SEMANA 19/08/2013 a 23/08/2013 – HOTÉIS, DEMOLIÇÕES, ESTAÇÃO GÁVEA, E O METRÔ-TRIPA EM 2016

“Em tempos de manifestações, aguardemos as opiniões das instituições ligadas ao urbanismo e ao meio ambiente, e da academia, sobre a enxurrada hoteleira e a invasão predadora da Floresta da Tijuca, enquanto o Hotel Nacional continua abandonado. E de juristas sobre tantos benefícios fiscais…”.

Trecho de DEMOLIÇÕES 3 – OS HOTÉIS E O PACOTE OLÍMPICO 1

 

Internet
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DEMOLIÇÕES 3 – OS HOTÉIS E O PACOTE OLÍMPICO 1

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No lugar da “casa rosa”, será construído hotel com projeto sustentável
Marcelo Carnaval / Agência O Globo

O incentivo às indústrias da construção civil e hoteleira exacerbado nos últimos cinco anos, retratado em Rio + 20 LEIS URBANÍSTICAS, continua a dar frutos, ao menos para alguns segmentos: a Cidade do Rio de Janeiro é um canteiro de obras. Quanto ao o futuro do cidadão que sofre no transporte público e nas filas dos hospitais públicos todos os dias, só o futuro dirá.

     

O post RIO DE JANEIRO – HOTÉIS EM REFORMA, EM CONSTRUÇÃO, EM PROJETO OU EM ESTUDOS ainda é um dos mais acessados do blog, possivelmente pelo impacto que causa a lista enorme reproduzida dos estudos da professora Ana Luiza Nobre.

Na semana passada o jornal O Globo informou que as últimas casas da Avenida Atlântica darão lugar a hotéis de luxo. As demolições já começaram.

No Leme o Edifício Erlu, um prédio art-decó de oito andares, será substituído por um hotel de 60 apartamentos, como informou a coluna Gente Boa em fevereiro.

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OS SOCOS DO PREFEITO, ISTAMBUL, E A POLÍTICA URBANA


Muitos já escreveram sobre os socos que o prefeito desferiu no rapaz que interrompeu momentos de lazer do alcaide. Não cabe alongar o caso. O músico não tinha o direito de ofender e insultar o Chefe do Executivo, nem este de revidar as ofensas com socos. O primeiro reconheceu os insultos e o segundo desculpou-se com a população. Ponto final.


O que nos interessa é o motivo da discussão.


Conforme a imprensa, a indignação do ‘contribuinte’ deveu-se à política urbana praticada pela Prefeitura, que entende equivocada. Nota de esclarecimento divulgada pelo músico diz:


Nossa critica é contra um poder municipal que loteia NOSSA cidade, desapropria e expulsa os pobres, abrindo lugar para os ricos. Uma gestão de poucos, que vem promovendo, à revelia de muitos, uma violenta elitização do Rio de Janeiro – nitidamente vinculada à especulação imobiliária.
 Como não reagir a isso? São questões de NOSSA cidade, que afetam nossas vidas diariamente, e sobre as quais não conseguimos ser ouvidos. Estamos sendo aniquilados por um modelo de gestão autoritário e excludente. Impossível não se afetar. Impossível se calar, quando temos a chance de ser ouvidos”.

O jornal NYT, comentando o lamentável episódio, utiliza o termo ‘gentrification’: “[the constituent]…said he had directed his scorn at Mr. Paes because he believed that the mayor’s policies were benefiting a select group of real estate speculators and contributing to gentrification ahead of the 2014 World Cup and 2016 Summer Olympics…”. A notícia na íntegra pode ser lida neste link. =&1=&, uma tradução literal do inglês “gentrification” que não consta nos dicionários de português, a um conjunto de processos de transformação do espaço urbano  que, com ou sem intervenção governamental, busca o aburguesamento de áreas das grandes metrópoles que são tradicionalmente ocupadas pelos pobres, com a consequente expulsão dessas populações mais carentes, resultando na valorização imobiliária desses espaços’.
cristovao1.wordpress.com

