A Linha 4 e os erros de planejamento do metrô do Rio

A carta do leitor Gerard Fischgold, publicada no O Globo desta quarta-feira, merece atenção por ampliar uma discussão que já havia sido levantada em vários artigos deste site sobre a Linha 4 e sua integração ao eixo da Linha 1. Ao apontar a não conclusão de projetos e conexões que poderiam ter fortalecido a rede metroviária do Rio, o leitor chama atenção para um problema que vai muito além de uma linha específica: a histórica falta de planejamento integrado da mobilidade carioca. A questão central não é apenas quantos quilômetros de metrô foram construídos, mas quais conexões deixaram de ser realizadas e como essas escolhas afetaram a formação de uma verdadeira rede de transporte. O comentário também reforça uma percepção importante: o Rio frequentemente tratou sua infraestrutura de mobilidade como um conjunto de obras isoladas, e não como partes de(Leia mais)

A “Linha 4” é a Linha 1 espichada: o engodo continua

Este site dedicou várias postagens ao projeto de extensão da Linha 1 do Metrô, batizado errônea e escandalosamente de Linha 4. Desta, existe apenas o trecho que atinge o Jardim Oceânico, sempre lotado devido à superposição das Linhas 1 e 2. A Linha 4 original ligaria Botafogo à Barra da Tijuca via Humaitá, Jardim Botânico e Gávea, dando início ao desejado metrô em rede de que a cidade do Rio de Janeiro e seus moradores precisam. Em seu lugar, a prioridade foi atender aos visitantes quando tudo era “pra Olimpíada”. A reportagem publicada no jornal O Globo mais uma vez detalha aspectos ligados à Estação Gávea, objeto de nova gambiarra sobre trilhos. Urbe CaRioca Linha 4 do metrô do Rio: dez anos após inauguração, trajeto ainda opera com metade da capacidade Às vésperas de completar uma década de operação, linha(Leia mais)

Praça vira negócio: Prefeitura vende área verde na Barra para empreendimento comecial

A transformação de um espaço público em área de exploração comercial voltou a acender o alerta sobre as prioridades da gestão urbana no Rio de Janeiro. Parte da Praça Gilson Amado, na Avenida das Américas, na Barra da Tijuca, foi vendida pela Prefeitura em leilão no fim de 2023 e agora começa a ser cercada para dar lugar a um empreendimento privado — decisão que provocou forte reação entre moradores da região. O caso também reacende um debate mais amplo: nos últimos anos, a Prefeitura passou a leiloar terrenos públicos na Barra da Tijuca como estratégia para arrecadar recursos, incluindo áreas localizadas na própria Avenida das Américas. Para quem vive no entorno, a venda da praça simboliza mais um capítulo da transformação de espaços de convivência coletiva em ativos imobiliários. Moradores questionam não apenas a alienação do terreno, mas também(Leia mais)

Aprovação política vs. impasse jurídico: a nova batalha pelo Parque Olímpico

A aprovação, pela Câmara de Vereadores, do projeto que institui o Parque do Legado Olímpico não encerrou as disputas e debates sobre o futuro da área na Barra da Tijuca. Antes de o processo legislativo ser concluído, o Ministério Público apresentou nova manifestação na ação civil pública que discute a legalidade da Operação Urbana Consorciada. Para os promotores, a ausência de um Estudo de Impacto de Vizinhança — obrigatório, segundo o marco legal mais recente — inviabiliza qualquer avanço, mesmo diante da chancela política do Legislativo. O MP argumenta que antigos julgamentos e decisões não impedem a análise atual, especialmente porque o novo Plano Diretor, aprovado em 2024, reforça a exigência do EIV para operações urbanas consorciadas. Assim, enquanto o governo municipal comemora um suposto renascimento da área olímpica, a disputa técnica e jurídica permanece em aberto. Enquanto o debate(Leia mais)

VLT na Zona Sul: Um erro de planejamento

Ontem um leitor deste blog nos informou que o projeto para o VLT voltará à baila. Supusemos ser notícia antiga, pois a Prefeitura trouxe o assunto a público em 2022, e nada mais se ouviu a respeito. Na ocasião, analisamos a proposta do ponto de vista prático para o atendimento à população carioca, com a qual, por óbvio, não concordamos, conforme argumentos apresentados. Para surpresa, o trenzinho de brinquedo do Prefeito quer voltar, no lugar da devida e desejada Linha 4 (a verdadeira) do Metrô, substituída pela Linha 1 esticada por uma gambiarra à Linha 2, tudo “pra Olimpíada” conforme o alcaide apregoava em meio a mentiras por ele assumidas. A seguir, nossas considerações a respeito, links para as postagens de 2022. Urbe CaRioca O recente anúncio do projeto do VLT Zona Sul, apresentado pela Prefeitura do Rio de Janeiro,(Leia mais)

