Aqui ninguém vai falar mal do Rio, mas…, de Joaquim Ferreira dos Santos

A crônica que este blog gostaria de ter escrito. Urbe CaRioca Aqui ninguém vai falar mal do Rio, mas… Tirem esses quiosques do caminho que eu quero passear com o meu amor Por Joaquim Ferreira dos Santos –  O Globo Link original A piada da semana foi o banheiro que alguém construiu ao lado de quiosques no mirante do Leblon. A prefeitura só descobriu quando ele, já ereto, todo pimpão, perfilava enfezado ao lado do Dois Irmãos e da Pedra da Gávea nos postais com o skyline da cidade. Botou-se abaixo o monstrengo sob o argumento de que era uma avacalhação com o cenário e, quando eu achei que iam aproveitar o ensejo para fazer o mesmo com os quiosques, eis que pararam o botabaixo. Boquiabri-me incrédulo. Quando vão perceber que a multidão de barracas e quiosques da orla cheira(Leia mais)

Prefeitura do Rio: Entre a motosserra e o Compensômetro, de Sonia Rabello

Neste artigo, publicado originalmente no no site “A Sociedade em Busca do seu Direito”, a professora e jurista Sonia Rabello aborda a profunda contradição entre o discurso ambiental da Prefeitura do Rio e suas práticas recentes, destacando que embora o município divulgue com entusiasmo o novo programa de compensação ambiental — o chamado “Compensômetro” —, a medida soa mais como reação a uma longa série de decisões que provocaram danos significativos ao patrimônio natural e cultural da cidade. “Casos emblemáticos como os do Jardim de Alah, Parque do Flamengo, Pão de Açúcar, Gávea e Jacarepaguá revelam um padrão recorrente: autorizações de cortes de árvores e projetos de alto impacto aprovados sem diálogo público adequado, sem estudos de impacto e à revelia das proteções legais. Sustento que medidas compensatórias, embora importantes, não substituem a preservação real nem corrigem danos irreversíveis, especialmente(Leia mais)

Uma gota positiva no mar de barbaridades urbano-cariocas

A reação do prefeito Eduardo Paes diante de mais uma intervenção urbana que interfere na paisagem carioca expõe a tensão permanente entre interesses privados e a preservação do patrimônio visual do Rio. Após a polêmica das placas instaladas na Lagoa, Paes voltou às redes para denunciar e ordenar a demolição de um anexo construído em um quiosque no Mirante do Leblon — estrutura que bloqueava uma das vistas mais emblemáticas da cidade. A ofensiva do prefeito, marcada por tom indignado e promessa de ação imediata, recoloca no centro do debate a falta de transparência nos processos de autorização e o impacto de decisões administrativas que comprometem a relação histórica entre o Rio e seu conjunto urbanístico. Neste caso, os dois exemplos de filigranas, facilmente removíveis, foram oportunidades para o Chefe do Executivo apregoar, outra vez, sua (pseudo) eficiência para com(Leia mais)

Sempre eles: Gabaritos e potenciais construtivos voadores

A mais recente desfaçatez urbano-carioca. Entre outras barbaridades, a ideia de vender a Cidade do Samba para a construção de empreendimentos imobiliários. O local tem dimensões expressivas e construções especialmente realizadas para reunir os antigos barracões das Escolas de Samba em local adequado, tudo à custa de negociações e recursos públicos. Recursos esses que, mais uma vez, serão atirados ao lixo, conforme o Prefeito fez com o Autódromo do Rio. Haverá algum mérito na proposta? Algum, talvez. Chama a atenção o espaço destinado às ditas “áreas verdes” comparado ao que será entregue ao mercado imobiliário com bônus. Abaixo, a reportagem de Luiz Ernesto Magalhães publicada no jornal O Globo. Urbe CaRioca Projeto da prefeitura para entorno do Sambódromo prevê mergulhão, biblioteca e área verde no lugar de viaduto Com a Marquês de Sapucaí como protagonista, o Praça Onze Maravilha será(Leia mais)

Sobre os eventos no bairro da Glória

Há três dias, o Informe Gloriano publicou a nota abaixo, a respeito dos eventos públicos simultâneos realizados no bairro da Glória. As visões e o opiniões a respeito variam, conforme comentários na postagem original em redes sociais. Urbe CaRioca Nota Pública – Sr. Prefeito Eduardo Paes O Informe Gloriano manifesta profunda insatisfação com os eventos simultâneos autorizados para hoje e com a repetição constante desse cenário, que há meses transforma a Glória em um ambiente caótico, incompatível com a rotina de um bairro residencial. Desde sábado, atividades com som excessivo na região dos clubes náuticos já afetavam os moradores. Hoje, ainda de madrugada, por volta de 5h30, um trio-elétrico em volume extremo acordou todo o bairro e seguiu até cerca de 13h. Em sequência, um evento musical na Praça Paris manteve o ruído contínuo, enquanto a Praça Marechal Deodoro recebia(Leia mais)

