O Feriado e a Praça, de Washington Fajardo

Bom artigo do arquiteto, publicado no jornal O Globo de hoje: História do Brasil e do Rio de Janeiro, memória urbana, e um projeto de revitalização que está dando certo. Que se multiplique! Boa Leitura.

Urbe CaRioca


O Feriado e a Praça

Washington Fajardo

A Praça Tiradentes é a prova de que é possível revitalizar espaços históricos. A perda de continuidade, no entanto, pode levar à perda de vinte anos de trabalho público[...] Leia mais

Artigo: NÃO HÁ LUGAR PARA JOGADAS, de Sérgio Magalhães

O arquiteto, que foi Secretário Municipal de Habitação na Cidade do Rio de Janeiro e Presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil, traça um panorama sobre o quadro de violência que vivemos no país, questiona o papel do Estado – sua ausência, presença excessiva, e delegações indevidas – e aponta como tais desequilíbrios se refletem no planejamento do território e das cidades. Em suas palavras, o “germe da violência urbana de hoje está no modo como a questão urbana foi tratada desde meados do século passado. O país errou muito”. O artigo reproduzido abaixo foi publicado no jornal O Globo no último sábado, dia 24/03/2018.[...] Leia mais

Dois Artigos, Dois Pedros, e a Urbe Carioca

Como acontece todo final de ano, os veículos de imprensa convidam pessoas conhecidas para escrever sobre prognósticos para o ano a se iniciar, seja para o país em geral, ou sobre temas específicos.

No último domingo não foi diferente. O jornal O Globo publicou seis artigos, mensagens otimistas sobre 2018, com foco na Cidade do Rio de Janeiro.

Destacamos dois de maior interesse para este site urbano-carioca. Curiosamente, ambos autores são “Pedros”: Pedro Luís, o cantor, e Pedro da Luz, arquiteto e presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil.[...] Leia mais

ENTERRANDO AS CICATRIZES CARIOCAS, de Hugo Costa

O geógrafo Hugo Costa analisou a proposta da Prefeitura do Rio que pretende permitir construções sobre as linhas férreas do Rio de Janeiro, com o intuito de integrar partes de bairros que são ou foram separadas por aquelas intervenções, ideia que também se aplicará a um trecho da Avenida Presidente Vargas. O autor apresenta um breve histórico sobre a formação dessas áreas e questiona alguns aspectos relacionados.[...] Leia mais

DIA MUNDIAL DO MEIO AMBIENTE 2017 – Um comentário e um exemplo, de Salvador Sá

Hoje, 05 de junho, comemora-se o Dia Mundial do Meio Ambiente.

Na Cidade do Rio de Janeiro, além da paisagem natural e a existência da Trilha Transcarioca, projeto que levou mais de uma década para se afirmar, o que mais podemos celebrar? Pouco ou quase nada se olharmos para as nossas águas. A poluição atmosférica e a poluição sonora estão presentes no dia-a-dia em grande parte da cidade. Quanto à segunda, a Prefeitura recebe reclamações, porém não atua sobre:[...] Leia mais

DE TRABALHADORES NÃO PAGOS A ARENAS INÚTEIS, LEGADO OLÍMPICO DO RIO DE JANEIRO TORNA-SE HERANÇA A LAMENTAR, de Scott Stinson

O título acima é tradução livre do artigo publicado no site National Post – www.nationalpost.com – no último dia 24.

Em relato detalhado o autor faz várias indagações, desde sobre o paradeiro das sementes levadas por atletas durante a lindíssima abertura dos Jogos Olímpicos – que seriam destinadas à formação de um parque no pólo de Deodoro – até o prometido tratamento de esgotos que nunca chegou, sendo substituído por uma solução barata: barreiras destinadas a afastar os dejetos dos locais de competições, uma solução temporária.[...] Leia mais

