Quem se lembra da “horta” na Lapa?

Algumas experiências parecem fadadas ao insucesso. Era evidente que a horta comunitária localizada na Lapa/ Centro, em frente aos Arcos da Lapa – para alguns um jardim – não iria adiante. Os motivos foram delineados em várias postagens neste Urbe CaRioca, inclusive em artigo do arqueólogo Claudio Prado de Mello. Cabe ressaltar que em nenhum momento a iniciativa em si foi criticada, mas, o local escolhido e a falta de cuidados e manutenção que se vislumbrava, infelizmente.[...] Leia mais

MORRO DO PASMADO E A PAISAGEM MACULADA – HOMENAGEM E DESPRESTÍGIO

Não é a primeira vez que a Enseada de Botafogo e seu entorno – parte da paisagem urbana que deu título da UNESCO ao Rio de Janeiro – são ameaçadas por elementos estranhos.

Houve quem quisesse instalar uma dupla inesperada na beira d´água – estátuas de Mané Garrincha e de Machado de Assis lado a lado, próximo ao Morro da Viúva que ninguém vê -, salpicar o piso do calçadão de estrelas pretas, e instalar um chafariz no espelho d’água. Por ali também foi cogitada a instalação do monumento às vítimas do Holocausto, objeto desta postagem.[...] Leia mais

VIADUTO ENGENHEIRO FREYSSINET, NO RIO COMPRIDO – PELA DEMOLIÇÃO, OU…


UM BAIRRO, UMA AVENIDA, UM VIADUTO. NA URBE CARIOCA.
Blog Rio Antigo Fotos

A AVENIDA PAULO DE FRONTIN já foi um lugar aprazível. É o que mostram as fotografias de um Rio de Janeiro que não existe mais pelo menos desde os anos 1970, quando foi construído sobre ela o Viaduto Engenheiro Freyssinet, o popular Elevado da Paulo de Frontin.

Um de seus pares, o Elevado da Perimetral, também não mais existe. Foi demolido como parte das obras de reurbanização da Zona Portuária do Rio de Janeiro, no escopo do projeto chamado Porto Maravilha.




A grande diferença entre a Perimetral e muitos outros elevados espalhados pela cidade é que aquele viadutopassava principalmente por locais de uso predominantemente industrial, transportes e serviços – fábricas, armazenagem e linhas férreas para distribuição de cargas na retroárea do Porto do Rio -, e comercial ao longo da Área Central; outros atingiram áreas estritamente residenciais e de comércio local.






O Elevado da Perimetral, que, ao mesmo tempo e levou degradação e sombras ao “andar de baixo”, relegou bairros antigos e históricos ao esquecimento, e, paradoxalmente, contribuiu para a manutenção de características daquela ocupação que vieram a ser protegidas em seguida com a criação da Área de Proteção Ambiental conhecida por Projeto SAGAS – iniciais de Saúde, Gamboa e Santo Cristo. Nesses bairros a APAC preservou morros e o casario existente. Por outro lado, no trecho entre a Praça Mauá e o Aeroporto Santos Dumont não poupou construções históricas, entre as quais o antigo Mercado Municipal, primeiro seccionado e depois demolido, restando a solitária torre onde funciona o restaurante Albamar.

A presença do viaduto, a desativação dos ramais ferroviários e a complicada questão fundiária foram a receita para o abandono que durou décadas, não obstante várias tentativas dos governos locais de revitalizarem a região, travadas pelos governos federais aos quais os gestores municipais invariavelmente eram ‘oposição’.

Finamente o projeto teve início, empurrado por conveniente união entre as esferas governamentais e o apelo dos grandes eventos: Copa do Mundo e Jogos Olímpicos 2016. O modelo adotado – torres gigantescas a serem construídas mediante compra de títulos – ainda não deslanchou. Criticado por urbanistas e juristas, se dará certo, o futuro dirá. A mais recente tentativa de atrair investidores foi permitir “quitinetes” na área, os antigos “apartamentos JK”, para incentivar a construção habitações populares… ou sacrificar o urbanismo, na visão de Sonia Rabello.




Esta longa reflexão visa remeter à presença de tantos outros viadutos igualmente responsáveis pela degradação e desvalorização de bairros ou trechos de bairros residenciais talvez de modo ainda mais perverso do que o caso da Perimetral, ao atingirem diretamente a vida dos moradores e frequentadores, enquanto outros tantos continuam a ser construídos ao longo das “Transtudo”, cujos impactos ainda não podem ser avaliados.


Foto: Guilherme Maia*, 29/05/2014

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