PARA REGISTRO – QUEM SE LEMBRA DO VELÓDROMO DO RIO?

VELÓDROMO DO RIO PARA OS JOGOS PAN-AMERICANOS 2007 e CENTRO DE TREINAMENTO
DE GINÁSTICA OLÍMPICA: DEMOLIDO
Globo on line

O Velódromo do Rio construído para os Jogos Pan-Americanos 2007 com dinheiro público. Projeto de arquiteto ‘expert’ no assunto, pista de madeira importada especialíssima, legado do Pan para treinamento de ciclistas e incentivo ao esporte conforme amplamente divulgado: equipamento de primeiro mundo. Usado assim foi, de fato, durante algum tempo. O centro da pista recebeu equipamentos de ponta onde treinavam atletas da ginástica olímpica, dando-se mais um uso importante ao espaço.
Para os Jogos Olímpicos, no entanto, inexplicavelmente, não serviu. Foi rejeitado, desmontado, demolido, colocada toda a culpa, pelos cartolas, nas duas pobres colunas que sustentavam a cara cobertura. Talvez por coincidência, o projeto do Parque Olímpico tenha previsto outra ocupação para aquele espaço pronto e em funcionamento. Ou tenha sido decisão prévia da gestão administrativa + COI, nunca se saberá.
O arquiteto espantou-se. Isso jamais aconteceria em seu país. As colunas problemáticas poderiam ser retiradas, fazendo-se uma adaptação na estrutura.
O Velódromo considerado imprestável foi oferecido pelo Prefeito do Rio para outras cidades e igualmente rejeitado. Transporte, adaptação, tudo custaria muita verba pública. Ficou sem paradeiro até que alguém o aceitou: o município de Pinhais, no Paraná.
Estava a história esquecida e eis que a imprensa informa: “Velódromo do Pan-2007 é remontado a custo mais alto” (Folha de São Paulo, 08/02/2015). Mais uma vez os recursos serão públicos, e nem ao menos a obra ficará pronta para treinamento de atletas olímpicos, conforme a mesma notícia nos alerta. Maracanã (bem cultural tombado, teve a cobertura original demolida com autorização do IPHAN), o caso do Engenhão (recém-aberto), Parque Olímpico, falsa Linha 4 do Metrô, Zona Portuária sem habitaçãoParque Ecológico mutilado, Marina da Glória outra vez ameaçada
Velódromo do Rio, construído com dinheiro público, para os
JOGOS PANAMERICANOS – 2007, já demolido.
Imagem: Internet


Os meandros e as decisões sobre escolhas e prioridades no trato das obras públicas – execução, demolição, paralisação, trajetos e modais de transportes e a polêmica construção de uma nova rodoviária em São Cristóvão – estão muito além do que pode compreender o cidadão comum.

Este é mais um capítulo do estranho caso do finado Velódromo do Rio.

A quem interessar para registro, publicamos sobre o assunto:


O ESTRANHO CASO DO VELÓDROMO DO RIO

O ESTRANHO CASO DO VELÓDROMO DO RIO – 2

 O NOVELÓDROMO CONTINUA: O ESTRANHO CASO DO VELÓDROMO DO RIO – 3,

DIVERSOS – 09/8/2012 – Saint Patrick’s, Velódromo, Bhering e Metrô[...] Leia mais

Artigo: PAINEIRAS: A DESTRUIÇÃO DE UM PARQUE NACIONAL, de Leonel Kaz


.. notícia de que um empreendimento de 20.496 metros quadrados será construído em pleno Parque Nacional da Tijuca (…) causa apreensão. (…) área tombada, de preservação ambiental. Mas os responsáveis garantem que a obra é necessária porque vai criar a estrutura para receber os dois milhões de visitantes anuais do Corcovado (…). O Instituto Chico Mendes (ICM-Bio), com aval do Iphan, permitiu, em julho, a construção do complexo turístico Paineiras, no lugar do tradicional Hotel Paineiras (…) abandonado. As obras, sob comando do Consórcio Paineiras-Corcovado, vencedor da licitação com validade de 20 anos, foram orçadas em R$ 63,5 milhões. Começaram este mês e devem terminar em 2015.
Trecho de notícia publicada no jornal O Globo em 20/08/2013. Não há menção à aprovação pela Prefeitura, a quem competem as decisões sobre o uso do solo no município.





