PAIS CARIOCAS

CrôniCaRioca por Andréa Albuquerque G. Redondo, a todos os pais amorosos. 
FLAMBOYANT
Imagem: Blog Timblindim
_ “Olha que beleza aqueleflamboyantflorido”! É uma das lembranças mais antigas que tenho dele, ensinando-me a ver a cidade com outros olhos. Por acaso não estávamos na=&2=&, mas, na Estrada Rio-Petrópolis, Baixada Fluminense. O dirigir era mais lento… Hoje, quem poderia apreciar umflamboyant? Nem que quisesse. As pistas de veículos e as velocidades aumentaram, e as árvores não existem mais. Paciente, aquele pai. Ouvia as bobagens das crianças que faziam graça da sua origem no subúrbio do Rio, sem brigar:_ “Num Sete de Setembro, Que Dia Abençoado! Nascia no Encantado, Meu Paizinho Adorado”! Se minha mãe, nascida no Leblon, implicava com o “Amor”, logo recebia o troco:_ “Querida, está bem, nasceu na Zona Sul, mas o Leblon era bairro de gente pobre. Bom mesmo era o Encantado. Morava em um lindo sobrado, tinha quintal, árvores, brincávamos na rua… Vocês não entendem nada de Rio de Janeiro”!



Antiga Estação do Encantado, sem data
Acervo Eliezer Magliano
Blog Estações Ferroviárias do Brasil
 Graças a essas provocações amorosas, um belo dia – eu com uns 12 anos -, bem cedo disse aos filhos: _ “Hoje vocês vão conhecer o Rio de verdade”! Pôs os três no Ford 1950, uma de suas paixões, e fomos por caminhos novos, para a Zona Norte e Zona Oeste, certamente. 
FORD CRESTLINER 1950
Imagem: Legacy Motors
  
Imagem: Legacy Motors

Vivíamos só pelo Flamengo, Botafogo, Copacabana, Jardim Botânico, Gávea, e, é claro, “A Cidade”, isto é, o Centro, onde estavam o comércio, consultórios médicos e o trabalho. Fora da “cidade” existiam basicamente mercadinhos, padarias, bares, algumas lojas, colégios e igrejas.


Dos passeios longos conhecíamos a Barra da Tijuca e um pouco de Jacarepaguá. A Barra era um enorme areal com algumas casas e clubes; de Jacarepaguá nos lembrávamos de três morrinhos e das mangueiras frondosas.[...] Leia mais

DIVERSOS – 09/8/2012 – Saint Patrick’s, Velódromo, Bhering e Metrô



REDE DO METRÔ EM 1990
Imagem: Internet
1 – COLÉGIO SAINT PATRICK’S, LEBLON – OG noticia que colégio foi despejado. Briga de família. Os três imóveis, que ficam na esquina da Avenida Ataulfo de Paiva e Rua Rainha Guilhermina, são bens preservados pelo município, parte do conjunto protegido que forma a Área de proteção do Ambiente Cultural do Leblon. 2 – VELÓDROMOPrefeito voltou a dizer que não vai demolir o Velódromo. Era de se esperar. As eleições estão chegando, nada diferente será decidido ou divulgado, agora. A quem interessar, o Blog postou três textos a respeito: =&2=& =&3=& =&4=& 3 – ANTIGA FÁBRICA DE CHOCOLATES BHERING – Notícia hoje informa que a Justiça cancelou a ordem de desocupação do prédio. O Blog escreveu a respeito em 02/8/2012. Como se imaginava, as brigas jurídicas seguem e deverão prosseguir por muitos anos. 4 – METRÔ – Cartas dos Leitores no OG de hoje: ótimas observações de Miguel Gonzalez. Miguel Gonzalez é responsável pelo Blog Metrô do Rio. Escreveu para o Urbe CaRioca o excelente texto UM PROJETO REAL E VIÁVEL PARAO METRÔ DO RIO. =&9=&

