O RIO DE JANEIRO E O URBANISMO CARECA-CABELUDO

ILHA PURA: NEM É ILHA, NEM É PURA  – Vila dos Atletas, mais um imenso condomínio de edifícios altos, em Jacarepaguá foi escrito há um ano e republicado no último fim-de-semana na página Urbe CaRioca do Facebook. Teve, outra vez, boa repercussão.

No último dia 17 a grande mídia informou que apenas 204 imóveis dos 3604 construídos haviam sido vendidos. Por coincidência, no mesmo dia vimos anúncio de venda de apartamentos em vários condomínios na região Barra da Tijuca com a chamada: “40% de desconto e mude-se em 12 dias”. Este quadro resulta da crise econômica que o país vive, em especial o Estado do Rio de Janeiro? Há excesso de oferta na região? A resposta deve ser – ambos.[...] Leia mais

A NOVA ORLA, NO CENTRO DO RIO, COM GRADES – UMA SURPRESA DESAGRADÁVEL!

Site Diário do Rio
A notícia no jornal O Globo de hoje surpreendeu. Do mesmo modo, incrédulos ficaram pedestres que foram à nova orla do Centro da Cidade, um local de passeio resgatado para uso da população no escopo do projeto de reurbanização da Zona Portuária, estendido ao longo das áreas antes ocupadas pelo antigo Elevado da Perimetral.



O projeto – parte das obras realizadas em nome dos Jogos Olímpicos Rio 2016 – de fato abrangeu parte de terrenos de Marinha situados entre a Praça Mauá e a região da Igreja da Candelária, antes sem acesso para o grande público. =&3=&

A ZONA PORTUÁRIA E O BOULEVARD EXPRESSO: Comentários de Edison Musa, Roberto Anderson, e outros

A nova via expressa na Zona Portuária do Rio
Foto: O Globo – Márcia Foletto


A imagem publicada pelo jornal O Globo no último dia 21/06 suscitou vários comentários nas redes sociais, todos questionando a solução urbanística adotada que inspirou o título desta postagem.

Arquitetos, urbanistas e historiadores opinaram a partir da leitura, do ponto de vista urbanístico, desse espaço constituído pela Avenida Rodrigues Alves, resgatado para o Rio de Janeiro após a demolição do Elevado da Perimetral, no escopo do chamado projeto de revitalização da Zona Portuária, e lamentam o resultado.

Talvez daqui a 40 anos outro prefeito mude tudo mais uma vez.

Urbe CaRioca

A ZONA PORTUÁRIA E O BOULEVARD EXPRESSO: COMENTÁRIOS

A PROPAGANDA E A REALIDADE


1. A foto da primeira página de O Globo de hoje, mostra, finalmente, o resultado catastrófico da substituição da via elevada da perimetral, por oito pistas muradas, onde os pedestres são excluídos, enviados para uma calçada unilateral.
Basta recordar as visões animadas iniciais do projeto, quando a frente do cais era transformada em um calmo Boulevard, onde passeavam alguns carros sobre um jardim gramado.
A realidade ficou bem diferente. Pior do que trocarmos seis por meia dúzia, fica a sensação de uma perda irreparável, pois, por mais que se queira valorizar o espaço criado junto à Praça Mauá,  o que é inegável, não há como fugir do corredor que foi criado junto ao Cais.
Pena. Fazer, para nós já é muito difícil, pelas dificuldades de recursos. Fazer mal é trágico. – Edison Musa

2. A Rodrigues Alves pela fotógrafa Marcia Foletto: uma via expressa, um prolongamento da Av. Brasil, uma via hostil ao pedestre. A demolição da Perimetral gerou a Orla Conde, que o prefeito gosta de chamar de Boulevard, e um trecho aproximadamente igual de via expressa, exemplo de solução ‘rodoviarista’ do século passado, com poluição sonora e tráfego intenso de alta velocidade. Nada mais enganoso para quem esperava a “revitalização” da Área Portuária! – Roberto Anderson