Rio, sempre à venda

Uma disputa urbana se desenrola na Barra da Tijuca, onde moradores de um condomínio de alto padrão conseguiram barrar, na Justiça, o leilão de um terreno da prefeitura avaliado em mais de R$ 21 milhões. O motivo da revolta? A possibilidade de o espaço ser destinado à construção de um templo religioso, contrariando a destinação legal prevista em lei. A decisão judicial, em caráter liminar, reflete um embate cada vez mais comum nas grandes cidades: o conflito entre interesses coletivos da vizinhança, legislação urbanística e o uso de terrenos públicos. O caso revela ainda como uma simples consulta da prefeitura pode mobilizar a sociedade e suspender procedimentos de alto impacto financeiro e político. Urbe CaRioca Moradores impedem que terreno da Barra da Tijuca vire templo religioso Terreno com lance mínimo de R$ 21 milhões, posto em leilão, fica na Barra(Leia mais)

Urbanismo na Zona Portuária sob a análise de Pedro Jorgensen

O comentário abaixo foi publicado pelo arquiteto Pedro Jorgensen em sua página no Facebook, denominada “Organização espacial e história urbana – estudos, publicações, ideias”. As observações referem-se à reportagem publicada no Diário do Rio, intitulada “Região Portuária seguirá trajetória de valorização da Barra, acredita vice-presidente do Secovi Rio”. Segundo afirmação de Leonardo Schneider, vice‑presidente do Secovi Rio, na referida reportagem, a transformação da Zona Portuária do Rio em um novo polo imobiliário já está em andamento. Schneider compara esse processo ao que ocorreu na Barra da Tijuca: antes subvalorizada, transformou-se ao longo dos anos por meio de infraestrutura e projetos urbanísticos. A seguir, a opinião de Pedro Jorgensen: “Organização espacial e história urbana – estudos, publicações, ideias” Por Pedro Jorgensen O título dessa matéria (abaixo) deixa claro o ponto de vista desde o qual ela foi escrita – o dos(Leia mais)

Lá vem ele de novo: Sempre o Gabarito

Mais uma vez vende-se o inexistente para aumentar gabaritos existentes fixados por lei urbanística. Mais uma vez os conceitos do Plano Piloto para a Baixada de Jacarepaguá são desconsiderados. Ironia das ironias, aumenta-se a população para levar mais demanda ao tráfego, sob a justificativa de melhorar as condições do tráfego. Cogita-se mudar o BRT para VLT, trocar as letrinhas da sopa duvidosa que custou muitos recursos públicos “pra olimpíada”, provou-se ineficaz, e será substituído pelo trenzinho elétrico, brinquedo dos governantes que não configura transporte de massa. Ah, Rio de Janeiro, o que seria de ti não fossem as montanhas e o mar… Urbe CaRioca Mais de um milhão de metros quadrados: projeto para novo parque temático prevê melhorias no trânsito da Barra Ideia foi concebida pelo Grupo Rock World, promotor do Rock in Rio e do festival The Town, em(Leia mais)

Vendo o Rio: faltou dizer

A notícia publicada neste sábado, no portal Tempo Real RJ informa que a Prefeitura do Rio agora dispõe de um terreno de 6.158,70 m², localizado entre a Avenida Salvador Allende e a Avenida Célia Ribeiro da Silva Mendes, na Barra da Tijuca, oficialmente integrado ao patrimônio da cidade pelo decreto nº 55408, publicado no Diário Oficial desta sexta-feira,  e que pode até ser colocado à venda, caso o prefeito Eduardo Paes decida transformar o ativo em um reforço financeiro. Omite que se trata de mais uma área pública – isto é, de toda a população, para ser usufruída seja como praça, parque, jardim. Espaço livre para ser apreciado, entrada de ar, luz e céu. O prefeito que se diz defensor do Meio Ambiente continua na saga oposta. Ocupar cada vez mais as áreas vazias existentes entre as construções, áreas assim(Leia mais)

Sempre o Gabarito nem sempre dá certo

E o gabarito desmoronou. As benesses excessivas ao mercado imobiliário provam-se perniciosas ou ineficientes. Boas para poucos, prejudiciais a muitos e à Cidade. Perdemos o Autódromo. O prometido autódromo novo jamais será feito. Saímos do circuito internacional. Ganhamos vários elefantes brancos. Como esquecer a Ilha (im)Pura? A demolição do prédio da antiga Brahma, substituído por uma torre vazia? O fiasco das CEPACs e os rios de dinheiro público que passaram pelo Porto dito maravilha, anunciado como parceria público-privada e arrematado pela Caixa Econômica Federal? As gigantescas isenções de impostos, dinheiro que seria de todo caso aplicado na Cidade, equipamentos urbanos públicos – escolas, postos de saúde, transportes? A falsa Linha 4 do Metrô, e o aproveitamento duvidoso de uma licitação antiga? O Campo de Golfe na reserva que impediu a conclusão de importante avenida na Barra da Tijuca? Os hotéis(Leia mais)