Ou seja, o tema que provocou a reação do Prefeito foi a Política de Urbanismo. Nada sobre hospitais, escolas, desordem pública, transportes, o dia a dia da cidade… Muito embora todos esses tópicos enquadrem-se em ‘urbanismo’ -, o alvo do protesto foram as decisões que produzem efeitos a médio e longo prazos e que podem durar décadas ou séculos: transformações urbanas e o uso do solo!




Pouco tempo depois o noticiário internacional dá conta dos distúrbios na Turquia que crescem a cada dia – as manifestações contra o governo que se espalharam por várias cidades. Curiosa e infelizmente o estopim da revolta aconteceu em função da derrubada de árvores em uma praça vizinha a um parque público, em Istambul, para a construção de um shopping-center!  Por óbvio os motivos da revolta são mais abrangentes e envolvem aspectos político-culturais complexos. Mas, vieram à tona quando da agressão a um espaço público, propriedade do povo, de fato, para seu uso, gozo e fruição, destinatário final que é dos espaços públicos: a Praça Taksim, no Parque Gezi, no coração da cidade.

Impossível não nos lembrarmos da Praça N. S. da Paz e da construção de empreendimento comercial  no Parque do Flamengo proposta com o apoio governamental.

A quem interessar, relatos importantes estão em What is Happening in Istambul? e em O Véu, o Álcool e a Mini-saia, da jornalista Helena Celestino

Wikimedia



Voltando à urbe carioca, em 27/05/2013 arquitetos e urbanistas reuniram-se para o debate Uma cidade em transformação: intervenções urbanas no Rio de Janeiro.


Vale conhecer o resultado do encontro relatado no blog RioReal criado pela jornalista e escritora americana Julia Michaels: além de comentários gerais sobre as discussões, a autora exalta a qualidade do debate – em suas palavras ‘difícil haver uma troca tal como a desse encontro’ –  e lista as sete principais críticas apontadas sobre a política urbana que vem sendo adotada no município do Rio de Janeiro.


Os últimos acontecimentos demostram que movimentos pela gestão democrática da cidade que nasceram na década de 1980, e perderam força ao longo do tempo, estão de volta. A voz da sociedade civil – prevista nos Planos Diretores de 1992 e 2010, na Lei Orgânica do Município e no Estatuto da Cidade, tem se feito ouvir.

Exemplos estão nas manifestações contra a devastação da Praça Nossa Senhora da Paz em nome de uma decisão errada sobre as prioridades no traçado do Metrô; na corrente que se formou contra a demolição do prédio do antigo Museu do Índio  suspensa depois de ter sido autorizada pelo Prefeito; na luta para impedir a diminuição da Área de Preservação Marapendi e o uso de áreas públicas para a construção de um campo de golfe; nas ações judiciais e movimentos de associações de moradores decididos a garantir a proteção do Parque do Flamengo/Marina da Glóriaprevista em lei, e impedir a construção de um Centro de Convenções e Shopping-Center no parque público; no abraço ao prédio e na missa celebrada em intenção da preservação do Quartel General da PM que tem 200 anos de História; nas discussões sobre o Píer da Zona Portuária.


E, ainda, na organização de encontros institucionais e acadêmicos; e nos inúmeros abaixo-assinados que questionam decisões prejudiciais ao meio ambiente, ao patrimônio cultural e ao uso do solo.


