Artigo: A DINÂMICA DE LICENCIAMENTOS DE OBRAS NO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO, por Gisela Santana

A urbanista Gisela Santana analisa o crescimento do mercado imobiliário e os impactos do expressivo número de novas construções – seja pela expansão do território construído sobre áreas livres ou através da renovação urbana. Os dados estatísticos são da Prefeitura e foram apresentados na última reunião do Conselho Municipal de Política Urbana, em 25/-4/2013. O artigo também aponta a ausência ou insuficiência da infraestrutura que deveria acompanhar a demanda criada pela exacerbação das construções – saneamento e transportes, por exemplo – e outros aspectos importantes como as consequentes perdas ambientais. A arquiteta é mestre em Desenvolvimento Urbano, doutora em Psicologia Social e autora do livro Marketing da “sustentabilidade” habitacional. Boa leitura! =&1=& =&2=&=&3=& Gisela Santana Na reunião ordinária do Conselho Municipal de Política Urbana– COMPUR, realizada nesta quinta-feira, 25 de abril de 2013, no Centro de Arquitetura e Urbanismo, em Botafogo,o tema da vez foi o comportamento do licenciamento dos novos empreendimentos, aspectos do mercado imobiliário e o desenvolvimento urbano da cidade. Tenho acompanhado de perto as ações e os impactos do mercado imobiliário sobre a cidade, em especial da Área de Planejamento 4, onde resido e, nos últimos anos, tem correspondido a área com maior índice de licenciamentos do Rio de Janeiro. Especificamente no que se refere à Freguesia, bairro charmoso, cinco vezes menor que a Barra da Tijuca, que tem despertado o interesse imobiliário desde 2005. E, em março de 2013, sozinho, representou 1/6 (40. 534 m2) dos licenciamentos de toda a cidade (249.870 m2 e 159 bairros), como se pode verificar no link:  http://200.141.78.79/dlstatic/10112/3616889/DLFE-69320.pdf/LicencasMarco2.0.1.3.site.pdf =&7=&

MARINA DA GLÓRIA: HOJE, ‘ROAD-SHOW’ NO IAB

REUNIÃO COM EBX-REX, PREFEITO, IPHAN NACIONAL,  VEREADORES do RIO, e MÍDIA
Às 18h, discussão sobre As Formigas enquanto O Elefante caminha a passos largos.
Imagem: Estadão
Como foi explicado semana passada no post MARINA DA GLÓRIA, NOVOS CAPÍTULOS o road-show da empresa que pretende construir Shopping e Centro de Convenções na parte do Parque do Flamengo onde funciona a Marina da Glória prosseguirá hoje, dia 24, às 18h, com a apresentação pela EBX-REX e pelo arquiteto autor do projeto na sede do Instituto dos Arquitetos do Brasil-IAB, evento promovido pelo CAU/RJ e pelo IAB-RJ.

Repetimos à exaustão que a marina é um equipamento urbano público da Cidade do Rio de Janeiro, área non-edificandionde são admitidas apenas as construções previstas no plano dos anos 1960, características que o tombamento protegeu: localização, volumetria e usos. E que não precisaria haver debate porque Os Mistérios não Interessam.=&2=&

Artigo: UMA POLÍTICA EQUIVOCADA, por Luiz Fernando Janot




O título do artigo do arquiteto e professor Luiz Fernando Janot refere-se a problemas relacionados à política urbana que vem sendo praticada mundialmente. Os conceitos e exemplos apontados na parte inicial do texto formam o caminho que leva ao que ocorre no Rio de Janeiro, onde bairros consolidados carecem de investimentos e a expansão desenfreada contribui para o abandono daquelas regiões.