3. Poderia ser infinitamente melhor, mas não foi. Venderam gato por lebre. Sempre defendi a permanência da Perimetral como Line Park. Pelo menos havia a vista da Baía. Escrevi a respeito na época em que se discutia o projeto: “tudo leva a crer que será uma via expressa com um paredão de galpões escondendo o mar”. – Jane Santucci

4. Concisão e precisão. Enfim, um relato da exclusão do pedestre (sobre o comentário de Edison Musa). – Sonia Rabello

5. O projeto da Avenida Rodrigues Alves como nós viemos a conhecer, foi concebido pelos ingleses juntamente com o projeto do cais e armazéns do porto marítimo do Rio de Janeiro, em 1910. Com o explosivo crescimento urbano do Rio, e a pouca prática de planejamento urbano durante esses anos, as obras autoviárias tomaram conta da urbe. A alteração drástica do projeto original – publicado no livro “Cidades em Transformação” – foi para pior para a nossa cidade e compromete seu futuro desenvolvimento de forma sustentável. – Ephim Shluger

6. Melhor que a Perimetral é o que não é nenhuma vantagem, pois a Perimetral era horrível (para dizer o mínimo), mas, sem dúvida, houve propaganda enganosa uma vez que os projetos apresentados prometiam outra coisa. Lamentável! Governos no Brasil não cansam de desapontar… – Luiz Eurico Ferreira Filho

7. Um viaduto ao rés-do-chão. – Mauro Almada

8. Lamentável! O Projeto original não contava que o Porto do Rio ainda vivia, era ativo e estava em processo de revitalização. Esta via projetada ficava abaixo do nível dos prédios, previstas passarelas para o grande Parque. Quem sabe se daqui a 30 anos quando os contratos de arrendamentos dos armazéns findarem, e outra solução seja encontrada para o Porto, não se fará o verdadeiro “Porto Maravilha”!!!??? – Maria Ernestina Gonçalves da Cunha

9. A “abertura” para o mar também está restrita ao entorno da Praça Mauá. Tudo isso é um grande engodo e deveria ter sido submetido à aprovação, por meio do diálogo, da população. Muito $$$$$%%% e barulho por nada de efetivamente relevante e pertinente para a nossa qualidade de vida. – Marcus Alves





Avenida Rodrigues Alves, início do Século XX
Blog Um Postal por Dia

A Perimetral chegando. Foto: CP Doc JB
A Perimetral chegando. A Avenida Rodrigues Alves era arborizada no canteiro central e, pelo menos, em uma das laterais. Foto: JB

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TAMANHO É DOCUMENTO, de Sérgio Magalhães

=&0=& Por isso escolhemos reproduzir o artigo do arquiteto e professor Sérgio Magalhães, colunista do jornal O Globo, publicado ontem nesse jornal, por ser pleno de otimismo. O autor avalia que “entre as obras do prefeito (…) a derrubada do elevado da Perimetral seja a de maior potencial positivo para a cidade”. =&1=&

O MUSEU DO AMANHÃ CHEGOU À PRAÇA MAUÁ

Clique no link abaixo para saber como tudo se passou desde que seu primo-irmão Guggenheim, pretendente a ocupar o mesmo lugar, foi vetado. Urbe CaRioca: Guggenheim, Cidade da Música e Museu do Amanhã, dois pesos e duas medidas  No post Guggenheim, Cidade da Música e Museu do Amanhã, um Post.zitivo com ressalvas…
Crédito: Blog Panrotas, foto de Carla Lencastre
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PÉS-DE-MOLEQUE AGORA NA PRAÇA XV


