OS CANDIDATOS E A URBE CARIOCA

O Blog divulga alguns pontos abordados pelos candidatos à prefeitura do Rio de Janeiro em entrevistas concedidas ao jornal O Globo de 10/9 a 14/9/2012. Embora absolutamente tudo diga respeito à cidade e ao cidadão, os itens reproduzidos referem-se a aspectos urbanísticos específicos que já foram tratados neste espaço, tais como transporte público e o uso do solo. A ordem dos pretendentes é cronológica, igual à das publicações.  
Site Property in Rio
    =&0=& (Sobre as diferenças em relação ao prefeito)O prefeito vive sob a égide da trilogia asfalto, tijolo e cimento. E, para mim, as pessoas estão em primeiro lugar. Ele está preocupado com o asfalto liso, em fazer UPAs e clínicas da família, sem a responsabilidade de ter a segurança de que os equipamentos vão funcionar para valer. É impressionante, aonde eu vou, as pessoas dizem: “É de fachada.” (Sobre os transportes) O trânsito no Rio “apaulistizou-se” muito. Seria um absurdo advogar neste momento o rodízio, para ser São Paulo plenamente. A saída está no transporte de massa, de trilho. Em vez do BRT, em que se pretende gastar R$ 1,2 bilhão segregando pista na Avenida Brasil e fortunas em desapropriação, eu gastaria em aquisição de trens em parceria com a SuperVia, em parceria com o Metrô, para permitir uma mobilidade urbana muito melhor. Acho que as vans têm que ser incorporadas, mediante um processo licitatório individual, cada uma com seu roteiro, de fácil fiscalização por conta do GPS, e incorporadas ao Bilhete Único. =&4=&em relação à infraestrutura urbana, alguns pontos merecem alguma alteração. No bojo desse processo, também tem a recuperação da Zona Portuária, de que sou completamente a favor, mas, do ponto de vista de preocupação com o trânsito, sou completamente contra a derrubada da Perimetral. A solução viária proposta é inconsistente do ponto de vista da demanda presente e da demanda futura. Vai se construir muito e adensar aquela região, o que gera um trânsito permanente e regular que vai diminuir a velocidade média. Enfim, acho uma insensatez, até porque isso implica em R$ 1,5 bilhão que poderiam ser aplicados de outra forma na cidade.
Aspásia Camargo (on line 11/9)
(Sobre o principal problema ambiental da cidade) O saneamento ambiental como um todo. É o problema da coleta e do tratamento de esgoto e do lixo. (Sobre os transportes) Como a questão da saúde, que está invertida, o problema no transporte talvez seja ainda mais grave. A rede de transporte de metrô que existe em Paris, Londres e Nova York foi montada em 1905. Em Nova York, levou cinco anos para fazer metrô. Claro que essa rede se expandiu, mas o centro dessa rede foi montado naquela época e cem anos depois funciona normalmente. O que fazem no Rio é construir uma rede errada, torta, estranha e muito tímida. O número de quilômetros de metrô, é até vergonhoso dizer, não chega a 30 e poucos quilômetros, 50 quilômetros. É uma coisa insignificante. No que o prefeito pode ajudar? É aí que a questão está invertida. Temos 1,5 milhão de carros, 2,5 milhões de pessoas andando de ônibus e, depois, 500 mil no trem e 600 mil no metrô. E detalhe, as vans. Claro, a estrutura não atende as pessoas, ainda mais nessa cidade menos compacta. Pessoas vêm de longe e não têm como se conectar com uma rede tronco. Primeira questão, padecemos de falta de trilho. E a sustentabilidade que defendo tem que ter investimento ousado em trilho. Para ter grandes troncos receptores de outros meios de transporte. (Sobre remoções) Remoção como política, de jeito nenhum. Só podemos remover de área de risco e situação de inconveniência, e fazer a urbanização de maneira negociada. Quando urbanizar uma favela, tem que criar e abrir vias de acesso. Isso implica, sim, remoções, mas remoções pagas, indenizando os trabalhadores. Mais de 1 milhão de pessoas estão nessa situação. // Sempre protegi o Jardim Botânico dessa loucura. É uma área de preservação ambiental. A diferença é que o Cantagalo nunca foi uma área de preservação ambiental. O Jardim Botânico é três ou quatro vezes protegido, com tombamento, unidade de conservação, patrimônio. Sou a favor de remoções apenas nas áreas de risco e de proteção ambiental.
Rodrigo Maia (on line 12/9)
(Sobre as administrações de Cesar Maia) Não vou negar o meu passado e aquilo que o Cesar Maia acertou e aquilo que acreditamos. Que um legado importante foi abandonado pelo Eduardo, vamos tratar disso. (Sobre a aprovação automática) Olha, vamos deixar uma questão clara sobre a aprovação automática: a aprovação automática no Rio não acabou. Vou mostrar para vocês como ela não acabou nem no segundo, nem no primeiro ciclo. // Eles mandam uma determinação para os professores que só podem reprovar 8% no primeiro segmento e 16% no segundo. =&12=&=&13=& Primeiro, pegaria o dinheiro da Transbrasil e colocaria no trem e no metrô. // A prefeitura de São Paulo colocou. Pegaria esse dinheiro e colocaria parte no trem e parte no metrô. Acredito que, se a gente quer fazer uma cidade grande, de primeiro mundo, não é através de ônibus.  =&14=&