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Artigo: A DINÂMICA DE LICENCIAMENTOS DE OBRAS NO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO, por Gisela Santana

A urbanista Gisela Santana analisa o crescimento do mercado imobiliário e os impactos do expressivo número de novas construções – seja pela expansão do território construído sobre áreas livres ou através da renovação urbana. Os dados estatísticos são da Prefeitura e foram apresentados na última reunião do Conselho Municipal de Política Urbana, em 25/-4/2013. O artigo também aponta a ausência ou insuficiência da infraestrutura que deveria acompanhar a demanda criada pela exacerbação das construções – saneamento e transportes, por exemplo – e outros aspectos importantes como as consequentes perdas ambientais. A arquiteta é mestre em Desenvolvimento Urbano, doutora em Psicologia Social e autora do livro Marketing da “sustentabilidade” habitacional. Boa leitura! =&1=& =&2=&=&3=& Gisela Santana Na reunião ordinária do Conselho Municipal de Política Urbana– COMPUR, realizada nesta quinta-feira, 25 de abril de 2013, no Centro de Arquitetura e Urbanismo, em Botafogo,o tema da vez foi o comportamento do licenciamento dos novos empreendimentos, aspectos do mercado imobiliário e o desenvolvimento urbano da cidade. Tenho acompanhado de perto as ações e os impactos do mercado imobiliário sobre a cidade, em especial da Área de Planejamento 4, onde resido e, nos últimos anos, tem correspondido a área com maior índice de licenciamentos do Rio de Janeiro. Especificamente no que se refere à Freguesia, bairro charmoso, cinco vezes menor que a Barra da Tijuca, que tem despertado o interesse imobiliário desde 2005. E, em março de 2013, sozinho, representou 1/6 (40. 534 m2) dos licenciamentos de toda a cidade (249.870 m2 e 159 bairros), como se pode verificar no link:  http://200.141.78.79/dlstatic/10112/3616889/DLFE-69320.pdf/LicencasMarco2.0.1.3.site.pdf =&7=&

CAMPO DE GOLFE: LÁ, UM SUSPIRO DE ALÍVIO. AQUI, TRISTEZA E INDIGNAÇÃO.

“A sigh of relief went up this morning in Rio de Janeiro”. By Bradley S. Klein March 19, 2013 7:47 a.m. www.golfweek.com
Photo by Associated Press

Luxury condominiums overlook the area, on left, where the Rio 2016 Olympic golf course is planned to be built in Rio de Janeiro’s Barra da Tijuca neighborhood, Brazil. Rio 2016 organizers faced an unexpected challenge to deliver the first Olympic golf tournament in more than 100 years because of a legal dispute over the land where the historic course is supposed to be built.

“Um suspiro de alívio surgiu esta manhã no Rio de Janeiro”.

Assim começa a notícia publicada anteontem na página Golfweek. “O trabalho finalmente começa no campo de golfe Rio 2016”. Trata-se do famigerado gramado criado pelo chamado Pacote Olímpico 2, conjunto de leis que contêm inúmeras benesses urbanísticas questionáveis, aumentam índices construtivos por toda a cidade, e violentam as normas existentes em nome de inexplicável necessidade (?) frente aos grandes eventos que o Rio receberá.


No caso específico do campo de golfe que nasce da mutilação da Área de Proteção Ambiental do Parque Ecológico Marapendi e da eliminação de trecho da via parque que contornaria toda a lagoa, não adianta chorar. Inês é morta, não obstante os protestos da população e as muitas manifestações contrárias.

Túmulo de Ines de Castro, Mosteiro de Alcobaça Portugal
Imagem: Internet



O Pacote foi aprovado, sem o Bode. O que não fez diferença, afinal, era só  o bode na sala, aquele da conhecida piada.


As explicações detalhadas estão nos posts PACOTE OLÍMPICO 2 – O CAMPO DE GOLFE E A APA MARAPENDI e em CAMPO DE GOLFE, UM DECRETO DISCRETO.


Que fique o registro em português bem brasileiro e carioca: o suspiro de alívio de alguns é uma bofetada no Rio de Janeiro, dada justamente por quem deveria defender a cidade, mas que a tem colocado à venda. 


Sistematicamente.[...] Leia mais