AYRTON SENNA – Uma Avenida Nada TransUmanada



Avenida Ayrton Senna, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro
Imagem: skyscrapercity.com
Dentre as ações que vêm sendo apresentadas como futuro “legado olímpico” incluem-se três grandes corredores viários que serão ou já estão sendo construídos. O =&0=& reviu com atenção os vídeos institucionais que mostram o resultado esperado e discorrem sobre os benefícios que as obras trarão para a cidade. A extensão e quantidade de pistas mais as inúmeras pontes, viadutos, túneis e mergulhões, impressionam. Como todos os rios correm para o mar, as Transtudo correm para a Barra da Tijuca. Barra-Santa Cruz, Barra-Penha-Aeroporto Internacional e Barra-Deodoro. A maior atenção às Zonas Norte e Zona Oeste é louvável. Se a solução escolhida – essencialmente rodoviária – foi adequada, que o digam os especialistas no assunto: urbanistas, engenheiros de transportes, estudiosos das cidades e instituições várias. Quanto ao blog, de imediato não compreende porque o Metrô foi descartado. E espera, sinceramente, que a cidade e seus moradores sejam beneficiados de fato, bem como que os corredores não se transformem em novos espaços segregadores e abandonados como a história urbana do Rio tem demostrado até hoje. Em relação ao BRT, nos últimos dias a imprensa noticiou a satisfação de usuários do sistema de ônibus articulados implantado entre Santa Cruz e a Barra da Tijuca pela significativa diminuição do tempo gasto no trajeto, embora, resignados, tenham reclamado da superlotação. De fato, melhorar um aspecto importante como esse já é ganho. Meno male



Blog Meu Transporte

Por outro lado, circula um vídeo na internet que chama à atenção. Embora não leve a marca Cidade Olímpica, como os demais filmes de propaganda, é aqui considerado verdadeiro, pois, na divulgação, constam o cliente – A Prefeitura – e o nome produtor de vídeos institucionais e animações: mostra a transformação da Avenida Ayrton Senna.

As obras preveem modificações entre a Cidade da Música e o acesso à Linha Amarela. As explicações do narrador e as imagens demonstram que o trecho entre o “Cebolão” será transformado em uma autoestrada. Ora, por mais que se reconheça no projeto de Lúcio Costa para a Baixada de Jacarepaguá a predominância do traçado viário sobre o que poderíamos chamar de desenho urbano humano – o que não existe na região – o que se viu nas duas últimas décadas foi exatamente um esforço para reverter o aspecto rodoviário da Barra da Tijuca e Recreio, em especial com as obras realizadas na Avenida das Américas e na antiga Avenida Alvorada, hoje Ayrton Senna.
AVENIDA DAS AMÉRICAS -1984
Imagem: skyscrapercity.com / Agência O Globo

A Avenida das Américas tinha o apelido de Avenida da Morte, tal o número de desastres e atropelamentos que ali ocorriam quase diariamente.[...] Leia mais

A SEMANA – 30/7/2012 a 03/8/2012



IPANEMA E MORRO DOIS IRMÃOS
Vegetação de restinga recuperada.
Foto: Patricia Redondo, Julho 2012



=&0=& =&1=& =&2=& =&3=&

Reúne as postagens imediatamente anteriores:
[Postagens de 16/7/2012 a 20/7/2012]
[MOBILIDADE DEVE SER APRIORIDADE, AFIRMA NOVO PRESIDENTE DO IAB]
[O HANGAR PARA HELICÓPTEROS E A LAGOA RODRIGO DE FREITAS]
[BOLO DE FUTEBOL]

PASSEATA DOS BOLOSIlustração: Nelson Polzin

Terça, 31/7/2012

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Novos dados surgem na imprensa: custo do velódromo novo, negociações com a cidade de Goiânia para receber o Velódromo do Rio e mais declarações das autoridades.[...] Leia mais

COMO VIVÍAMOS? UMA CrôniCaRIOca ABERTA

CrôniCaRioca

por Andréa Albuquerque G. Redondo, com a colaboração de J. Armando, Camila e Marília.   COMO VIVÍAMOS SEM?



PARQUE DO FLAMENGO
Foto Pedro Kirilos. Pesquisa internet
·      Telefone – fixo e celular ·      Internet ·      Google ·      Ônibus e carros sem ar-condicionado ·      Parque do Flamengo ·      Lazer na orla marítima e na Lagoa Rodrigo de Freitas ·      Metrô – funcionando bem e confortável   

COMO VIVEMOS E CONVIVEMOS COM? TEMPO PASSADO.[...] Leia mais

ANTIGA FÁBRICA BHERING, UMA CONFUSÃO ACHOCOLATADA

Balas Toffee – Chocolates Bhering
Pesquisa Internet
O título da notícia publicada pelo jornal O Globo em 30/7/2012 foi: Bhering: dois decretos da Prefeitura garantem presença de artistas no prédio