UM OLHAR CARIOCA SOBRE FILIPÉIA

CrôniCaRioca por Ailton Mascarenhasem 01 de setembro de 2012   
À direita, o HOTEL GLOBO
   Do Rio de Janeiro, atrás de dois amores, mulher e filha, vim parar em João Pessoa, na Paraíba, matrona de 427 anos nascida no Rio Sanhauá, um dia nomeada Filipéia, coisa de portugueses e, acreditem, também Frederica, coisa de holandeses.
PONTO DE CEM RÉIS




Mosteiro de São Francisco

CENTRO HISTÓRICO
Este é o Centro Histórico tombado, tem cidade alta e baixa, muita coisa bonita. Só depois com o saneamento da área da Lagoa a cidade foi se esticando para o mar. Há ricas igrejas, prédios institucionais, o Hotel Globo, praças e outros espaços, o casario colorido.       
LAGOA – Parque Solon de Lucena
É um refrão conhecido, tudo em João Pessoa começa com “a cidade mais oriental das Américas”. Lembram-se do ensino primário, “A ponta do Seixas”? Tinha também o Arroio Chuí, no Sul do Brasil, no Rio Grande…






PONTA SEIXAS
Farol do Cabo Branco

Aqui o sol nasce primeiro. Tem um farol de base triangular muito famoso e com vista belíssima para o mar. Tem também água de côco gelada.     Por perto as falésias estão se desintegrando, pouco a pouco, rumo ao mar. A Natureza, em todo lugar que vou, tem encantos e manias de mulher, vive mudando sua aparência, a erosão, ou tendo aquelas quenturas, o efeito estufa… Um vento constante – minha filha me fala quando reclamo disso, pai, tira o vento para você ver! -, a areia belisca a pele, enche os olhos, a calçada e a rua, – mas graças! -, ameniza a temperatura, que o sol é de rachar. Aqui também chove e para de repente, como nas cantigas das quadrilhas das festas Juninas: “…olha a chuva…”, a gente vai,”… é mentira…”, a gente volta. 
PRAIA DO BESSA

O povo não curte as praias como no Rio de Janeiro, onde nasci. Não tem a rapaziada, nem a simpatia e cultura de um dos melhores programas do Rio: “Vamos a praia?” A água é verde-marrom, às vezes verde cristalina, um espetáculo!


Intermares, Bessa, Manaíra, Tambaú, Cabo Branco, uma praia após a outra, é um horizonte só. Não tem ilhas ou montanhas para barrar a vista, mas tem a vegetação das areias, protegidas, muitos coqueiros e amendoeiras.[...] Leia mais

O HOTEL NACIONAL E O PACOTE OLÍMPICO



Hotel Nacional, São Conrado, Rio
Foto:Marco Antonio Cavalcanti/O Globo
  A um mês do fim da licença, reforma do Hotel Nacional ainda não começou”. “Até agora, nada indica que a intervenção no prédio de Oscar Niemeyer, com jardins de Roberto Burle Marx, será iniciada ainda este ano”. É o que diz a notícia publicada no jornal O Globo de 10/9/2012, que também informa: “o empresário admitiu que o hotel não ficará pronto para a Copa de 2014, cuja final será realizada no Rio”. 
Blog By Day


A reforma não começou, não obstante as muitas benesses urbanísticas aprovadas em 2010 por leis que permitiram exceções para as construções e modificações em hotéis e congêneres na Cidade do Rio de Janeiro, dentro do chamado Pacote Olímpico*.

