feita para aquela mão.”
Enfim, ainda que Guiomar não tenha ganhado um lugar na câmara nem pasta de ministro, não fosse o VLT, não enxergaríamos os pés-de-moleque a um metro das calçadas, coisa que Luís Alves em 1874 também não via mais. Por outro lado, ironicamente, nada sobrou das casas em que Machado viveu.
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Eduardo Cotrim é arquiteto
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ENTRE BANCOS, PLACAS, TRAMBOLHOS, UFAs E REMOÇÕES… DE PESSOAS

Divulgação – Prefeitura

Divulgamos na Página Urbe CaRioca do Facebook a notícia de que a Prefeitura, dando sequência às comemorações pelos 450 anos de fundação da Cidade do Rio de Janeiro, encomendou 160 bancos de concreto no formato dos números seccionados que compõem a marca comemorativa daquela data e pretendem formar o perfil de um carioca. Segundo o jornal Extra no último dia 05 cada banco custará R$4.300,00. Não pretendíamos comentar o assunto no blog, mas devido ao número de visualizações na Página, muito acima da média, repetimos a pergunta: “O que acha o leitor do Urbe CaRioca?”.

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TRAMBOLHOS JÁ VISTOS E À VISTA – BICICLETÁRIOS COM CHUVEIRO E OFICINA


Rua Maria Eugênia esquina com Rua Humaitá, Botafogo
Foto: Urbe CaRioca


Os caros leitores do blog conhecem a série “Trambolhos”, onde mostramos construções permanentes e temporárias que, em geral, obstruem áreas públicas seja impedindo a livre circulação de pedestres, causando impacto negativo sobre a paisagem urbana do Rio de Janeiro, além dos que chamamos de ‘provisório-permanente’, isto é, estruturas que deveriam permanecer no local durante curto espaço de tempo e que acabam por tornarem-se definitivas, tanto pela perenidade quanto pelas idas e vindas que caracterizam sua continuidade.


Foto: SAC – AMIGOS DE
 COPACABANA, jan. 2015



Nas imagens alguns exemplos: bancas de jornal que impedem a passagem nas calçadas, extensão de quiosques na orla marítima, cobertura de lona no Estádio de Remo da Lagoa, cobertura no Forte de Copacabana, na Avenida Atlântica







Há pouco a Prefeitura anunciou a intenção de instalar contêineres para guarda de bicicletas na cidade, com chuveiros para os usuários tomarem banho. e prestação de serviços de oficina. O que em princípio parece ser boa providência – incentivar o uso do transporte individual via as simpáticas “magrelas” – não deve sobrepor-se à qualidade do espaço urbano, nem áreas públicas serem transformadas em oficinas que, evidentemente, se alastrarão em volta dos contêineres. Os gestores públicos têm o dever de buscar solução adequada que não prejudique mais ainda nossa tumultuada paisagem urbana e os espaços urbanos que são de todos.

Por que não pequenos depósitos nas muitas lojas hoje vazias espalhadas pela cidade, que poderão até oferecer sanitários e banho aos ciclistas mediante pagamento módico, como no caso dos postos de salvamento da orla? Que a Prefeitura alugue os espaços ou proponha sua administração pela iniciativa privada!

E, antes de tudo, que crie ciclovias seguras em todos os bairros.


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VIADUTO ENGENHEIRO FREYSSINET, NO RIO COMPRIDO – PELA DEMOLIÇÃO, OU…


UM BAIRRO, UMA AVENIDA, UM VIADUTO. NA URBE CARIOCA.
Blog Rio Antigo Fotos

A AVENIDA PAULO DE FRONTIN já foi um lugar aprazível. É o que mostram as fotografias de um Rio de Janeiro que não existe mais pelo menos desde os anos 1970, quando foi construído sobre ela o Viaduto Engenheiro Freyssinet, o popular Elevado da Paulo de Frontin.

Um de seus pares, o Elevado da Perimetral, também não mais existe. Foi demolido como parte das obras de reurbanização da Zona Portuária do Rio de Janeiro, no escopo do projeto chamado Porto Maravilha.




A grande diferença entre a Perimetral e muitos outros elevados espalhados pela cidade é que aquele viadutopassava principalmente por locais de uso predominantemente industrial, transportes e serviços – fábricas, armazenagem e linhas férreas para distribuição de cargas na retroárea do Porto do Rio -, e comercial ao longo da Área Central; outros atingiram áreas estritamente residenciais e de comércio local.






O Elevado da Perimetral, que, ao mesmo tempo e levou degradação e sombras ao “andar de baixo”, relegou bairros antigos e históricos ao esquecimento, e, paradoxalmente, contribuiu para a manutenção de características daquela ocupação que vieram a ser protegidas em seguida com a criação da Área de Proteção Ambiental conhecida por Projeto SAGAS – iniciais de Saúde, Gamboa e Santo Cristo. Nesses bairros a APAC preservou morros e o casario existente. Por outro lado, no trecho entre a Praça Mauá e o Aeroporto Santos Dumont não poupou construções históricas, entre as quais o antigo Mercado Municipal, primeiro seccionado e depois demolido, restando a solitária torre onde funciona o restaurante Albamar.

A presença do viaduto, a desativação dos ramais ferroviários e a complicada questão fundiária foram a receita para o abandono que durou décadas, não obstante várias tentativas dos governos locais de revitalizarem a região, travadas pelos governos federais aos quais os gestores municipais invariavelmente eram ‘oposição’.

Finamente o projeto teve início, empurrado por conveniente união entre as esferas governamentais e o apelo dos grandes eventos: Copa do Mundo e Jogos Olímpicos 2016. O modelo adotado – torres gigantescas a serem construídas mediante compra de títulos – ainda não deslanchou. Criticado por urbanistas e juristas, se dará certo, o futuro dirá. A mais recente tentativa de atrair investidores foi permitir “quitinetes” na área, os antigos “apartamentos JK”, para incentivar a construção habitações populares… ou sacrificar o urbanismo, na visão de Sonia Rabello.




Esta longa reflexão visa remeter à presença de tantos outros viadutos igualmente responsáveis pela degradação e desvalorização de bairros ou trechos de bairros residenciais talvez de modo ainda mais perverso do que o caso da Perimetral, ao atingirem diretamente a vida dos moradores e frequentadores, enquanto outros tantos continuam a ser construídos ao longo das “Transtudo”, cujos impactos ainda não podem ser avaliados.


Foto: Guilherme Maia*, 29/05/2014

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