Sobre o projeto para construir um complexo gastronômico, Centro de Convenções e estação de transbordo no Parque Nacional da Tijuca, em 29/08/2013 publicamos neste blog COMPLEXO DAS PAINEIRAS,O ELEFANTE SUBIU O MORRO, e PAINEIRAS: NOTÍCIA SOBRE O ELEFANTE MISTERIOSO, em 22/10/2013. 

O mistério deve-se a vários fatos: o projeto foi aprovado em concurso organizado pelo Instituto de Arquitetos do Brasil, IAB-RJ, muito embora não haja respeito à legislação urbanística que rege o local, bastante restritiva, tratando-se de um parque tombado e protegido pelas leis que regem as construções e o meio ambiente natural. Nada mais se ouviu dizer após a divulgação de um embargo realizado pelo IPHAN. Não se tem notícia sobre o mais do que devido embargo por parte da Prefeitura, a quem compete legislar sobre o uso do solo o uso do solo no Município do Rio de Janeiro, inclusive a fiscalização sobre o respeito às normas.

Tudo indica que fazem ‘vista grossa’ enquanto espantalhos uniformizados multam quem joga palitos de fósforo na rua… Claro que não se deve jogar lixo na rua, nem palitos! Mas, são “dois pesos e duas medidas” de uma política urbana incompreensível.


A figura do elefante deve-se ao caso anterior – não menos estarrecedor – sobre a Marina da Glória, cujo ELEFANTE está adormecido. Por enquanto.

Abaixo transcrevemos o excelente artigo de Leonel Kaz publicado em 28/10/2013 em seu blog na Revista Veja*.

[...] Leia mais

COMPLEXO PAINEIRAS, O ELEFANTE SUBIU O MORRO

Bem no meio da imagem, à frente do trem, o Hotel Paineiras na década de 1910. Disponível em: http://www.fotolog.com.br/tumminelli/8602242
Imagem: Blog Rio Cidade “Sportiva”
O “Elefante que estava a caminho da Marina da Glória*encontrou novo rumo morro acima, ou, melhor, vive acima: do Parque à beira-mar seguiu para o Parque Nacional da Tijuca, pulmão da Cidade do Rio de Janeiro, em direção à Estrada das Paineiras. Literalmente da savana à floresta. 
Mais uma vez procura lugar tombado e protegido pela legislação de Meio Ambiente, tal qual o caso da Área de Proteção Ambiental de Marapendi transformada em Campo de Golfe, e da citada Marina.




O Globo
Figuras de linguagem à parte, outra vez surge um Centro de Convenções, agora na mata e para 400 pessoas.  O projeto arquitetônico objeto de concurso nacional, pode ser conhecido neste link: com mais de 20.000 metros quadrados de área construída o chamado Complexo Gastronômico prevê 400 vagas de veículos. Em tese é uma estação de transbordo para turistas, com restaurantes.


Não se trata simplesmente de aproveitar o prédio abandonado e recuperá-lo mantendo volumetria, telhado e a estrutura metálica do pátio coberto que o caracterizam, mas, acima deste será construído novo corpo equivalente a cerca de três andares, além de anexos e estacionamentos. O estacionamento ao lado, subterrâneo, requer corte no terreno e desmatamento. Segundo o autor, “um corte, relativamente pequeno se comparados à importância do empreendimento e à escala monumental da natureza”.

Notíciasda época do Edital informavam que, além do complexo gastronômico, o concessionário poderia explorar um centro de visitação e eventos no prédio do antigo hotel. O projeto de arquitetura vencedor do concurso organizado pelo Instituto de Arquitetos do Brasil – IAB mencionava a existência de hotel, ao que tudo indica não mais previsto. Quem sabe foi trocado pelo Centro de Convenções?
Na mídia não há informações sobre licenças de obras nem sobre o pronunciamento dos órgãos de Meio Ambiente e de Patrimônio Histórico do município, todos indispensáveis segundo a lei urbanística vigente.

Como a licitação ocorreu em 2011 e houve início de obras, escavações e desmatamento, provavelmente as autorizações foram concedidas – o que não impediria questionamentos: vide os casos citados da Marina da Glória e do famigerado Campo de Golfe, aprovados inexplicavelmente à revelia das normas.

Deve-se registrar que todos os projetos premiados são lindos. Todos. Podem ser conhecidos no Portal Vitruvius de Arquitetura e Urbanismo.  O projeto para a Marina da Glória também era muito bonito. Não é o que está em questão.