 

Entre os ditos incentivos estão o aumento da área construtiva e dos gabaritos de altura, que serão variáveis conforme cálculos intrincados feitos a cada projeto.
 
 
As novas normas, por isso sem padrão definido, não seguem as imposições e restrições comuns a cada bairro ou região, mas, na prática, criam uma regra para cada terreno, à imagem do empreendedor e conforme habilidades do projetista.
 

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TOMBAMENTO, A PANACEIA DO MOMENTO

A Bhering, A Estudantina… Que não se duvide, poderão vir o Santa Leocádia e os prédios da Rua da Carioca, estes tombados em nível estadual.  
                               Rua da Carioca, Centro. / Foto: Alessandro Costa / Agência O Dia
=&0=&  Caso aconteça, infelizmente o instituto do tombamento será usado outra vez de maneira questionável, retirando-se a seriedade de atos que visam proteger o patrimônio cultural desde a edição do decreto-lei federal nº 25, em 1937, até seus desdobramentos nas esferas estadual e municipal.     
Antiga Fábrica de Chocolates Bhering
Foto: Fabio Motta/AE no estadão.com.br
Primeiro foi a Antiga Fábrica de Chocolates Bhering, cujos decretos de tombamentoe declaração de interesse público para fins de desapropriação foram analisados por este blog em duas ocasiões: ANTIGAFÁBRICA BHERING, UMA CONFUSÃO ACHOCOLATADA e ANTIGA FÁBRICA BHERING, 2 – CONFETE PARA A MÍDIA.   Na ocasião foi explicado que não se tombam atividades, e que os decretos não tinham o dom de garantir nem a recuperação do imóvel nem a permanência dos inquilinos.   Tratou-se em verdade de um ato demagógico que serviu apenas para acirrar disputas judiciais entre os novos proprietários – compradores do prédio em leilão judicial -, os antigos donos – devedores do fisco -, e a própria prefeitura, esta devido à possível desapropriação, processo invariavelmente longo que nem sempre tem sucesso. Além, é claro, de ter travado a provável reforma do imóvel – preservado desde 1989 – conforme os novos donos haviam anunciado.  
Praça Tiradentes, sobrado, Estudantina
Foto: Berg Silva, 2007 / O Globo
 O segundo alvo foi o prédio da Praça Tiradentes onde funciona a famosa gafieira frequentada pelo não menos famoso Sr. Gileno, funcionário público discreto e leal, e dançarino de primeira! Outra vez tombamento e declaração de interesse público para fins de desapropriação; outra vez dívidas particulares; outra vez um despejo à vista: é o que nos diz a imprensa.    
Estudantina
Foto: Veja Rio
   
Condomínio Santa Leocádia
Site Câmara dos Vereadores
 Sobre o Condomínio Santa Leocádia, havendo uma negociação imobiliária em curso, é de se imaginar que o executivo municipal não interceda pelos inquilinos que igualmente foram despejados do conjunto de prédios escondido em um cantinho de Copacabana, “um paraíso” nas palavras de seus moradores. Mas, o legislativo já se adiantou com a apresentação de um projeto de lei para… tombar os imóveis, é claro!

Há poucos dias outra informação dá conta de que a Venerável Ordem Terceira de São Francisco da Penitência venderá vários sobrados da Rua da Carioca, entre 42 edificações situadas no Centro e na Zona Sul das quais a instituição pretende se desfazer, pela “urgente necessidade de quitar parte de seu passivo fiscal, tributário, previdenciário e bancário, e à continuidade das atividades do Hospital Venerável Ordem Terceira…”  Aqui, mais uma vez a prefeitura anuncia que, “se necessário, vai intervir até com a desapropriação dos imóveis”.  
Rua da Carioca, Centro
Foto: Domingos Peixoto / O GLOBO
Em que pese a importância das atividades, resta ao contribuinte indagar quais serão os limites para que a municipalidade interfira em assuntos que dizem respeito apenas a terceiros, em especial quando todos os imóveis mencionados, ou já estão protegidos pela legislação de patrimônio cultural – caso da Bhering e dos imóveis da Rua da Carioca -, ou existem normas que podem garantir a sua integridade, como é aplicável ao Condomínio Santa Leocádia e aos sobrados da Praça Tiradentes. Afinal, em última análise, a verba pública que garantirá as desapropriações nada mais é do que dinheiro que pertence a todos os cariocas. Mas, outro aspecto merece ser considerado. Diante da existência de inúmeros imóveis próprios municipais abandonados, cuja venda já foi anunciada, melhor faria a prefeitura se, em vez de gastar dinheiro com as desapropriações, alugasse aqueles imóveis para os artistas plásticos da fábrica de chocolates. Daria uso aos seus prédios abandonados ou subutilizados, garantiria espaços aos inquilinos despejados, incentivaria as artes plásticas, e não impediria o investimento previsto para o bairro da Gamboa, em processo de revitalização, com a reforma do prédio da antiga Bhering e a instalação de uma cervejaria, um centro cultural, teatro e lojas, conforme pretendido pelo empresário vencedor do leilão. *** NOTA: Após a publicação desse post foi noticiado que, segundo os compradores dos sobrados existentes na Rua da Carioca, há a possibilidade de que os inquilinos permaneçam nas lojas. A notícia é:

