SEMANA 03/03/2014 a 07/03/2014 – GUARATIBA, HOTÉIS E QUARTOS OLÍMPICOS, E UM PASSEIO ARQUITETÔNICO-URBANÍSTICO EM ALAGOAS


“Querer eternizar os usos como as bondosas leis previram, sabe-se que é inviável, uma obrigação sobre a qual é impossível haver controle. ‘No popular’ é ‘conversa para boi dormir’.

Trecho de MAIS SOBRE HOTÉIS E QUARTOS A MAIS

 

 

Publicações da semana que passou e textos mais lidos
Os posts imediatamente anteriores – com a marchinha sobre o incrível sumiço de vigas de aço da finada Perimetral, que continuam desaparecidas; artigo de Pedro da Luz sobre Guaratiba; novas considerações sobre o número de hotéis e respectivos quartos olímpicos; e as jóias arquitetônico-urbanísticas do sertão de Alagoas visitadas por Aílton Mascarenhas.
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Segunda, 03/03/2014

SEMANA 24/02/2014 a28/02/2014 – CAMPO DE GOLFE NO JORNAL O GLOBO, MAIS SOBRE AS VARGENS, E O SUMIÇO DAS VIGAS 

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Crônica: ELA, EU, GABRIELA E O SERTÃO DE ALAGOAS, de Ailton Mascarenhas.

O carioca que foi para João Pessoa, ou Filipeia, já contou histórias de lá e nos fez ‘viajar’ pelas belas praias da Paraíba. Andarilho, nos alegrou com palavras certeiras e uma bela caminhada matando saudade das terras cariocas. A visão aguçada e atenta aos espaços urbanos, às suas características e urbanidades transforma-se na escrita peculiar de Ailton Mascarenhas, que nos brinda com mais um passeio, desta vez por terras alagoanas. O blog, que na magia do mundo virtual há pouco andou pelo Recife e conheceu o Empatando Tua Vista, aprende mais um pouco e divide com todos os leitores essas experiências fora da urbe carioca.

Boa leitura e divirtam-se!

=&0=& =&1=& =&2=& Aproximava-se rápido à nossa frente, ultrapassávamos outro, fomos rápido para a direita, parece que não tão rápido, ouvimos uma histérica buzina e uma garganta se esgoelando, o barulho vinha da boleia de um enorme caminhão. As mães do Brasil foram todas lembradas.

Silêncio rápido, num rosto do lívido para o avermelhado, uma enorme boca não distribuía amabilidades, era Ela assustada ao meu lado, a coxa de uma das pernas se levantando e se encolhendo toda, o mínimo que ouvi foi “Tá cego, não viu o caminhão não…”, mas não deixei por menos, mesmo errado, e instantaneamente respondi certeiro “Quer levar o carro?”. Estávamos no sertão e eu tinha que ser macho né?!, fechou o tempo por uns segundos, depois caímos numa nervosa gargalhada.

Viagens de carro longas são assim, não tem lá um refinado protocolo. Vínhamos do sertão de Alagoas, na fronteira com Sergipe, Piranhas, antes, Penedo, duas cidadezinhas ribeirinhas do Velho Chico, o Rio São Francisco. De Piranhas soubemos que nas proximidades, no fronteiriço Sergipe, foi assassinado o bando de Lampião, um de nossos reis, nada a ver com a Imperial Lusitânia, era o Rei do Cangaço. Imagina, nas escadarias da prefeitura de Piranhas, expuseram parte das cabeças cortadas daqueles infiéis, só as mais coroadas, é claro: Lampião, Maria Bonita…

