MPRJ aciona o STJ para suspender as obras relacionadas à concessão do Jardim de Alah

A Subprocuradoria-Geral de Justiça de Recursos Constitucionais do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (SUBREC/MPRJ), por meio da Assessoria de Recursos Constitucionais Cíveis (ARC Cível), solicitou à Presidência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que determine a suspensão imediata de qualquer obra relacionada ao empreendimento imobiliário previsto para o Jardim de Alah, na Zona Sul do Rio. O pedido de concessão de efeito suspensivo ativo foi apresentado no dia 27 de fevereiro, em recurso especial interposto pelo MPRJ, que busca reverter decisão da 6ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ), a qual manteve extinta ação popular que questionava a legalidade do processo administrativo de concessão da área pública. Na manifestação, o MPRJ destaca a urgência na análise do caso para evitar a descaracterização do bem público tombado, diante da(Leia mais)

Quando Hollywood encontrou a Cinelândia, de Antônio Sá

Neste belíssimo artigo, Antônio Sá, Ex-Subsecretário de Assuntos Legislativos e Parlamentares do Município do Rio de Janeiro descreve como a experiência as revisitar o clássico Interlúdio, de Alfred Hitchcock, e que transcende a cinefilia: reconheceu, nas imagens do Rio de Janeiro projetadas na tela, o Palácio Pedro Ernesto, sede da Câmara Municipal onde construiu grande parte de sua trajetória profissional. O encontro inesperado entre a memória pessoal e a história do cinema transformou a sessão em um momento de emoção rara — quando Hollywood parece dialogar diretamente com a biografia de quem assiste. Mais do que rever um clássico do suspense de espionagem ambientado no pós-guerra, o texto convida o leitor a percorrer essa ponte entre a Cinelândia real e a Cinelândia filmada, explorando curiosidades de produção, o uso pioneiro do Rio como cenário internacional e a força simbólica de reconhecer,(Leia mais)

“Achados & Perdidos”: Imagens inéditas do Rio de Janeiro (1937-1945)

O livro digital “Achados & Perdidos: imagens inéditas do Rio de Janeiro (1937-1945)” reúne um conjunto valioso de fotografias raras da cidade durante o período do Estado Novo. Fruto de uma extensa pesquisa, recuperação e digitalização de imagens deterioradas pelo tempo, a publicação revela registros inéditos realizados pela família Malta ao longo da gestão do prefeito Henrique Dodsworth, trazendo um panorama das transformações urbanas, culturais e sociais do Rio entre 1937 e 1945. Nas páginas do livro, o leitor encontra imagens de diferentes regiões e marcos desse processo: reformas urbanas, a abertura da Avenida Presente Vargas e da Avenida Brasil, a expansão dos subúrbios, a urbanização da Pavuna e da Zona Sul, a finalização da Esplanada do Castelo, a inauguração do Jardim de Alah, entre outros recortes que ajudam a compreender como a cidade se redesenhou nesse período. Financiado pelo(Leia mais)

Rio: A destruição da paisagem “por um punhado de dracmas”, de Sonia Rabello

Neste artigo, publicado originalmente no no site “A Sociedade em Busca do seu Direito”, a professora e jurista Sonia Rabello destaca que, numa cidade como o Rio de Janeiro, onde a paisagem natural é o seu maior patrimônio, políticas urbanísticas de curto prazo estão substituindo o ar, o sol e a beleza por muros urbanos contínuos. “Governantes, em busca de dinheiro fácil, autorizam construções altas que obstruem horizontes e transformam áreas icônicas em blocos sem relação com a identidade carioca — um preço alto pelo qual poucos se responsabilizam. O que sobra dessas operações imobiliárias é uma cidade obstruída e um legado de destruição paisagística para as futuras gerações. Tal como Ptolomeu X, que trocou um sarcófago de ouro pelo pagamento de despesas imediatas, o Rio está sacrificando sua paisagem em troca de ganhos efémeros — que, no longo prazo,(Leia mais)

Metrô do Rio: as gambiarras continuam

Não bastando a Linha 1 espichada “pra Olimpíada” pelo prefeito Pinóquio junto com seus então aliados Sérgio Cabral e Lula pré-prisões (decisão perniciosa que gerou o aproveitamento de licitações proibidas e o inexplicável “bacalhau” na Estação General Osório), a Estação Gávea – que deveria ser ligada diretamente a Botafogo via Jardim Botânico e Humaitá), depois de parali$ada (= dinheiro público rasgado), volta à Berlinda. Podemos rebatizá-la de Estação Bumerangue. A reportagem de Luiz Ernesto Magalhães publicadano jornal O Globo esclarece porque o apelido faz sentido. Este blog pergunta se os passageiros serão corajosos o suficiente para entrar nos elevadores de alta velocidade com capacidade para 30 pessoas e percorrerem 52 m na vertical. Urbe CaRioca Metrô da Gávea: após remover água que encobria obra, estado retoma detonações para concluir estação Intervenções ainda devem levar três anos até que estação que(Leia mais)

Reviver Centro: o que poderia ter sido

A Prefeitura do Rio lançou nesta terça-feira, editais para leiloar 15 prédios e um terreno no Centro Histórico, dentro do programa Reviver Centro Patrimônio Pró-Apac, com o objetivo de recuperar imóveis antigos e ampliar a moradia na região. Muitos desses edifícios estão deteriorados ou fechados, e quem os adquirir poderá receber subsídio de até R$ 3.212,00 por metro quadrado restaurado, condicionado ao avanço das obras. A expectativa é que, ao serem restauradas e convertidas principalmente em residências, essas unidades cumpram sua função social e contribuam para reativar cultural e economicamente áreas próximas a importantes marcos da Cidade, como a Praça Tiradentes, o Teatro João Caetano e o Real Gabinete Português de Leitura. A inicitaiva parece interessante, obviamente. Mas seria esse o caminhou ou haveria alternativas ? A Prefeitura concede bônus generosos para a indústria da construção civil e o mercado(Leia mais)