O RIO DE JANEIRO, O LABIRINTO DE FAJARDO, E AS PRAÇAS VENDIDAS

Passeio Público, mar.2016. Foto: Mário Rodrigues
Ontem o arquiteto Washington Fajardo nos brindou com um belo artigo publicado no jornal O Globo. O título sugestivo – Labirinto – escondia mais do que a dificuldade de encontrar uma saída para as dificuldades que vivem o Rio de Janeiro e os cariocas: em meio a percurso variado desde uma das muitas trágicas mortes recorrentes na cidade do Rio de Janeiro, o autor vagueia da zona sul à zona norte, pelos subúrbios cariocas, e pela região metropolitana; relata a degradação do outrora bucólico Largo do Machado, e lembra a imobilidade urbana – que, na nossa urbe, já é pior do que a paulistana -, tudo em meio a “décadas de crianças perdidas”. =&0=&

APONTAMENTOS SOBRE A QUESTÃO DAS ÁREAS DE ESPECIAL INTERESSE SOCIAL – AEIS DAS VARGENS, de Canagé Vilhena

Morro do Coroado, Zona Oeste. Foto: Canagé Vilhena
Neste artigo o arquiteto apresenta amplo panorama sobre a ocupação e as outras questões urbanas que envolvem a chamada Região das Vargens, com foco na moradia em comunidades de baixa renda dos bairros de Vargem Grande, Vargem Pequena, Camorim e Recreio dos Bandeirantes, desde um histórico dessas ocupações até à proposta de realizar-se um seminário sobre o tema, tendo em vista estar em tramitação outro Plano de Estruturação Urbana para a área na Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro. Observação: vários posts e artigos sobre a região têm os marcadores PEU Vargens e Projeto de Lei Complementar, entre outros.
Boa Leitura.

Urbe CaRioca


APONTAMENTOS SOBRE A QUESTÃO DAS AEIS DAS VARGENS =&2=&

URBE CARIOCA CHEGA A 400.000 VISUALIZAÇÕES! OBRIGADA, LEITORES!

Urbe CaRioca. Foto: H. E.
No último fim-de-semana o blog alcançou 400 mil visualizações!
O Urbe CaRioca foi criado em abril de 2012 com o objetivo de “abrir um espaço para troca de informações, opiniões e sugestões que possam ser divulgadas, as quais, esperamos, transformem-se em ações que venham a melhorar o dia-a-dia de cariocas e visitantes da Cidade Maravilhosa e contribuir para o desenvolvimento urbano do Rio”. Apresentamos o blog com um convite: “Todos os interessados na Urbe CaRioca – a Cidade do Rio de Janeiro – estão convidados a participar”. =&1=&

PLC Nº 29/2013 – PARCELAMENTO DO SOLO: PARECER JURÍDICO, de Vinícius Monte Custódio

Imagem: construir.arq.br
Conforme divulgamos em =&0=&, publicado em 28/06/2013, em abril daquele ano o Executivo Municipal enviou à Câmara de Vereadores cinco Projetos de Leis Complementares que visam criar novas regras urbanísticas para parcelamento da terra, construção, licenciamento, fiscalização, e meio ambiente, na cidade do Rio de Janeiro. São eles: o PLC nº 29/2013 – Lei de Parcelamento do Solo – LPS; o PLC nº 30/2013 – Código Ambiental – CA; o PLC nº 31/2013 – Código de Obras e Edificações  – COE; o PLC nº 32/2013 – Código de Licenciamento e Fiscalização de Obras Públicas e Privadas – CLFOPP; e o PLC nº 33/2013 – Lei de Uso e Ocupação do Solo  – LUOS. =&1=&

DUAS PAULISTAS, DUAS VISÕES SOBRE O RIO DE JANEIRO

Rio de Janeiro, pôr-do-sol visto do Arpoador, em Ipanema.
Foto: Camila AGR

Os dois artigos sobre a Cidade do Rio de Janeiro, reproduzidos abaixo, foram publicados na grande imprensa recentemente. Um se contrapôs ao outro.