A estranheza se dá porque o local está incluído em Zona Especial 1 – ZE-1, área de reserva florestal, onde é permitido construir só dois andares. Como o prédio já tem três com altura de quatro, seria permitido apenas recuperá-lo, jamais acrescentar um “cocoruto” que quase dobra sua altura. Além disso, devido à idade da construção qualquer intervenção deve ser autorizada pelo Conselho Municipal de Proteção do Patrimônio Cultural.
Mesmo a permissiva Lei 108/2010, aquela das benesses para hotel, dispôs que “No bairro do Alto da Boa Vista da VIII RA – Tijuca será permitido o uso de serviço de hospedagem do tipo pousada e resort, voltados para o ecoturismo, obedecidos os parâmetros  urbanísticos definidos pela legislação em vigor para o local.

Paineiras
O Globo, 26/08/2013


Segundo notícia publicada em 27/08/2013 durante o processo de aprovação pelo IPHAN houve divergências internas e “o andar que seria construído sobre o prédio do hotel e um dos pavimentos de garagem foram suprimidos”, embora as imagens do projeto indiquem três níveis a mais sobre o prédio do antigo hotel. O jornal também informou que “Para dar lugar ao futuro empreendimento, 232 árvores serão derrubadas. Muitas já foram ao chão. O consórcio, porém, comprometeu-se a replantar 336. O muro e o telhado do hotel já foram postos abaixo. Janelas e portas também foram retirados. Ontem, apesar do embargo, havia operários no local. Mas o gestor do consórcio, Luiz Fernando Barreto, garante que eles arrumavam materiais para evitar acidentes durante eventuais chuvas” (?).

Foto disponível em: http://www.fotolog.com.br/sorio/37797248
Imagem: Blog Rio Cidade “Sportiva”


Algo estranho há: “arrumar materiais” não é motivo para embargo pelo IPHAN… e paralisação de obras.


A recuperação do prédio de mais de cem anos – mesmo modificado – e do local são bem vindas, por óbvio. E organizar o estacionamento se não puder ser dispensado, também.





Do mesmo modo lucrar com os investimentos é inerente ao empreendedor. Porém, se os negócios que envolvem patrimônio público e áreas públicas não são lugar comum, mais especiais se tornam quando interferem em ícones do Rio de Janeiro: Floresta da Tijuca, paisagem, as Paineiras e a construção centenária inaugurada junto com o primeiro trecho da Estrada de Ferro Corcovado.


Nesses casos o equilíbrio da equação investimento x lucro é delicado. O retorno não pode ser alcançado a qualquer preço ou a dita parceria público-privada, concessão, permissão – seja qual for a figura jurídica adequada -, não deverá ser realizada, permanecendo os encargos de única responsabilidade do poder público. Mais uma vez a solução oferecida é “eu cuido desde que possa explorar, modificar, demolir, construir… etc.”, com o desequilíbrio que vimos no Maracanã, Parque do Flamengo, e agora, quer chegar à Floresta da Tijuca.


Que se recupere prédio e as Paineiras com respeito à legislação urbanística e de Meio Ambiente, e com a indispensável proteção ao nosso maior bem: a paisagem urbana do Rio de Janeiro. E que não se culpe os empresários ou a “ganância” empresarial. Esses farão apenas o que os gestores da cidade autorizarem.


Impor limites é dever inafastável do Poder Público. Não ultrapassá-los, também.


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JARDIM BOTÂNICO: O IPHAN, O MINISTÉRIO, O TCU e A JUSTIÇA

Em 10/04/2013 publicamos o texto PATRIMÔNIO DO RIO: DECISÕES ALÉM DA COMPETÊNCIA, a respeito de duas manifestações recentes do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN: sobre o projeto para ocupação da Marina da Glória com Centro de Convenções e Shopping, e sobre o caso do Jardim Botânico, onde as discussões que envolvem a permanência ou não de casas construídas irregularmente se arrastam há décadas. =&3=&

A SEMANA – 08/04/2013 a 12/04/2013: Artigo de L. F. Janot, Patrimônio Cultural, e as CrôniCaRioquinhas

“…cabe ao IPHAN opinar apenas se uma lei urbanística geral – zoneamento e índices urbanísticos de um bairro -, ao incidir sobre um bem tombado, na vizinhança deste, ou na sua área de influência, poderá causar interferências”.
Trecho de
PATRIMÔNIO DO RIO: DECISÕES ALÉM DA COMPETÊNCIA=&1=& =&2=& =&3=& =&3=& =&5=& =&6=& =&7=&