”. Referia-se à decisão do alcaide de (1) declarar de utilidade pública para fins de desapropriação o imóvel onde funcionou a antiga fábrica de chocolates Bhering e (2) determinar o tombamento provisório do mesmo, que fica no bairro do Santo Cristo, Zona Portuária do Rio.[...] Leia mais

O NOVELÓDROMO CONTINUA: O ESTRANHO CASO DO VELÓDROMO DO RIO – 3

VELÓDROMO DO RIO
Lockring
No dia 17/07/2012 o Blog =&0=& publicou o texto O ESTRANHO CASO DO VELÓDROMO DO RIO, quando relatou as contradições entre declarações de governantes e membros do COB sobre a demolição do Velódromo do Rio e venda do terreno à iniciativa privada, ou adaptação do mesmo para os Jogos Olímpicos 2016. O equipamento foi construído para os Jogos Pan-Americanos de 2007, portanto, há apenas cinco anos, ao custo de R$14milhões. Na época estava prevista a ampliação de sua capacidade caso o Rio de Janeiro viesse a sediar os Jogos Mundiais. Além disso, o edital para o concurso do Parque Olímpico indicava três construções destinadas às competições como existentes, entre as quais, o Velódromo. A seguir, no dia 19, o texto intitulado O ESTRANHO CASO DO VELÓDROMO DO RIO – 2 deu sequência aos questionamentos apontados anteriormente dando conta da inauguração de um Centro de Treinamento no interior do Velódromo, em abril último, o que trouxe mais perplexidade diante da decisão pela a demolição do equipamento, à vista dos novos investimentos e utilidade daquele espaço. Cabe lembrar que, instalada a polêmica, o prefeito da cidade manifestou-se contrário à demolição e anunciou que estudaria a forma de adaptar o velódromo do Pan 2007 para os Jogos Olímpicos, embora já houvesse lançado edital de licitação para a elaboração de um novo projeto (!).
O VELÓDROMO DO RIO AINDA EM OBRAS
Diário do Rio
Eis que surge mais um capítulo do NoVelódromo. A Newsletter Ex-Blog divulgou as seguintes considerações e dados: VELÓDROMO: CONTABILIDADE DE CUSTOS! 1. O Velódromo do PAN-07 foi feito segundo as normas internacionais e pela mesma empresa que fez o Velódromo dos JJOO de Atenas. Mas surgiram impedimentos para seu aproveitamento nos JJOO-2016. Pode ser, pois as normas das federações internacionais de todos os esportes são dinâmicas. As questões básicas levantadas foram: a) o aumento das cadeiras de 3 mil (havia previsão e espaço para o outro lado) para 5 mil. Algo muito barato. E b) os pilares centrais que prejudicariam a visão dos Juízes europeus. Suponhamos que toda a cobertura teria que ser mudada e não apenas a parte central.       2. O Velódromo do PAN-07 custou 14 milhões de reais. Atualizando os valores, seriam hoje -exagerando- 20 milhões de reais. Mas…, foi divulgado o novo valor: R$ 115 milhões de reais. O último número -exagerado- foi apresentado à imprensa duas semanas atrás: 55 milhões de reais. Agora, esse número aparece dobrado. Mais de cinco vezes o PAN-07 atualizado. Duas vezes a revisão de duas semanas atrás. Inacreditável de Almeida, diria Léo Batista sobre um gol perdido. 3. Matéria publicada noJornal Lance em 27/7/2012 O teor da matéria publicada – de onde foram extraídos os dados da Newsletter -, o edital de licitação (que serve para duas coisas segundo entrevista da Presidente da EOM), e os acertos com a cidade de Goiânia demostram que todas as declarações “demolir não dá”, “vamos adaptar”, “suspender tudo” – são, então, mentirosas.
VELÓDROMO DO RIO
Pesquisa Internet
Se assim for de fato, estará comprovado que o cidadão nada mais é do que um boneco de marionete. Talvez seja uma questão de tempo para que nossos gestores mexam as cordinhas novamente. E que o assunto, desaparecido da mídia, retorne, mantendo-se tudo decidido como afirmado antes da polêmica, obviamente nada benvinda em período pré-eleitoral. Uma nota: o Engenheiro Antônio Eulálio afirmou que reformar o Velódromo seria mais barato. Enquanto as marionetes descansam, corre na internet um abaixo-assinado pela manutenção do equipamento.