Macabro! Mas é preciso contar outra história antes desta. Na Universidade Federal da Paraíba-UFPB, aqui em João Pessoa – fica numa Reserva Florestal local -, bichos não faltam. Gatos são muitos, tem bicho Preguiça e passarinho, mas não vi onça. Uma gatinha preta zebrada de marrom – universitária, pois vivia no campus -, uma perfeita vira-lata, lindona, era amante e viciada em gatos, adorava eles, mesmo grávida e maltratada. “Estava prometida de maus tratos”, Ela ouviu e tomou providências. “Vem aqui no meu trabalho ‘queu’ preciso de ajuda”. Fui lá e a ajuda era para levar para nossa casa justo Ela, a viciada, numa caixa… dizia-me a outra Ela pra eu tomar cuidado para não ser arranhado. De início andou se escondendo. Depois, sem o menor escrúpulo, pariu CINCO  gatinhos, a outra Ela a parteira, eu só ouvia, “Ah, que bonitinho”, “Este é branquinho”… aprendi que gatinhos são coloridos. “Este é igualzinho a mãe”. O branco era menorzinho, “Este acho que vai morrer.” Vingaram todos, corriam desabaladamente em comboio pelo apê, as coisas que ficam em cima dos móveis queriam ir atrás e se jogavam pelo chão. Já sabem como se faz para ter um bichinho de estimação. O nome d’Ela é Gabriela, A Gata.  A outra Ela é minha mulher Marisa, que não deixa de ser outra gata.
blog.tnh1.ne10.uol.com.br
Entremontes, em Piranhas, é quase um arraial, é pequenininha, notei uma coisa interessante, o Rio São Francisco mais das vezes está escondido pelas construções ribeirinhas não fosse a área ocupada pela antiga estação de trens – esta construção amarela com janelas marrons no canto esquerdo da foto e uma outra adiante quase no centro, perto do rio, também amarela – que a preservou livre o mais possível ao longo do seu perímetro, vocação para área de lazer dos habitantes sendo natural os banhos de rio, talvez piqueniques e outras tantas atividades. Modernamente este legado nas grandes cidades praianas foi conseguido pelos calçadões e arruamentos margeando a areia, oferecem um espaço democrático de contemplação e manutenção da paisagem. 
Entremontes, Alagoas
No centro histórico, planas são apenas as terras da margem do rio. Toda a cidadezinha tem um relevo acidentado, é nas ladeiras que o casario vai se acomodando, não deve ser à toa que este centro se chama Entremontes, casinhas de frente pequena umas coladas nas outras, as ruas estreitas parecem servir apenas para separar o lado de lá do lado de cá e não vias de circulação. Gostaria de saber por que nas cidadezinhas que conheço, Piranhas, Bananeiras e Alagoa Grande na Paraíba – aí no RJ também tem algumas nos caminhos que levam para o interior -, o transporte ferroviário foi abandonado, será porque foram à míngua as atividades produtivas que lhe deram origem ou foi simplesmente a versatilidade dos transportes sobre pneus? Quem souber que conte a história, de herança deixaram para nós as belas estações ferroviárias.
Internet


Em Piranhas/Sergipe tínhamos que visitar os cânions que a imensidão d’água formou quando embarreiraram o rio São Francisco para fazer a hidrelétrica de Xingó.  Lindos de morrer, um dia uma cadeia de montanhas enormes à beira do Velho Chico, agora eram pequenos mas ainda altos morros que sobraram acima do nível d’água, que, enraivecidos, queriam olhar os pés sob a água mas não conseguiam, era muito fundo. É um passeio belíssimo de barco, a gente atravessa de Piranhas, Alagoas, para Sergipe, ribeirinho fizeram um alongado e avarandado restaurante, com um deck de atracamento dos catamarãs e um heliponto adiante. Tino comercial de alguém, come-se e bebe-se antes do passeio pelo grande lago, também come-se e bebe-se no barco e antes da volta também come-se e bebe-se num ancoradouro no meio daquela imensidão d’água, num cantinho, com uma pequena infra, duas piscinas naturais, tudo ladeado por redes de segurança dentro d’água, no deck sombra e bancos para sentar e uma lojinha logo ali para as lembrancinhas!
Internet
A gente chega a Piranhas por um altinho e vai descendo por ruas estreitas já namorando o pequeno povoado abaixo, Entremontes, todo tombado pelo IPHAN, é o centro histórico. De noitinha tem um lugar: não é a Passarela do Álcool de Porto Seguro na Bahia, mas aqui bebi uma cachacinha da boa arretada, depois pizza e cerveja, observando o movimento alegre das pessoas em volta, depois dormimos que nem anjos na pousada ali perto: perguntem se tava bom?
Internet
Com vista para o rio São Francisco fizeram uma grande laje na sua beira – solo criado à maneira do Rio de Janeiro, lá também tem – que funciona como uma praça elevada. Dali a gente vê o rio correndo fazendo barulhinho d’água avisando às águas de trás das pedras à frente. Na praça tem uma estátua… “Sentimental eu sou, eu sou demais, eu sei que sou assim, porque assim ela me faz…” de um cantor admirador da cidade, Altemar Dutra. Embaixo da laje tem um restaurante, bastante feio, mas comemos um ensopado de peixe com pirão, tínhamos acabado de chegar, com fome, tava bom!  