Em A vida é muito curta para falar mal do Rio, de Mônica Montone, no último dia 13, no jornal O Globo, a escritora paulista, claramente apaixonada pela urbe carioca, realizou o sonho de sua vida, mora no Rio, e é só elogios à cidade, “mesmo quando algum sobressalto (como um assalto) me acontece”.
O artigo foi escrito em contraponto ao anterior A vida é muito curta para morar no Rio, de Mariliz Pereira Jorge, publicado em 30/06/2016, no jornal Folha de São Paulo. Em suas próprias palavras a autora “era a paulista mais carioca que meus amigos conheciam”, mas, “Depois do primeiro mês, a lua de mel com a cidade acabou e eu me perguntava: como as pessoas moram aqui?”. A partir daí o texto mostra um conjunto de mazelas que assolam o Rio de Janeiro, salvando-se apenas “Uma paisagem espetacular” que se completa na mesma frase com o aposto “recheada de problemas escandalosos”.
E você, caro leitor, como é a Cidade Maravilhosa na sua visão?


Urbe CaRioca



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TAMANHO É DOCUMENTO, de Sérgio Magalhães

=&0=& Por isso escolhemos reproduzir o artigo do arquiteto e professor Sérgio Magalhães, colunista do jornal O Globo, publicado ontem nesse jornal, por ser pleno de otimismo. O autor avalia que “entre as obras do prefeito (…) a derrubada do elevado da Perimetral seja a de maior potencial positivo para a cidade”. =&1=&

A RODA GIGANTE E O PÉ DE FEIJÃO, de Carla Crocchi

UM CONTO INFANTIL SOBRE ALTURAS E PAISAGENS

Inspirada pelas idas e voltas de uma roda-gigante*que volta e meia volta a ameaçar a paisagem do Rio de Janeiro, a arquiteta e artista plástica presenteia este blog com uma breve narrativa que traz poesia e magia para cariocas e amantes da cidade, além de uma bela ilustração também de sua autoria.
Boa leitura.
Urbe CaRioca

Fonte: Carla Crocchi Fotos em Arte 

A RODA GIGANTE E O PÉ DE FEIJÃO

UM CONTO INFANTIL SOBRE ALTURAS E PAISAGENS
Autoria de Carla Crocchi  =&11=&

O RIO DE JANEIRO À BEIRA D’ÀGUA, de Andréa Redondo (versão em português)

O texto abaixo integra um conjunto de quinze artigos a respeito de cidades e suas frentes d’água publicados no referido site no dia 06/01. Para acessar todos os textos clique AQUI.=&2=&

O MÊS NO URBE CARIOCA – ABRIL 2015

Caros leitores,
Em ABRILo blog completou 3 anos! Obrigada, mais uma vez, a todos que nos prestigiam e compartilham as postagens.
Um dos posts com maior repercussão foi MARINA DA GLÓRIA – RESENHA DOS ASPECTOS JURÍDICOS NA AUDIÊNCIA PÚBLICA REALIZADA EM 17/04/2015, artigo dos advogados Natasha Zadorosny e Luiz Fernando Padilha, a quem agradecemos por colaborar com o Urbe CaRioca. Do mesmo modo agradecemos a Jean Carlos Novaes, Marbel Klein, Sonia Rabello e Sérgio Magalhães, que autorizam a reprodução de artigos igualmente importantes. Mais uma série de textos sobre o inexplicável Campo de Golfe dito olímpico, os novos cortes de árvores na Marina da Glória, o quinto poeminha da especulação imobiliária, as discussões sobre a alienação de terrenos do município e a venda do chamado Direito de Superfície, foram os outros temas polêmicos que estiveram em pauta. Do mesmo modo, a invasão do prédio situado na Avenida Rui Barbosa e o projeto para construir sobre o espelho d’água da Lagoa Rodrigo de Freitas geraram bons debates nas redes sociais. =&2=& =&3=&

Sérgio Magalhães – MINHA CASA, MINHA CIDADE

=&0=& =&1=& O artigo reproduzido a seguir foi publicado no jornal O Globo no dia 28/03/2015. O olhar crítico do autor vê problemas do modelo habitacional em que consiste o programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) e aponta alternativas.
O editorial do mesmo jornal neste domingo “Minha Casa Minha Vida repete erros do passado” endossa as visões de Sérgio Magalhães e de Pedro da Luz Moreira, respectivamente presidentes do Instituto de Arquitetos do Brasil – IAB Nacional e do Rio de Janeiro, e pode ser conhecido neste link.