Mais Valerá: mais eufemismos do prefeito, novas ilegalidades

A Câmara do Rio se prepara para votar mais uma versão do “mais valerá”, projeto do Executivo que, sob o argumento de modernizar o uso do solo e incentivar investimentos privados, abre espaço para uma nova rodada de flexibilizações urbanísticas. A proposta permite que estacionamentos de shoppings, supermercados, hipermercados e hospitais sejam convertidos em empreendimentos residenciais ou comerciais, mediante contrapartida financeira à prefeitura. Na prática, trata-se de um modelo de “urbanismo negociado” — em que a cidade é adaptada não a partir de um planejamento integrado, mas de acordos pontuais que favorecem grandes grupos econômicos em troca de arrecadação. O “novo mais valerá” não é uma proposta isolada, mas parte de uma estratégia recorrente do governo Paes de usar o instrumento da outorga onerosa para reforçar o caixa municipal sem recorrer a aumentos de impostos. Estima-se uma arrecadação de R$ 300(Leia mais)

Do asfalto ao trilho: o Rio e o custo da reinvenção sem planejamento

O Rio de Janeiro volta a discutir o futuro de sua mobilidade urbana. A Câmara Municipal aprovou, em primeira discussão, o projeto que prevê a transformação dos corredores do BRT em linhas de VLT — uma proposta que reacende velhos debates sobre custo, eficiência e coerência no planejamento da cidade. A ideia é substituir os articulados que circulam nos eixos Transcarioca e Transoeste por composições sobre trilhos, reaproveitando o traçado existente, mas exigindo nova infraestrutura. A promessa é de conforto, menor emissão de poluentes e integração visual com o centro remodelado, mas o desafio é gigantesco: reconfigurar um sistema bilionário, ainda em colapso operacional, sem repetir erros do passado. Vale destacar que após terem feito uma obra dessa magnitude, quilômetro sobre quilômetro de BRT, compram ônibus caros, e agora simplesmente percebem que os mesmos não servem mais ? Causa perplexidade(Leia mais)

MPF pede paralisação das obras no Jardim de Alah

O Ministério Público Federal (MPF) pediu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) a suspensão imediata das obras no Jardim de Alah, área tombada que liga Ipanema ao Leblon e conecta o mar à Lagoa Rodrigo de Freitas, na Zona Sul do Rio de Janeiro. O projeto, conduzido pela concessionária Rio Mais Verde, prevê a instalação de lojas, restaurantes, supermercado, anfiteatro e centenas de vagas de estacionamento, além da derrubada de 90 árvores — mudanças que, segundo o MPF, descaracterizam o patrimônio histórico e podem causar sérios danos ambientais. A ação reforça os questionamentos já apresentados pelo Ministério Público do Estado do Rio e pela Associação dos Moradores e Defensores do Jardim de Alah (AMDJA), que reuniu mais de 30 mil assinaturas contra a intervenção. Para os críticos, a concessão viola a Lei Orgânica do Município e ignora o tombamento definitivo(Leia mais)

Autoridades precisam sentir na pele o caos no transporte, por Andréa Redondo

Por Andréa Redondo – O Globo Link original Passageiros permanecem durante horas em ônibus lotados, ruidosos e abafados, no ‘Rio 40 graus’ de Fernanda Abreu No filme francês “Entre dois mundos”, a personagem interpretada por Juliette Binoche é escritora, fato de que o espectador ganha ciência no avançar da projeção. Para escrever sobre as dificuldades da classe trabalhadora francesa, decide viver sua realidade. Muda-se de Paris para uma cidade portuária e, sob nome falso, emprega-se como faxineira. O trabalho exaustivo intensifica-se quando passa a integrar a equipe noturna dedicada a limpar, em tempo exíguo, cabines da balsa que transporta passageiros entre a França e a Inglaterra. O livro a ser escrito exporá as condições precárias a que mulheres se submetem para sobreviver com parcos recursos vindos do trabalho honesto. O paralelo com a situação enfrentada por cariocas e fluminenses no(Leia mais)

Zona da Leopoldina: do desejo da classe média ao abandono, de Hugo Costa

Neste artigo, o geógrafo Hugo Costa destaca que a Zona da Leopoldina, que nos anos 1980 figurava como objeto de desejo da classe média carioca, é hoje um retrato vívido do abandono urbano. Naquele período, a região atraía investimentos privados e publicidade de peso — como o icônico comercial estrelado por Xuxa e Pelé, promovendo apartamentos com piscina, sauna e vista para a Igreja da Penha. Quase quatro décadas depois, a realidade mudou drasticamente: os imóveis se fecham, muitos são abandonados, e a população migrou para outras áreas da cidade, transformando a Leopoldina em uma espécie de “cidade fantasma” dentro da metrópole. O autor revela que essa transformação não ocorreu de forma isolada, mas refletiu décadas de políticas públicas inconsistentes e de investimentos concentrados em outras regiões do Rio de Janeiro. Planos diretores e estratégias urbanísticas sucessivas, de 1992 a(Leia mais)