Não tem muito mais pra ver no centro histórico, é claro tem que andar pelas pequenas ruas, mas é mandatório ver a antiga estação de trem abrigando o Museu do Sertão e algum artesanato, atravessando a linha, hoje sem os trilhos é uma rua, tem uma torre antiga da estação, um relógio lá no alto que devia ser para marcar o horário dos trens, onde ambientaram um pequeno café.[...] Leia mais

MAIS SOBRE HOTÉIS E QUARTOS A MAIS

No início de fevereiro, em 04/02/2014, publicamos PACOTE OLÍMPICO E HOTÉIS: QUARTOS A MAIS. Hoje a newsletter Ex-Blog fez o seguinte comentário:  

HOTÉIS: POR QUE A QUEDA DE OCUPAÇÃO NO CARNAVAL DO RIO 2014?

 1. (Flavia Oliveira – Negócios & Cia) Os hotéis do Rio tiveram 77,75% de ocupação média no carnaval. Foi quase 10 pontos percentuais menos que no ano passado (87,25%), informa a ABIH. Dos hóspedes 68% eram brasileiros. Na Barra, que concentra a maioria dos novos projetos de hotelaria, a retração beirou 15 pontos, caindo de 81,77% em 2013 para 67,54%, este ano.

 2. Por quê? A ABIH acha que é pelo aumento do número de leitos. Mas se for assim, como será fora da Copa/ JJOO? Mas… Será pelos preços? Será pela crise? Será pela violência? Será pelo trânsito? Será…? Cabe uma explicação para que o setor com a construção de hotéis à força de incentivos fiscais, não enfrente uma crise fora e depois dos grandes eventos”.

Luz e Forma


Nas análises que fizemos a respeito do assunto – as benesses urbanísticas concedidas ao mercado hoteleiro e, por conseguinte, ao mercado imobiliário e ao setor da construção civil, pelo conjunto de leis municipais conhecido por Pacote Olímpico 1 – sempre demonstramos preocupação com as consequências para a cidade de tantos índices urbanísticos especiais e isenções de impostos, sob a bandeira do momento: “Tudo é prá Olimpíada”, mesmo que – não o seja ou que não se justifique com tal argumento, como, por exemplo, a mutilação da Reserva Ambiental da Lagoa de Marapendi para a construção de um Campo de Golfe.

Querer eternizar os usos como as bondosas leis previram, sabe-se que é inviável, uma obrigação sobre a qual é impossível haver controle. ‘No popular’ é “conversa para boi dormir”.[...] Leia mais

Artigo: GUARATIBA, MUITO ALÉM DO PAPA, de Pedro da Luz Moreira

A região de Guaratiba tem sido objeto de várias análises* neste blog. No último post, de 18/02/2014 – DEBATE NO IAB-RJ: VOZES DE GUARATIBA -, reproduzimos texto publicado na página do IAB-RJ com importantes questões abordadas na reunião realizada naquele instituto no dia anterior.

Agora, o Presidente do IAB do Rio, Pedro da Luz, apresenta sua visão em artigo publicado no Jornal O Globo do último sábado, abaixo divulgado.

Boa leitura.

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SEMANA 24/02/2014 a 28/02/2014 – CAMPO DE GOLFE NO JORNAL O GLOBO, MAIS SOBRE AS VARGENS, E O SUMIÇO DAS VIGAS

“As benesses urbanísticas que circundam o golfe olímpico apresentam sua pior face na prevalência do interesse particular sobre o público e no descaso com aspectos urbanísticos e ambientais relevantes para o Rio”.

Trecho de CAMPO DE GOLFE E APA MARAPENDI, DUAS OPINIÕES: do JORNAL O GLOBO e de ANDRÉA REDONDO


 

Página FB Golfe para Quem? 