Cobal Humaitá: Atenção! Novo round

Será que ele, o onipresente gabarito, ressurgirá? A considerar a lei em vias de ser sancionada, que permitirá a construção de edifícios nos estacionamentos de supermercados, não se divide. O Rio de Janeiro cada vez mais sufocado e inseguro, enquanto a autoridade-mor carioca se gaba de ser defensor do Meio Ambiente. É para inglês ver. Literalmente. Urbe CaRioca Moradores de Botafogo e do Humaitá se organizaram para impulsionar propostas para que o local não vire uma praça de alimentação gourmetizada Thayná Rodrigues – O Globo Link original Moradores de Botafogo e do Humaitá organizam um movimento para impulsionar a revitalização da Cobal do Humaitá sem que ela perca suas características históricas. Há o receio de o local virar um espigão ou de ser “gourmetizado”. Na primeira quinzena de outubro, o deputado federal Chico Alencar recebeu um ofício com pedido de(Leia mais)

Centro do Rio: O Bom e o Mau

Ou, o Bem e o Mal O debate sobre o futuro do Buraco do Lume, no Centro do Rio, ganhou força após o lançamento de uma campanha contra a construção de um condomínio no local. A proposta, duramente criticada por movimentos sociais e parlamentares, é vista como um risco para a preservação do espaço histórico e simbólico da cidade, que há décadas funciona como palco de manifestações políticas e culturais. A mobilização busca impedir que o interesse imobiliário se sobreponha ao direito coletivo de manter áreas públicas vivas e acessíveis à população. Não há qualquer justificativa plausível para transformar um espaço de referência em mais um empreendimento privado. O Lume  simboliza resistência, memória coletiva e vida pública em uma cidade que já sofre com a falta de áreas de encontro e expressão. Avançar com esse projeto seria uma afronta ao(Leia mais)

Buraco do Lume: da praça do povo ao espigão da especulação

O anúncio publicado no O Globo desta quarta-feira de que o “Buraco do Lume” — tradicionalmente parte da Praça Mário Lago, usada coletivamente ao longo de décadas — dará lugar ao maior residencial do programa Reviver Centro, com 720 apartamentos, confirma um movimento persistente de apropriação do espaço público em prol de interesses imobiliários. Esse terreno era de propriedade governamental na origem como toda a área resultante do desmonte do Morro do Castelo no início dos anos 1920. A análise dos projetos de urbanização para o local mostra que havia a intenção de deixá-lo livre unido a áreas vizinhas situadas entre o Largo da Carioca e a Praça XV de novembro, inclusive o trecho onde foi construído o Terminal-Garagem Menezes Cortes, lá previstos uma praça e garagem subterrânea. Com as mudanças ao longo de um século, o vai-e-vem entre proprietários,(Leia mais)

O novo estádio do Flamengo subiu no telhado

Segundo a coluna de Lauro Jardim, publicada no jornal O Globo, o clube considera a construção inviável. Urbe CaRioca O começo do fim do ‘novo estádio do Flamengo’ Por Lauro Jardim – O Globo Link original Está marcada para segunda-feira que vem uma reunião do conselho deliberativo do Flamengo para discutir a concessão do Maracanã, que atualmente o clube divide com o Fluminense. De acordo com alguns conselheiros, o encontro servirá também para a atual administração, comandada por Luiz Eduardo Baptista, o Bap, detalhar o porquê não faria sentido econômico a construção de um novo estádio na região portuária do Rio de Janeiro, conforme o plano do ex-presidente Rodolfo Landim. Numa palavra, será uma reunião para mostrar que o novo estádio não é viável. Leia mais: Estádio do Flamengo é gol contra o Rio, de Liszt Vieira e Roberto Anderson(Leia mais)

O urbanismo “me engana que eu gosto”

Este blog urbano-carioca não acredita nas “boas intenções” do Eduardo Paes. Depois de destruir o que resta de Ipanema – bairro no qual a construção civil foi fomentada pelo Prefeito – o que pode ser classificado exatamente como especulação imobiliária, tal o aumento de gabaritos de altura, taxa de ocupação e Área Total de Edificação vigentes, permitir a transformação de hotéis (os antigos e os liberados “pra Plimpíada”) em prédios residenciais também com bônus, como crer no discurso sobre incentivar o turismo? Parece tentativa de reservar o terreno do Colégio São Paulo a algum outro interesse. Resta aguardar. Urbe CaRioca Prefeitura do Rio cerca o Arpoador com regras urbanísticas para conter avanço da especulação O município agora estabelece critérios próprios para o licenciamento de projetos na região e suspende por 180 dias a emissão de novas licenças para obras que(Leia mais)

Mirante do Pasmado, primo do Jardim de Alah

Tal como no caso do Jardim de Alah, a Justiça se arvora em urbanista, conhecedora das cidades, dos fenômenos urbanos e dos espaços que os induzem. Agora foi a vez do Mirante do Pasmado *, onde está plantado o Museu do Holocausto, panaceia para resolver a situação de abandono do local (sempre a mesma desculpa), que ironicamente, continua abandonado, o museu salvador fechado, à espera da própria salvação, com recursos públicos, quem sabe. Cancelem as faculdades de arquitetura e urbanismo, sociologia, geografia, história e  educação. Cancelem cursos de paisagismo, patrimônio cultural, ecologia. Descartem as preocupações com permeabilização do solo, poluição do ar, aquecimento global. O negócio é construir cada vez mais, expandir a malha urbana sem limites, para o lado e para o alto. Substituam-se todas as carreiras citadas pelo Direito, de onde sairão os magistrados oniscientes, donos da palavra(Leia mais)