NA ZONA PORTUÁRIA DO SÉCULO XX, NA AVENIDA RIO BRANCO, NA RUA DA CONSTITUIÇÃO E, AGORA, NO CORAÇÃO DO RIO, PALCO DO BRASIL COLÔNIA, DA REALEZA, E DO IMPÉRIO
Antigo Mercado Municipal, Praça XV
Internet
O post O PASSADO RESSURGE NO CAMINHO DO VLT, do último dia 10, teve grande repercussão. O tema do artigo do historiador Marcus Alves foi uma descoberta na Rua da Constituição, Centro do Rio de Janeiro, divulgada por ele e demais membros do grupo S.O.S. Patrimônio nas redes sociais: o belo piso “pé-de-moleque” que ficou à mostra depois das escavações para retirada dos antigos trilhos de bonde do século XX capeados pelo asfalto quando aquele meio de transporte foi eliminado na cidade nos anos 1960, exceção para o bairro de Santa Teresa. Ironicamente a obra se deve à instalação dos novos trilhos que receberão os trens do VLT – Veículo Leve Sobre Trilhos, um bonde no século XXI. Depois do Cais do Valongo, da Avenida Rio Branco, e da Rua da Constituição, novidades também surgem na região da Praça XV de Novembro. =&5=&

VIADUTO ENGENHEIRO FREYSSINET, NO RIO COMPRIDO – PELA DEMOLIÇÃO, OU…


UM BAIRRO, UMA AVENIDA, UM VIADUTO. NA URBE CARIOCA.
Blog Rio Antigo Fotos

A AVENIDA PAULO DE FRONTIN já foi um lugar aprazível. É o que mostram as fotografias de um Rio de Janeiro que não existe mais pelo menos desde os anos 1970, quando foi construído sobre ela o Viaduto Engenheiro Freyssinet, o popular Elevado da Paulo de Frontin.

Um de seus pares, o Elevado da Perimetral, também não mais existe. Foi demolido como parte das obras de reurbanização da Zona Portuária do Rio de Janeiro, no escopo do projeto chamado Porto Maravilha.




A grande diferença entre a Perimetral e muitos outros elevados espalhados pela cidade é que aquele viadutopassava principalmente por locais de uso predominantemente industrial, transportes e serviços – fábricas, armazenagem e linhas férreas para distribuição de cargas na retroárea do Porto do Rio -, e comercial ao longo da Área Central; outros atingiram áreas estritamente residenciais e de comércio local.






O Elevado da Perimetral, que, ao mesmo tempo e levou degradação e sombras ao “andar de baixo”, relegou bairros antigos e históricos ao esquecimento, e, paradoxalmente, contribuiu para a manutenção de características daquela ocupação que vieram a ser protegidas em seguida com a criação da Área de Proteção Ambiental conhecida por Projeto SAGAS – iniciais de Saúde, Gamboa e Santo Cristo. Nesses bairros a APAC preservou morros e o casario existente. Por outro lado, no trecho entre a Praça Mauá e o Aeroporto Santos Dumont não poupou construções históricas, entre as quais o antigo Mercado Municipal, primeiro seccionado e depois demolido, restando a solitária torre onde funciona o restaurante Albamar.

A presença do viaduto, a desativação dos ramais ferroviários e a complicada questão fundiária foram a receita para o abandono que durou décadas, não obstante várias tentativas dos governos locais de revitalizarem a região, travadas pelos governos federais aos quais os gestores municipais invariavelmente eram ‘oposição’.

Finamente o projeto teve início, empurrado por conveniente união entre as esferas governamentais e o apelo dos grandes eventos: Copa do Mundo e Jogos Olímpicos 2016. O modelo adotado – torres gigantescas a serem construídas mediante compra de títulos – ainda não deslanchou. Criticado por urbanistas e juristas, se dará certo, o futuro dirá. A mais recente tentativa de atrair investidores foi permitir “quitinetes” na área, os antigos “apartamentos JK”, para incentivar a construção habitações populares… ou sacrificar o urbanismo, na visão de Sonia Rabello.




Esta longa reflexão visa remeter à presença de tantos outros viadutos igualmente responsáveis pela degradação e desvalorização de bairros ou trechos de bairros residenciais talvez de modo ainda mais perverso do que o caso da Perimetral, ao atingirem diretamente a vida dos moradores e frequentadores, enquanto outros tantos continuam a ser construídos ao longo das “Transtudo”, cujos impactos ainda não podem ser avaliados.


Foto: Guilherme Maia*, 29/05/2014

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