O RIO DE JANEIRO E O URBANISMO CARECA-CABELUDO

ILHA PURA: NEM É ILHA, NEM É PURA  – Vila dos Atletas, mais um imenso condomínio de edifícios altos, em Jacarepaguá foi escrito há um ano e republicado no último fim-de-semana na página Urbe CaRioca do Facebook. Teve, outra vez, boa repercussão.

No último dia 17 a grande mídia informou que apenas 204 imóveis dos 3604 construídos haviam sido vendidos. Por coincidência, no mesmo dia vimos anúncio de venda de apartamentos em vários condomínios na região Barra da Tijuca com a chamada: “40% de desconto e mude-se em 12 dias”. Este quadro resulta da crise econômica que o país vive, em especial o Estado do Rio de Janeiro? Há excesso de oferta na região? A resposta deve ser – ambos.[...] Leia mais

O RIO DE JANEIRO, O LABIRINTO DE FAJARDO, E AS PRAÇAS VENDIDAS

Passeio Público, mar.2016. Foto: Mário Rodrigues
Ontem o arquiteto Washington Fajardo nos brindou com um belo artigo publicado no jornal O Globo. O título sugestivo – Labirinto – escondia mais do que a dificuldade de encontrar uma saída para as dificuldades que vivem o Rio de Janeiro e os cariocas: em meio a percurso variado desde uma das muitas trágicas mortes recorrentes na cidade do Rio de Janeiro, o autor vagueia da zona sul à zona norte, pelos subúrbios cariocas, e pela região metropolitana; relata a degradação do outrora bucólico Largo do Machado, e lembra a imobilidade urbana – que, na nossa urbe, já é pior do que a paulistana -, tudo em meio a “décadas de crianças perdidas”. =&0=&

PASSEIO PÚBLICO – REPERCUSSÃO DAS NOTÍCIAS, E OUTROS LOCAIS

Prefeitura cuidando do passeio depois das reclamações e reportagens na grande imprensa e nas redes sociais. Cerca de 20 garis retiram mato e cinco Guardas Municipais conversam na cabine. Na rua ao fundo vê-se uma patrulha da PM estacionada.
Fotos: Mário Rodrigues, do Grupo S.O.S. Patrimônio


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foi publicado aqui há dois dias, após a notícia divulgada pelo jornal O Globo no último domingo dando conta do abandono em que se encontrava o Passeio Público, Centro do Rio de Janeiro, um dos símbolos da cidade que naquele dia estava também tomado por usuários de drogas.[...] Leia mais

VIADUTO ENGENHEIRO FREYSSINET, NO RIO COMPRIDO – PELA DEMOLIÇÃO, OU…


UM BAIRRO, UMA AVENIDA, UM VIADUTO. NA URBE CARIOCA.
Blog Rio Antigo Fotos

A AVENIDA PAULO DE FRONTIN já foi um lugar aprazível. É o que mostram as fotografias de um Rio de Janeiro que não existe mais pelo menos desde os anos 1970, quando foi construído sobre ela o Viaduto Engenheiro Freyssinet, o popular Elevado da Paulo de Frontin.

Um de seus pares, o Elevado da Perimetral, também não mais existe. Foi demolido como parte das obras de reurbanização da Zona Portuária do Rio de Janeiro, no escopo do projeto chamado Porto Maravilha.




A grande diferença entre a Perimetral e muitos outros elevados espalhados pela cidade é que aquele viadutopassava principalmente por locais de uso predominantemente industrial, transportes e serviços – fábricas, armazenagem e linhas férreas para distribuição de cargas na retroárea do Porto do Rio -, e comercial ao longo da Área Central; outros atingiram áreas estritamente residenciais e de comércio local.






O Elevado da Perimetral, que, ao mesmo tempo e levou degradação e sombras ao “andar de baixo”, relegou bairros antigos e históricos ao esquecimento, e, paradoxalmente, contribuiu para a manutenção de características daquela ocupação que vieram a ser protegidas em seguida com a criação da Área de Proteção Ambiental conhecida por Projeto SAGAS – iniciais de Saúde, Gamboa e Santo Cristo. Nesses bairros a APAC preservou morros e o casario existente. Por outro lado, no trecho entre a Praça Mauá e o Aeroporto Santos Dumont não poupou construções históricas, entre as quais o antigo Mercado Municipal, primeiro seccionado e depois demolido, restando a solitária torre onde funciona o restaurante Albamar.

A presença do viaduto, a desativação dos ramais ferroviários e a complicada questão fundiária foram a receita para o abandono que durou décadas, não obstante várias tentativas dos governos locais de revitalizarem a região, travadas pelos governos federais aos quais os gestores municipais invariavelmente eram ‘oposição’.

Finamente o projeto teve início, empurrado por conveniente união entre as esferas governamentais e o apelo dos grandes eventos: Copa do Mundo e Jogos Olímpicos 2016. O modelo adotado – torres gigantescas a serem construídas mediante compra de títulos – ainda não deslanchou. Criticado por urbanistas e juristas, se dará certo, o futuro dirá. A mais recente tentativa de atrair investidores foi permitir “quitinetes” na área, os antigos “apartamentos JK”, para incentivar a construção habitações populares… ou sacrificar o urbanismo, na visão de Sonia Rabello.




Esta longa reflexão visa remeter à presença de tantos outros viadutos igualmente responsáveis pela degradação e desvalorização de bairros ou trechos de bairros residenciais talvez de modo ainda mais perverso do que o caso da Perimetral, ao atingirem diretamente a vida dos moradores e frequentadores, enquanto outros tantos continuam a ser construídos ao longo das “Transtudo”, cujos impactos ainda não podem ser avaliados.


Foto: Guilherme Maia*, 29/05/2014

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