
CrôniCaRioca Um halo difuso em torno das lâmpadas acesas nos postes da Av. das Américas, que se repetia em volta do clarão da lua cheia, me levou aos cuidados de um oftalmologista. Feito um mapeamento de retina, e apoiado na opinião de um especialista em córnea, recebo o diagnóstico: lágrimas distópicas, em tradução livre, e pra usar uma palavra da moda. Mais afeito a uma visão poética do mundo, sempre pensei nas lágrimas como mensageiras da alma, um contraponto aos sorrisos. Às vezes bem vindas, às vezes inconvenientes, mas sempre portadoras de sentimentos. Nunca tinha me ocupado delas nas suas funções fisiológicas. Escassas no passado, de tanto ouvir dizer que homem não chora, apenas emoções mais fortes me levavam a verter umas poucas, finas, ralas, daquelas que a gente disfarça com as pontas dos dedos e finge que está resfriado.(Leia mais)