O tema será debatido no Instituto de Arquitetos do Brasil – RJ, no próximo dia 14/04, às 18h30min. Mais informações aquiBoa leitura. =&4=& =&4=&=&6=&
 
Arquitete suas Ideias – http://arquitetesuasideias.com/2012/10/01/urban-sketchers/




Sérgio Magalhães

Recente reportagem do jornal “Extra” informa que os 64 conjuntos residenciais construídos pelo programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), no Rio, destinados às famílias mais pobres, são alvos da bandidagem armada, que expulsa famílias e entrega as moradias a comparsas.

O tema não é inédito. Nos anos 1960-1970, conjuntos tipo Cidade de Deus e Vila Kennedy foram erguidos para receber famílias removidas de favelas do Centro e da Zona Sul. Isolados e distantes, tornaram-se lugar de exclusão e foco da bandidagem protegida pela omissão do Estado. Com o fim do BNH, parecia extinta essa política. 

Mas o modelo foi ressuscitado, no Brasil, neste século XXI, pelo programa Minha Casa Minha Vida.

Há uma questão de base: o programa não dialoga bem nem com as famílias nem com a cidade. Seu entendimento é entre governos e empreiteiras. Com os moradores, não.

O governo federal financia, as prefeituras apadrinham, as empresas constroem as moradias. Com o preço da construção + terreno pré-fixado, buscam terra em áreas remotas, onde o custo é mínimo. Cabe ao morador o ônus do transporte caro e demorado; ao governo, a expansão dos serviços (ou, o mais provável, a não prestação dos serviços, mesmo o de segurança). À sociedade fica o ônus da formação de guetos.




Embora detentoras do financiamento, as empreiteiras não têm responsabilidade na “venda” das unidades. As prefeituras escolhem os moradores, beneficiados com subsídio de 95% do custo do imóvel.

O subsídio é iniciativa acertada; sem ele, as famílias muito pobres estariam excluídas. Mas não é suficiente. Em muitos casos, pode ser um expediente para impor o imóvel, sem outras considerações quanto ao lugar ou à qualidade. (Vamos convir, sem o subsídio as famílias não se mudariam para esses conjuntos.)

O programa apresenta-se como capaz de construir moradias em grande número e alta velocidade. É relativo. Em seis anos (2009-2014) entregou dois milhões de unidades, enquanto o total construído no país foi de aproximadamente nove milhões de moradias — a maioria, claro, sem nenhum financiamento.

Agora, o governo federal planeja a terceira fase do MCMV. Para isso, pretende ouvir construtores e outras forças políticas e sociais. Faz bem. É necessário corrigir o rumo.

O programa precisa ser parceiro da família e da cidade.

O MCMV é hegemônico na política de habitação. Ficam à margem outras necessidades habitacionais, como a urbanização de assentamentos populares (loteamentos e favelas), onde mora mais da metade dos brasileiros. Tampouco se alcançam famílias que optam pela construção em lote próprio, que continuam sem crédito acessível e sem assistência técnica. Um ajuste, portanto, há de contemplar a diversidade da habitação popular, ao invés de privilegiar um modelo.

Se a política habitacional assegurar o crédito diretamente à família (e o subsídio sendo fator de equidade), por certo se organizarão as forças produtivas, sejam empresariais ou associativas, para a construção da multiplicidade desejada. Uma infinidade de possibilidades se abre: terrenos de todos os tamanhos, inseridos na cidade; micros e pequenos construtores contribuindo; tipologias habitacionais variadas; materiais e processos construtivos adequados ao lugar; melhores projetos; inovação tecnológica; profissionais relacionados à habitação atuantes e valorizados. E certamente se pode alcançar maior velocidade na produção e melhor qualidade. Em especial, teríamos uma cidade mais bem ocupada e mais misturada.

Não há ingenuidade na defesa do protagonismo do morador — é a história de nossas cidades que o atesta. Revisto, o MCMV pode tornar-se fomentador do desenvolvimento urbano. Ademais, habitação, no mundo contemporâneo, é casa e cidade.

A cidadania se constrói a cada ação. A casa é um dos momentos centrais desse processo.