Abaixo, mais dois vídeos com declarações e depoimentos de técnicos e atletas.[...] Leia mais

O HANGAR PARA HELICÓPTEROS E A LAGOA RODRIGO DE FREITAS



Parque Radical da Lagoa
Blog Radar Decoração
No final de 2011 foi anunciada, pela Prefeitura do Rio, a transformação de enorme área de propriedade do Governo Estadual situada nas margens da Lagoa Rodrigo de Freitas, em um parque público. Para tanto o Estado cederia o terreno onde funcionou uma academia de ginástica de luxo – hoje desativada -, à municipalidade: em vez do uso particular, um parque aberto destinado à prática de esportes radicais e à contemplação, com pistas de bicicross, skate e patins, mini-velódromo, muro de escalada e tirolesa. Há dez dias, entretanto, outra notícia deu conta de que em parte do terreno será construído mais um hangar de helicópteros para a Polícia Civil e para o Corpo de Bombeiros, ampliando-se os dois helipontos existentes. Os cariocas protestaram contra o golpe duplo: a diminuição do parque prometido antes mesmo de nascer, e o natural aumento do tráfego aéreo que trará mais incômodo. Não se discute a importância dos serviços prestados por essas instituições. O que preocupa, mais uma vez é que se perca a oportunidade preciosa de dar sequência ao conjunto de áreas públicas em volta da Lagoa, conquistadas e oferecidas à população por diversas administrações municipais, durante várias décadas.
Favela Praia do Pinto
Skyscrapercity



Favela Praia do Pinto
Blog Alma Carioca
Muitos que fazem caminhadas, passeiam de bicicleta e desfrutam a paisagem espetacular, não sabem que há algum tempo era impossível contornar a Lagoa, a pé ou de carro, não apenas pela ausência da ponte sobre o canal do Jardim de Alah, como pela presença de favelas que ocupavam o bairro do Leblon, até à beira d’água: Praia do Pinto e Ilha das Dragas. No ponto diametralmente oposto, onde hoje existe o Parque da Catacumba, ficava a favela de mesmo nome, cujos barracos, em cascata, chegavam até o meio-fio da Avenida Epitácio Pessoa.
Jardim de Alá e proximidades: Cruzada São Sebastião, Edifício dos Jornalistas
e as favelasIlha das Dragas, Pedra do Baiano e Praia do Pinto
(parcial, embaixo, à esquerda) – início dos anos 50
Cortesia de Paulo Afonso Teixeira, do siteAlma Carioca

www.antigoleblon.com.br
Favela da Catacumba
Skyscrapercity
De lugar simples para área considerada “nobre”, a transformação físico-social do bairro da Lagoa não se deu apenas em função da polêmica política de remoções iniciada na década de 1960, ou da substituição de casas e pequenos prédios por edifícios mais altos e luxuosos. As áreas públicas de lazer criadas às margens do espelho d’água, bem tombado municipal de beleza ímpar, foram igualmente ou até mais significativas para a mudança, passando a ser a Lagoa atração diária para cariocas de todas as regiões da cidade e camadas sociais, e, é claro, para o turismo em geral.
TIVOLI PARK DA LAGOA
Blog Araca
Além das ocupações irregulares citadas, havia um parque de diversões no meio do caminho e outras construções em áreas igualmente concedidas – um cinema ao ar-livre, um rinque de patinação, boates e restaurantes – estas aceitáveis, na época, por terem dado utilidade às terras vazias e levado animação a uma vizinhança pouco valorizada.  O parque de diversões foi retirado no início dos anos 1990, e o local transformado no que hoje é o Parque dos Patins. Infelizmente, o processo gradual de entrega total da lagoa à população sofreu um retrocesso com a instalação a seguir – no mesmo terreno onde funcionou o “drive-in” – da academia de ginástica que, enfim, será removida.
Parque dos Patins, Lagoa
Blog Minube
É o momento de retomar-se o processo, diante da oportunidade que volta depois de duas décadas, por força de ação judicial impetrada pelo Ministério Público Estadual em 2008 que pediu a anulação da cessão do terreno, considerada irregular.