Publicações da semana que passou e textos mais lidos
Os posts imediatamente anteriores; Campo de Golfe – ponto e contraponto no O Globo; mais um debate sobre o PEU Vargens; e, após o sensacional protesto de foliões de Recife contra os espigões na capital pernambucana, a marchinha vencedora do Carnaval carioca, um legítimo protesto irreverente-urbano-carioca.

NOTA: Outras fantasias/protesto – fotos publicadas no Jornal O Globo =&1=&

SENHOR PREFEITO, CADÊ AS VIGAS?

=&0=&=&1=&=&2=& Ninguém é de ferro e muito menos de aço! Além disso, é Carnaval, folga de textos sérios! A turma de Recife foi sensacional levando às ruas seu protesto contra os espigões que EMPATAM TUA VISTA, e empatam muito mais: a paisagem, a brisa e a tranquilidade que a indignação leva embora. Ah! Quem dera o TROÇA pudesse vir desfilar aqui em terras cariocas! Aqui no Rio além dos “É DIFÍCIL” teríamos que fazer fantasia de =&3=&, como seria? Pintar o corpo de verde, colar umas folhas na roupa ‘a la vegetação de restinga protegida’, uma capivara chorosa fazendo de chapéu, borboletas de plástico em móbiles esvoaçando em volta do folião? A gente ia desfilando e arrancando as folhas… Outro poderia se vestir de muro, o muro que vai cercar o campo de golfe, cortar a rua que não será sem nunca ter sido e empatar o passeio dos bichos, dos pedestres, dos ciclistas e motoristas. Poderia ser um folião nissei, um japonês-carioca que, bem-humorado, usaria uma placa pendurada no peito com seu nome: TAKAKARA NUMURU.


O TROÇA, em Recife, é imbatível, mas no Rio tivemos também a nossa irreverência criativa. Depois do sumiço inexplicável de vigas de aço pós-demolição do Elevado da Perimetral – pesando muitas toneladas -, um grupo de foliões do Bloco Escravos da Mauá se fantasiou de “CAÇA-VIGAS”. Fantástico!







E tem mais.

A marchinha vencedora do 9º Concurso Nacional de Marchinhas Carnavalescas foi justamente… 

CADÊ A VIGA?

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NOVO DEBATE SOBRE O PEU VARGENS

No último dia 20/02 a Rádio Nacional promoveu mais um debate sobre a lei urbanística vigente para a região das Vargens, o chamado PEU Vargens, que abrange os bairros de Vargem Grande, Vargem, Pequena, Camorim, e parte da Barra da Tijuca e do Recreio dos Bandeirantes. Para ouvir, o link está aqui.


Camorim e Estrada dos Bandeirantes – Foto: Custódio Coimbra
O Globo



Contou com a presença de Sidnei Menezes, Presidente do CAU-RJ, do arquiteto e urbanista Canagé Vilhena, e de Carlos Augusto Nacimento, da Associação de Moradores de Vargem Grande.


Além das considerações pertinentes de Sidnei Menezes, em um importante depoimento Canagé Vilhena faz um retrospecto sobre o processo de ocupação do território do município do Rio de Janeiro, em especial das terras das Zonas Oeste e Norte, seja pela garantia de acesso dada ao mercado imobiliário formal, pela liberação para a construção de loteamentos sem a necessária infraestrutura, ou pela ocupação irregular, todos os casos permeados pela ausência das condições mínimas de serviços públicos e melhorias urbanísticas.

Outros problemas da Região das Vargens foram relatados aqui em A INACREDITÁVEL ÁREA DE ESPECIAL INTERESSE AMBIENTAL – AEIA – DA REGIÃO DAS VARGENS publicado em novembro/2013, após termos participado de um debate anterior sobre o assunto, também no programa Tema Livre.

Para lembrar mais uma vez, os artigos de nossa autoria elaborados na época da edição da lei que aprovou o Projeto de Estruturação Urbana – PEU Vargens, publicados no Portal Vitruvius de Arquitetura e Urbanismo foram:
Poucos anos depois nos deparamos com a manchete PEU DAS VARGENS – UMA FEROZ ESPECULAÇÃO IMOBILIÁRIA, cujo título é autoexplicativo.

Falta de aviso não foi. Na sequência, Guaratiba que se cuide.



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