*Artigo publicado no jornal O Globo em 28/03/2015

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Artigo: BOLA FORA DA PREFEITURA, de Renato Cinco


Desenho – Urbe CaRioca



O artigo sobre o inaceitável Campo de Golfe construído em reserva ambiental, no Rio de Janeiro, cidade prestes a completar 450 anos de fundação, reproduzido a seguir, foi publicado no jornal O Globo em 30/12/2014. O autor, vereador Renato Cinco, traça um bom panorama sobre o assunto.

Infelizmente o texto não menciona a supressão da Avenida Prefeito Dulcídio Cardoso, mais um aspecto urbanístico sério entre tantas decisões equivocadas, conforme analisado em várias postagens neste blog. O assunto, de fato, tem muitas faces!

Por outro lado, o site G1 de notícias divulgou a manifestação ocorrida no último sábado contra a falta d’água em diversos bairros da Zona Oeste  – relatada no post de ontem neste Urbe CaRioca – enquanto, segundo os manifestantes, milhares de litros são gastos diariamente para irrigar o terreno onde o campo de golfe, dito olímpico para os jogos 2016, está em construção, parte dele sobre área de reserva ambiental às margens da Lagoa de Marapendi. E, ontem, mais uma entrevista, com a falácia de sempre por parte da prefeitura, foi publicada no site Bloomberg.


Boa leitura.

Urbe CaRioca




Renato Cinco


Município atropela legislação para construir campo de golfe

Passada a Copa, a lógica dos megaeventos persiste na preparação para as Olimpíadas: atropelo e violação de parâmetros urbanísticos e ambientais em prejuízo da população. O local escolhido pela prefeitura para construir o Campo de Golfe Olímpico, às margens da Lagoa de Marapendi, na Barra, é um raro reduto de Mata Atlântica, de restingas e manguezais com espécies ameaçadas de extinção.
Com a proximidade dos Jogos, a prefeitura celebrou um acordo com Pasquale Mauro, transferindo a responsabilidade pela construção do campo. Em contrapartida, ele receberia o aumento do gabarito para construção de prédios na área.
As licenças ambientais foram concedidas em tramitação acelerada e anormal, mesmo com manifestações de técnicos da prefeitura contrárias ao projeto. Diante das ilegalidades detectadas no licenciamento e do avançar da devastação no local em função das obras, uma ação civil pública foi ajuizada.
Segundo o Ministério Público, o projeto “não atende aos objetivos de criação da Área de Proteção Ambiental, já que aniquila por completo todos os atributos ambientais e funções ecológicas daquele ecossistema”.
Recentemente, o juiz do caso afirmou que são justas as dúvidas sobre a legalidade do licenciamento e que a devastação ambiental causada pela obra olímpica é inegável, e ainda maior do que ele mesmo imaginava.
A prefeitura e a Fiori Empreendimentos (responsável pela construção) afirmam que a área já estava degradada. Contudo, tal fato não retira seus atributos ambientais. Segundo biólogos que visitaram o local, ela estava em processo de autorregeneração. Ademais, o próprio “proprietário” é apontado como responsável pelos danos ambientais anteriores.
Curiosamente, em vez de exigir a recuperação da área, o poder público optou por autorizar a implantação de um campo de golfe, atividade de luxo e bastante lucrativa ao “proprietário”, considerando a valorização da região e a contrapartida oferecida, com aumento do gabarito para construção de prédios residenciais.
A prefeitura alega ainda que o acordo significou grande economia aos cofres públicos, já que a construção ficará a cargo do setor privado. Mas o valor global das vantagens econômicas oferecidas a Pasquale Mauro constitui um montante até agora incalculável. Muito provavelmente este pode ser um dos campos de golfe mais caros da história.
Além disso, enquanto a prefeitura atropela a legislação para garantir a construção de um novo campo de golfe em uma reserva ambiental, comunidades inteiras, estabelecidas há dezenas de anos na própria região da Barra, sofrem com as tentativas de remoção sob a justificativa de proteção ambiental.
Essas são apenas algumas das razões que nos levaram a apresentar na Câmara Municipal do Rio um requerimento de CPI para investigar o processo de construção do chamado Campo de Golfe Olímpico. Esperamos, assim, que o Poder Legislativo cumpra sua função fiscalizadora, tão necessária no caso em questão.
Renato Cinco é vereador no Rio pelo PSOL
O Golfe dito “Olímpico” na Urbe CaRioca
Devastação da APA e Parque Municipal Ecológico Marapendi – Janeiro 2015

Foto: Divulgação movimento Golfe para Quem?