Inquilinos serão responsáveis por reformas nos casarios da Rua da Carioca[...] Leia mais

A ESFIHA CARIOCA

CrôniCaRioca



 
A ESFIHA DO LARGO DO MACHADO
Foto: Camila Redondo
   Que o Rio de Janeiro é acolhedor, ninguém duvida. A característica brasileira de receber estrangeiros desde os tempos coloniais – pelos mais variados motivos, às vezes nem tão nobres, – prosseguiu ao longo dos séculos com os imigrantes vindos dos quatro cantos do planeta, que povoaram o país com a mistura que todos conhecemos. A cordialidade com que o Brasil recebe os turistas do século XXI, entretanto, talvez seja ampliada no Rio, ou não seria ela a cidade mais simpática do mundo… As heranças diversas, misturadas sabe-se lá com que receitas, criaram iguarias, das quais às primeiras que vêm à cabeça são as portuguesas e as de origem africana, é claro. O que seria de nós sem um belo cozido, colorido, com tudo a que temos direito – não pode faltar o milho – e os doces de ovos da terrinha? Ou os quitutes ensinados pelos escravos, como o vatapá, o pirão, a carne-seca com abóbora, e tudo o que leva leite de coco? Uma paixão!  
COZIDO
Blog M de Mulher
Mas, há uma delícia de outra origem escondida em uma galeria comercial dos anos 1960 e muitos, no Largo do Machado, bairro do Catete: a Galeria Condor. Há quase 40 anos uma verdadeira romaria procura as esfihas e caftas com arroz de lentilha da lojinha, iguarias trazidas por sírios e libaneses para as terras cariocas. Bem, a comida é árabe, mas a loja é administrada por portugueses e os cozinheiros são legítimos brasileiros, nordestinos! Seu Arlindo está sempre lá. Se a gente pede um suco sem gelo e sem açúcar ouve “Manga 200!”. Custei a entender que era 100 + 100 = sem, sem: gelo e açúcar, óbvio!   
CINEMA CONDOR
Blog História do Cinema Brasileiro

Ao longo de várias décadas a galeria mudou muito. O cinema que lhe deu o nome acabou. Virou uma igreja… que também acabou. Muitas atividades comerciais foram substituídas, o que é normal diante das regras do mercado e das transformações urbanas da cidade.

 


CINEMA POLITHEAMA
Também ficava  no Largo do Machado
Blog Topclassic


Nessas mudanças houve um caso muito engraçado, que hoje seria uma atitude legítima em prol do meio ambiente e da reciclagem: o aproveitamento do letreiro de um estabelecimento comercial que ficava na sobreloja. 

Lá funcionava uma sapataria. O letreiro enorme foi criado à imagem e semelhança do nome da loja: sobre o fundo branco pregaram pezinhos estilizados verde-escuro que se sucediam formando um caminho sinuoso. À noite as várias ‘pegadas’ se acendiam, uma atrás da outra. O efeito do pisca-pisca era de um caminhar iluminado, feérico e rápido.
 
O nome da sapataria era ‘Passo a Passo’. 
 
A sapataria acabou e na loja instalaram uma pequena igreja. O dono foi econômico: tirou o nome da sapataria e escreveu “Siga os Passos de Jesus”. Os pezinhos continuaram a iluminar os que procuravam o caminho da salvação.
 

Mais adiante a igreja também acabou. No seu lugar entrou uma loja de meias. Os pezinhos, portanto, foram aproveitados mais uma vez, afinal, no depósito de meias havia meias de todos os tipos para todos os pés!
 

 

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