Em meio às discussões causam muita preocupação as espantosas declarações dos órgãos de proteção do patrimônio cultural, justamente os responsáveis pela preservação do bem tombado. O IPHAN diz que falta consenso e aguarda o projeto do hangar revisado. Ou seja, não o descartou. A Prefeitura, através do recém-criado Instituto do Patrimônio da Humanidade, sugere instalar no local uma roda-gigante igual à London Eye!!! É inacreditável! Um trambolho gigantesco permanente, na beira da lagoa tombada e ao lado de dois helipontos em funcionamento!

Os cariocas que fiquem atentos ou a cidade sofrerá mais um atentado urbanístico!

LONDON EYE
Blog Casa Paulista

Já que Prefeitura criou índices urbanísticos especiais para os muitos terrenos do Estado que serão vendidos – decisão analisada e questionada pelo Urbe CaRioca no texto Vendo o Rio, o Estado – Estudo de caso: Botafogo) -, o mínimo que o governo estadual deve fazer é retribuir as benesses cedendo o terreno integralmente ao município para que este instale o parque prometido. Em tempos olímpicos, ficarão os louros para ambos e o Rio de Janeiro agradecerá.

E, no futuro breve, sugere que os próximos governantes pensem em transferir os helipontos existentes para outro lugar.
Quem o fizer poderá ter o nome gravado na História da Cidade como o administrador que completou o processo de libertação da lagoa em forma de coração, iniciado há meio século.
UOL Notícias

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MOBILIDADE DEVE SER PRIORIDADE, AFIRMA NOVO PRESIDENTE DO IAB

Rio de Janeiro, Mapa Rodoviário.
http://www.brazadv.com.br
O Blog Urbe CaRioca reproduz entrevista concedida pelo arquiteto Sérgio Ferraz Magalhães a Ítalo Nogueira – jornal Folha de São Paulo -, publicada em 19/7/2012, na qual o atual Presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil discorre sobre diversos temas de interesse geral das cidades e, em especial, sobre a Cidade do Rio de Janeiro. Os assuntos abordados, alguns instigantes, podem gerar bons debates. As imagens não constam da matéria original. Foram acrescentadas pelo Blog.  Boa leitura! =&0=& =&1=&
DO RIO O país planejou seu desenvolvimento econômico, mas esqueceu de preparar suas cidades. Resultado: metrópoles mal desenhadas que aumentam o custo de vida e desperdiçam seu potencial. A avaliação é do presidente eleito do IAB (Instituto dos Arquitetos do Brasil), Sérgio Magalhães, 67, que assume amanhã com três bandeiras: concurso público de arquitetos para todos os prédios públicos, execução de obras do Estado com projeto executivo, e fim da expansão territorial das cidades. O arquiteto diz que o investimento em bons projetos tem custo, mas evita desperdício após as obras. Na avaliação dele, as obras públicas no país contratadas a partir apenas de projeto básico estimulam o desperdício de dinheiro público. “Desde a Renascença se faz um projeto detalhado antes da execução da obra. Não diria que a Idade Média foi a Idade das Trevas, mas nesse aspecto sim”, disse.
Leonardo da Vinci, proposta de
níveis diferentes para o tráfego
The Urban Earth

Quais são as principais bandeiras da arquitetura hoje?
Temos que ter uma política urbana consistente que incorpore a dimensão da qualidade da produção do espaço público. Estamos com uma população urbana de 85% do total do Brasil. São mais de 170 milhões vivendo em cidades, e partimos de 12 milhões na metade do século passado, quando o processo de industrialização brasileiro se expandiu com mais consistência. Esse crescimento ocorreu num período que não é dos mais longos, entre 50 e 60 anos. Isso é uma dimensão monumental. Pouco países do mundo experimentaram.

Não só as cidades aumentaram, como o número de cidades aumentou. Se avaliarmos como se deu esse processo exponencial de crescimento, ele se deu do jeito que foi possível. O Brasil não projetou seu desenvolvimento urbano. O Brasil projetou seu sistema de desenvolvimento industrial, de agronegócio, a infraestrutura de energia elétrica e comunicações, o sistema financeiro… O Brasil sabia o que queria com a indústria: queria as indústrias de base e implantar parques industriais. No agronegócio, saímos de 30 a 40 toneladas de grãos para quase 200 milhões de toneladas. Tudo isso projetado. O Brasil se organizou para isso. Mas na questão urbana, o Brasil fez das cidades um instrumento para subsidiar os outros desenvolvimentos.[...] Leia mais