NOTA:
A quem interessar, repetimos o vídeo abaixo.

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Artigo – A QUE SERVE O BRT?, de Ex-Blog





A análise abaixo foi publicada originalmente na Newsletter Ex-Blog  de 17/12/2014.


O tema Mobilidade Urbana tem estado presente há tempos em discussões de especialistas, seminários, nas páginas da mídia impressa e virtual, mas, principalmente, ao vivo, todos os dias e todas as horas na Cidade do Rio de Janeiro, problema sentido pela população indistintamente, seja na que usa o transporte público – ônibus, trens, Metrô – ou na que se locomove de carro – particular, táxis, vans – com evidente desvantagem para o primeiro grupo.

No artigo, considerações sobre a opção adotada recentemente na urbe carioca, que descartou, por exemplo, a Linha 6 Metrô, conforme projetos antigos para esse modal.

Boa leitura.

Urbe CaRioca

A QUE SERVE O BRT?


Ex- Blog do Cesar Maia

          
1. O governo federal tem priorizado e se associado aos investimentos de prefeituras nos BRTs – ônibus articulados correndo em canaletas/corredor. Belo Horizonte, Recife e Rio são exemplos. É um projeto polêmico, pois as estações não têm conexão com outras linhas, como ocorre no “ligeirinho” de Curitiba. São corredores lineares, sem conexão que atravessam bairros.
          
2. A travessia dos bairros divide os mesmos ao meio, repetindo os problemas históricos dos trens suburbanos no Rio de Janeiro. Isso afeta o comércio, desintegra as relações de vicindade e gera riscos de acidentes nas travessias. No Rio já são contados às dezenas estes acidentes, com outros veículos e com pessoas.
          
3. Além disso, o corte das linhas de ônibus interbairros para garantir um alto IPK (índice de passageiros por km) e a ausência de integração para grande parte dos bairros gera um custo adicional para a conexão. E o tempo economizado durante o transporte linear é superado, em muito, pelas necessidades de conexões. Agregue-se os problemas que acarretam para os que vivem na periferia dos bairros, seja pela necessidade de conexão, seja pelo deslocamento a pé.
          
4. O projeto do BRT foi apresentado pela Federação de Transportes do Rio há mais de dez anos, no boletim semanal ou quinzenal que divulgava como publicidade nos jornais. O projeto, na época, não caminhou porque as empresas não deram solução para as conexões e para o acesso dos passageiros que moram afastados do corredor do BRT. O custo para as pessoas aumentava, assim como o tempo de deslocamento quando exigida conexão.
          
5. A questão que envolve essa decisão das empresas de ônibus leva em conta a insustentabilidade de um sistema que, só no Rio-capital, funciona com 9 mil ônibus. Os conflitos com os usuários, os problemas de trânsito, o transporte público como foco da imprensa e reclamação das pessoas, as pressões dos políticos, as convergências/divergência, com os três poderes…, levaram consultores das empresas de ônibus a projetar uma curva negativa crítica já em médio prazo.
         
6. Dessa forma, a proposta foi reduzir drasticamente o número de ônibus em circulação, minimizando as tradicionais relações políticas e aliviando as pressões sociais. Para isso, havia dois caminhos: o sistema se associar ao transporte sobre trilhos, ou criar um novo sistema em base às experiências de outras cidades. Dada a impossibilidade de associação ao Metrô/Trens pelos os investimentos requeridos e o funcionamento sob regime de concessão, adaptou-se a visão de Lerner. que chamou de Metrô Sobre Rodas.
          
7. Mas essa adaptação ocorreu com simplificação drástica e redução de investimentos. Daí saiu o BRT – um corredor linear desconectado. Com a redução do número de linhas de ônibus, o IPK cresceu imediatamente e assim o retorno do investimento. Na medida em que o sistema BRT é de controle eletrônico facilitado, as desconfianças sobre sonegação de informações e -por isso- também de tributos, simultaneamente, reduz a dependência anterior das empresas de ônibus aos políticos e aos poderes.
         

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