Internet
E, enquanto a Zona Portuária pede investimentos da iniciativa privada, a Prefeitu-REX e o IPHAN-REX querem que a T-REX construa no parque público…
Boa leitura!
Blog Urbe CaRioca

Luiz Fernando Janot

‘Não há razão para expandir a estrutura urbana do Rio enquanto bairros tradicionais da Zona Norte sobrevivem à míngua pela falta de investimentos públicos e privados’


Desde os tempos mais remotos se observa a preocupação em tornar as sociedades mais justas e mais humanas. Alguns modelos de cidade foram idealizados com esses objetivos. O conceito de “Cidade Jardim” proposto em 1902 por Ebenezer Howard, as teorias modernistas de Le Corbusier reunidas no livro “Urbanismo” em 1925 e a “Broadacre City” apresentada por Frank Lloyd Wright em 1932, são alguns exemplos paradigmáticos.
No Brasil, foram poucas as cidades planejadas sob a influência desses princípios. Brasília foi, sem dúvida, a que mais se destacou como representação do modelo de urbanismo modernista do século XX. Concebida inicialmente para ser uma cidade igualitária viu esse ideal sucumbir diante da proliferação, em seu entorno, de cidades satélites constituídas pela população excluída do seu núcleo central. O fracasso dos objetivos desse e de outros projetos modernistas revelou aos arquitetos e à sociedade o fim da cidade ideal e a valorização da cidade possível, isto é, aquela com a qual estamos habituados a conviver.
A história nos mostra que as cidades não são como maquetes feitas para serem vistas de cima e na sua totalidade. Para se conhecer uma cidade é necessário andar por suas ruas, apreciar as suas particularidades, conviver com as suas gentes e admitir os seus contrastes e as diferenças. Afinal, como afirma Ítalo Calvino em seu livro “Cidades Invisíveis”, “de uma cidade não aproveitamos as suas sete ou setenta e sete maravilhas, mas a resposta que dá às nossas perguntas”. Quanto mais circulamos pelos seus espaços diferenciados maiores serão as probabilidades para refletir e entender os seus verdadeiros significados. Pessoas que vivem exclusivamente em ambientes socialmente restritos dificilmente poderão compreender a verdadeira dinâmica urbana de uma cidade.



Além das questões das desigualdades sociais, dos problemas de mobilidade urbana e de preservação do meio ambiente, as cidades contemporâneas enfrentam, nos dias de hoje, muitas outras dificuldades. Nas cidades europeias sobressai a problemática dos imigrantes que vivem em condições precárias em redutos pobres localizados nas suas periferias. No Oriente Médio, os espaços públicos costumam ser ocupados por populações marginalizadas que nascem, vivem e morrem nas ruas, como se observa na Índia. Na China, proliferam, em velocidade espantosa, cidades com cerca de 30 milhões de habitantes, ou seja, mais do que o dobro da população da cidade de São Paulo.

O Rio, apesar de todos os malfeitos praticados contra a cidade ao longo do tempo, sobrevive estoicamente graças à sua fantástica beleza natural e ao espírito fraternal do carioca. Se os programas de pacificação e urbanização de favelas se consolidarem como política de Estado não há dúvida de que a desejada integração social no espaço urbano será alcançada definitivamente. Lamenta-se, no entanto, o isolamento de alguns que preferem restringir o convívio, exclusivamente, aos espaços fechados dos condomínios residenciais e dos shoppings centers.

É fundamental que esse processo de integração social e espacial alcance toda a cidade. Nesse sentido, não há razão para expandir desnecessariamente a sua estrutura urbana enquanto bairros tradicionais da Zona Norte sobrevivem à míngua pela falta de investimentos públicos e privados. Como a população do Rio praticamente não cresce, verifica-se que a extraordinária oferta de imóveis na região da Barra e do Recreio se deve, em parte, à demanda dos moradores dos subúrbios que para lá se mudam deixando para trás inúmeros imóveis desocupados e espaços urbanos degradados. Basta percorrer o curto trajeto entre o Maracanã e o Engenhão para constatar essa triste realidade. Se os órgãos responsáveis pelo planejamento da cidade não reverterem essa tendência expansionista, em curto prazo, dificilmente haverá projeto futuro que dará jeito nas consequências desastrosas dessa política urbana equivocada.

Em tempo, pergunto até quando o IPHAN irá tolerar aquela profusão de coberturas em plástico transparente formando os indefectíveis “puxadinhos” que degradam o conjunto arquitetônico do Museu de Arte Moderna?
Luiz Fernando Janot é arquiteto e urbanista
* Publicado originalmente no Jornal O Globo em 16/03/2013